Como o ERP em nuvem gera insights de negócios para as empresas

Como o ERP em nuvem gera insights de negócios para as empresas

Entrevista: Alexandre Maioral, vice-presidente sênior de SaaS da Oracle, explica como o modelo SaaS ajuda a melhorar o desempenho das organizações e auxilia os departamentos financeiros na tomada de decisões

Publicado em 22 de outubro de 2020

As transformações aceleradas pela pandemia são tão profundas que um estudo da Deloitte (Accelerating Exponential HR in the COVID-19 Era, 2020) diz que “não voltaremos a fazer negócios da maneira como fazíamos antes”. E isso diz respeito ao uso da tecnologia, que se tornou mais intenso. Mais importante do que isso é a necessidade de haver um mindset digital nas empresas, que proporcione agilidade e abertura à inovação, como fazem as startups, avalia Alexandre Maioral, vice-presidente sênior de SaaS da Oracle.   

Neste contexto, o modelo de ERP baseado em nuvem contribui diretamente para a adaptação das organizações a novos cenários, com flexibilidade, mobilidade e uso de Inteligência Artificial, entre outros recursos. “Para o CFO, toda a atualização, toda a tecnologia embarcada no ERP gera vários insights. E sabemos que, quando o departamento financeiro consegue ter mais eficiência e otimizar custos, é possível melhorar a eficiência da empresa como um todo”, diz Maioral. “É uma inteligência de negócios que o ERP possibilita para os CFOs.” 

Nesta entrevista ao Experience ClubMaioral explica em detalhes o que é, como funciona o ERP no modelo de SaaS (Software as a Service) e como as companhias podem extrair o melhor desse serviço.    

Você é vice-presidente sênior de Aplicativos da Oracle. O que exatamente faz a área comandada por você e com qual visão de inovação e tecnologia a companhia atua no mercado? 

A área de Aplicativos da Oracle é muito ampla. Ela está dividida em duas frentes: aplicativos, que a gente chama de business transformation, envolvendo tudo o que é ERP e com soluções para manter negócios, e toda a parte de front office, que é o que gera novas receita para os negócios. É um setor muito grande na Oracle e temos um portfólio extenso de soluções. Nossa visão de inovação e tecnologia é a de uma empresa moderna. Começamos lá atrás, no mundo de tecnologia com soluções de licenciamento, mas já há muito tempo apontávamos para uma nova tecnologia, para o mundo em nuvem, algo que só hoje em dia se ouve bastante no mercado. A gente se preparou para esse novo momento. O que oferecemos em termos de transformação e inovação é uma solução 100% voltada para serviços. Para ilustrar, eu faço uma analogia. O SaaS (Software as a Service) que desenvolvemos para a solução de aplicativos é como se fosse a energia elétrica: você não sabe o que tem da tomada para trás, toda a complexidade de uma subestação, de uma hidrelétrica ou de uma usina de geração de energia. Você coloca um aparelho na tomada e ele começa a funcionar. Nós puxamos toda a complexidade que normalmente havia na casa dos nossos clientes para dentro da Oracle, para que as empresas possam usufruir da inovação sem a complexidade de gerenciar todas essas soluções e tecnologias. 

ERP convencional costuma ter uma implementação demorada, cara e complexa para as empresasQuais são os avanços proporcionados pelo modelo baseado na computação em nuvem? 

A Oracle durante muitos anos contou com três modelos de ERP, um desenvolvido por nós e outros dois que havíamos comprado, com um modelo tradicional de licenças. Há mais de dez anos, porém, a companhia decidiu pegar as melhores práticas de todos esses ERPs e construir um do zero, o Oracle ERP Cloud, todo em nuvem e 100% SaaS. Ele democratizou as nossas soluções. Quais as vantagens do modelo SaaS em relação ERP com licenças? Ele tem uma implementação muito mais simples, com parametrização e pouca customização – e é um modelo totalmente evolutivo. Em 12 meses de ERP, tivemos mais funcionalidades incluídas no nosso sistema do que nos últimos 15 anos em relação ERP tradicional. O modelo baseado em nuvem permite isso. A cada três meses é feita a atualização automática do ERP, com novas funcionalidades. Nossa operação conta com um grande painel que mostra a utilização por todos os clientes no mundo. Podemos, então, ver onde está sendo fácil de acessar, as funcionalidades que requerem melhorias, se existe algum tipo de problema. É exponencial. Novas tecnologias, como Inteligência Artificial e blockchain, já estão embarcadas. E aquelas que nem se consolidaram ainda também estarão disponíveis na nossa solução no momento em que surgirem no mercado, porque as atualizações incorporam esses novos recursos ao sistema. É uma eterna evolução, não tem mais upgrade. Tem uma evolução contínua da solução de ERP dentro das empresas.  

Oracle é uma empresa de tecnologia, mas tem uma oferta de soluções muito ampla e com impacto direto nos negócios dos clientes, como você comentouNesse sentido, a Oracle procurar atuar como uma empresa de soluções de negócios? 

Exatamente. A Oracle hoje em dia – além de tudo o que comentei sobre ERP, que é considerado back office -, tem também toda a parte de front office. E esses dois mundos se conversam muito. Não adianta criar soluções de novas receitas e vendas, se você não tem o seu back office preparado para entregar isso de forma eficaz. Não é só vender mais, é saber vender melhor. A área toda de Aplicativos tem desde soluções de negócios para gerar novas receitas, como o comércio eletrônico da Oracle, o Marketing Cloud e soluções de field service para indústria de Utilities, que precisa gerenciar logística, visitas e projetos em campo. A Oracle está em toda essa frente de atendimento aos clientes. São soluções para os clientes dos nossos clientes. Tem também toda a frente de Customer Experience, com o back office  embarcado:  o ERP, o ETM, que é uma solução de gerenciamento financeiro, o Human Capital Management, uma solução de RH. Tudo isso acaba se conversando. São tecnologias que, de um lado, geram novas receitas e, de outro, tratam melhor essas novas receitas ou melhoram a eficiência da entrega. E isso tudo está associado ao nosso propósito, que é transformar o mundo empoderando as pessoas por meio da tecnologia.  

Alexandre analisa o impacto da pandemia nas interações e na forma de fazer negócios:

A pandemia acelerou transformações profundas no mercado, a ponto de um estudo da Deloitte (Accelerating Exponential HR in the COVID-19 Era, 2020) dizer que “não voltaremos a fazer negócio da maneira como fazíamos antes”. Que sugestões você daria para um CFO lidar melhor como o Novo Anormal?  

Precisamos transformar toda essa história em coisas positivas. É exatamente o que o estudo da Deloitte aponta: não vamos fazer negócios como antes. Enquanto alguns negócios deixam de existir, outros estão surgindo. Vemos, por exemplo, grandes empresas de varejo que agora também operam no digital. E isso acelerou o mundo digital numa região como o Brasil, onde isso não era tão natural, se comparado a outros países. Houve uma aceleração muito grande. Como a tecnologia ajuda nesse processo? Primeiro porque o modelo SaaS possibilita uma flexibilidade para as áreas de negócios. É um processo parecido com o modelo de startup: errar rápido. Há uma maior mobilidade para testar cenários de forma simples. A pandemia gerou modelos de negócios que surgiriam em algum momento, mas foram acelerados. A interação digital com os consumidores já mudou, e vai mudar muito mais.  

Você falou sobre pensar como uma startup. Com o ritmo veloz das transformações no mercado, qual a influência da cultura organizacional nesse processo?  

Algumas companhias já passaram por essa mudança de mindset, porque não adianta querer ser digital pensando de forma analógica. Existe uma diferença entre ser digital e digitalizar a sua empresa. Digitalizar a organização é mais ou menos assim: “eu sou uma empresa de varejo, tenho várias lojas e faço o meu comércio eletrônico, que é exatamente o que tenho dentro das minhas lojas”. Isso não é ser digital. Isso é digitalizar as lojas. Ser digital requer uma mudança de mindset, da cultura da companhia. É necessário pensar digital. Toda essa tecnologia sobre as quais estamos falando aqui aponta para isso: não é pegar uma coisa que já existe no mundo e colocar na nuvem. É entender como nascer com processos já digitais. Isso passa por uma questão cultural, que é mudar o mindset da liderança para isso. Muitas das conversas que mantenho atualmente no mercado são focadas na questão cultural, compartilhando um pouco do que a Oracle e os nossos clientes vêm fazendo, para estimular essa mudança de mentalidade. Não adianta pensarmos que a tecnologia vai resolver, ela é só o meio; as pessoas são muito importantes. Se não houver a mudança de mentalidade nas pessoas, a tecnologia não consegue promover a mudança que todo mundo espera. São as duas coisas juntas. 

Aqui, Maioral fala sobre a importância do mindset de inovação nas empresas:

Você citou anteriormente tecnologias como Inteligência Artificial e blockchain. Levando em consideração essas e outras inovações, que futuro você projeta para o ERP?  

O modelo SaaS evolui sem parar. Uma boa analogia é o iPhone com o iOS. Você recebe atualizações no sistema. Algumas das novas funcionalidades você usa, outras não. Mas a diferença é que, com o SaaS, não tem a limitação do hardware, do equipamento. O aparelho está na nuvem também, sempre vai ter uma evolução. Por isso, eu digo que o céu não é o limite para o ERP em nuvem. Porque cada recurso tecnológico novo que surgir será embarcado na solução. Hoje a indústria de tecnologia está dentro de todas as indústrias. Não se consegue mais ter um varejo sem uma forte tecnologia embarcada. O mesmo acontece com os outros setores, como o de companhias aéreas, telecomunicações etc. E esse modelo de arquitetura de cloud que construímos será uma eterna evolução, por isso não enxergo uma tendência especificamente. À medida que novas tecnologias surgirem, elas serão incorporadas à solução e os clientes vão poder usufruir disso.  

Você se define como alguém que gosta de mudanças. E o que a gente mais viu durante a pandemia foram mudanças, algumas delas bruscas. Na sua avaliação, que transformações provocadas pela pandemia devem ser incorporadas de vez pelas organizações?  

Eu realmente gosto de transformações. O ser humano, quando sai da zona de conforto, é desafiado e se torna mais criativo. É o que a humanidade está vivendo hoje, com a pandemia. Perceba quantas formas diferentes de interações foram criadas a partir da quarentena. Fala-se muito do novo normal. Acredito que o normal vai ser um híbrido do que tínhamos antes e do que surgiu agora. E também penso que as pessoas vão usar o tempo com muito mais inteligência. Porque, no final, tudo diz respeito ao tempo das pessoas. Não é necessária uma grande viagem para fazer uma reunião, pois é possível fazer online. A forma de interação entre as pessoas – e principalmente entre grandes indústrias e os clientes – mudou muito. Todos tiveram de entender que a tecnologia permite fazer tudo ou quase tudo de uma forma mais simples e rápida. Por isso, digo que podemos fazer do limão uma limonada. É importante refletir como a pandemia vai transformar a nossa vida com a tecnologia. E a tecnologia está aí pra ajudar nesse processo de adaptação. Tanto que a gente vê clientes com situações diferentes em relação a isso. Alguns sofreram muito pouco, outros tiveram aumento de receita e outros sofreram mais porque não estavam preparados para esse cenário. A pandemia ligou um sinal de alerta, indicando que as coisas podem se transformar a qualquer momento. 

E, neste ponto da entrevista, vem à tona novamente a questão cultural. Estar aberto ao novo e saber se adaptar são competências ainda mais importantes no novo contexto do mercado?  

Conversando com várias empresas, notamos que as companhias que se mostraram mais bem preparadas foram aquelas em que o CEO, CFO ou o CIO estavam dispostos a pensar em como transformar o negócio, e não em achar um porto seguro. Faço um convite para que todo executivo que lidera uma companhia pense sempre em transformação, em adotar novas tecnologias que vão levar a empresa para outro patamar de crescimento exponencial. A tecnologia é meio. Não adianta ter o recurso mais avançado sem aproveitá-lo em todo o seu potencial.  

Texto: Clayton Melo