O futuro dos meios de pagamento será digital, invisível e movido por IA

Como um furacão, o Pix conquistou em pouco mais de cinco anos o status de meio de pagamento preferido dos brasileiros. Hoje, 76% usam Pix e 62% afirmam que ele foi o meio de pagamento mais utilizado nos últimos seis meses, uma frequência três vezes maior do que a do segundo colocado, o cartão de crédito físico. Ao mesmo tempo, o celular já é usado por 80% dos consumidores para pagamento em lojas físicas, sinal de que o dinheiro digital já deixou de ser tendência e passou a fazer parte da rotina no país.
Essa mudança de comportamento impõe uma nova agenda para empresas e varejistas. Adaptar a experiência do cliente passa, cada vez mais, por oferecer meios de pagamento compatíveis com uma jornada mais digital, móvel, fluida e integrada. E, para entender para onde essa transformação pode avançar no Brasil, a Zoop, fintech do grupo iFood, trouxe, no report “Meios de Pagamento no Brasil”, os benchmarks da China e da Índia, dois dos mercados mais avançados do mundo em pagamentos digitais.
Na China, os pagamentos evoluíram dentro dos super apps WeChat e Alipay, transformando o celular no principal centro da vida financeira e do consumo. A inteligência artificial já é usada em larga escala para pesquisar produtos, comparar preços, aplicar cupons, realizar pedidos e executar pagamentos dentro de chatbots.
No início de 2026, a plataforma AliPay AI, da AliExpress, reportou mais de 120 milhões de transações semanais feitas apenas nessa modalidade. A experiência se tornou tão integrada que o consumidor pode simplesmente dizer por voz “pegue meu café de sempre na loja mais próxima” para que o agente autônomo execute toda a jornada.
Na Índia, o Unified Payments Interface (UPI) se consolidou como o maior sistema de pagamentos em tempo real do mundo em menos de uma década, respondendo hoje por 84% de todos os pagamentos digitais do país e processando mais de 640 milhões de transações por dia. O modelo, baseado na conexão de contas bancárias por uma chave única (semelhante ao CPF, no Brasil), avançou muito além das transferências instantâneas, incorporando pagamentos recorrentes, crédito integrado à conta e pagamentos por voz em múltiplos idiomas. Mais recentemente, o país iniciou testes de pagamentos agênticos via ChatGPT, em que a inteligência artificial pode realizar transações em nome do usuário com regras e confirmações previamente definidas.
Os dois mercados ajudam a desenhar caminhos possíveis para a evolução da jornada de pagamentos no Brasil. Para mapear o cenário atual, o report da Zoop ouviu 1.745 pessoas bancarizadas com acesso à internet em todas as regiões do país, em pesquisa conduzida pela PiniOn com análise da Futuros Possíveis. O levantamento mostra um consumidor aberto à experimentação e a novas camadas de conveniência nos pagamentos. Hoje, 41% demonstram interesse em parcelamento no Pix, funcionalidade apontada como a principal tendência para os próximos meses, enquanto 61% afirmam considerar o uso de inteligência artificial pessoal para realizar compras e pagamentos em seu nome.
O estudo aponta ainda cinco movimentos que devem movimentar o futuro da indústria de meios de pagamento no Brasil:
1) Pix: da sofisticação aos desafios de segurança
Depois de consolidar a liderança na preferência dos consumidores, o próximo passo do Pix será incorporar funcionalidades como parcelamento, biometria facial e pagamentos automáticos. O desafio será preservar a percepção de segurança e eficiência que impulsionou sua adoção em massa.
2) Pagamentos digitais em alta
O celular deve ampliar ainda mais seu protagonismo nas transações. O estudo aponta que 25% pretendem aumentar o uso de pagamentos digitais nos próximos seis meses e 51% estão dispostos a experimentar novos formatos, pressionando empresas a oferecer jornadas mais fluidas e integradas.
3) IA agêntica muda o jogo do varejo
Com agentes autônomos capazes de pesquisar produtos, comparar preços e executar compras em nome dos consumidores, empresas precisarão adaptar suas operações para “falar o idioma das máquinas”, estruturando dados e criando experiências compatíveis com esse novo modelo de consumo.
4) Investimento em conscientização e treinamento
O avanço da inteligência artificial exigirá novas competências dentro das empresas. O report aponta que profissionais precisarão supervisionar agentes autônomos, monitorar qualidade e definir limites de atuação para essas tecnologias no dia a dia das operações.
5) Comércio unificado
As barreiras entre físico e digital tendem a desaparecer. A jornada de compra poderá começar em um agente de IA, seguir para canais online e terminar no ponto de venda físico, exigindo experiências contínuas, personalizadas e sem fricção entre diferentes plataformas.
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