“É urgente mudar as estratégias em um mundo que desafia as previsões”

Para o pensador John Hagel, do Vale do Silício, as empresas precisam apostar em iniciativas com maior impacto para toda a cadeia de produção

Publicado em 9 de março de 2021

Avanços tecnológicos costumam ser acompanhados de mudanças na maneira de pensar as formas de produção e de trabalho. Nas últimas décadas, têm sido comum que, a cada cada avanço, aumente também a pressão por desempenho. Mas será que, atualmente, as instituições estão sendo capazes de acompanhar essa evolução? 

Para o pensador e consultor John Hagel, que já acumula 40 anos de experiência no Vale do Silício, as abordagens estratégicas tradicionais não levam em consideração esse ritmo crescente de mudança. O mundo atual desafia previsões e, por isso, uma nova abordagem é iminente.

John Hagel se dedica a ajudar empresas ao redor do mundo a aumentar o impacto de seus negócios em uma sociedade cujas mudanças estão cada vez mais rápidas. É fundador e copresidente do Deloitte LLP’s Centre for the Edge, um centro de pesquisa baseado no Vale do Silício com filiais em Amsterdã e Melbourne. Além disso, faz parte do time de lideranças do Fórum Econômico Mundial e do Instituto Santa Fé, e atua no corpo docente da Singularity University. Ele falará sobre esse e outros assuntos no primeiro Experience Lab de 2021, que acontece em 24 de março. Saiba mais e inscreva-se.

Sobre a estratégia atual das empresas, Hagel lembra que, tradicionalmente, costuma-se analisar os próximos cinco anos de um negócio ou empresa. Segundo ele, essa metodologia dificulta a visão de negócios a curtíssimo prazo e a longo prazo. O que o consultor propõe é um método que ele chama de zoom in e zoom out

Essa abordagem foca em dois horizontes distintos. O zoom out olha para daqui 10, 20 anos, tentando antecipar o que será relevante para a indústria e o mercado nesse horizonte de tempo, e o que a empresa precisará se tornar para se manter relevante até lá. Já o zoom in é um pensamento de curto prazo, focado nos próximos seis ou 12 meses. E nesse panorama, a empresa deve planejar as iniciativas em que pretende investir, sempre com o foco de acelerar o movimento em direção ao destino de longo prazo.  

“Acredita-se que olhando para esses dois horizontes as coisas tendem a se organizar melhor. Força o foco no curto prazo, mas com um olhar em direção ao futuro, na direção para onde devemos ir. Isso é poderoso. A chave para resolver os problemas em um mundo com mudanças tão rápidas é manter o foco”, afirma Hagel, em uma de suas palestras no Global Summit, da Singularity University. 

Para ele, essas duas visões orientam as empresas mais rapidamente em direção às oportunidades futuras mais promissoras, ampliando as chances de resultados com impacto de curto prazo e com mais relevância para todos os envolvidos.  “Essa abordagem pode ser usada para uma empresa inteira. Em empresas diversificadas, também pode ser aplicado no nível das unidades de negócios”, diz Hagel, em um artigo sobre o assunto. 

O especialista também alerta para a necessidade de uma observação mais atenta ao cenário macro, além do negócio. “Cada instituição – e cada indivíduo – pode usar essa abordagem para aumentar seu impacto”, afirma. Por isso, defende que é importante um olhar mais cuidadoso para os funcionários e para os efeitos emocionais que os objetivos propostos podem trazer.

Texto: Juliana Destro
Imagem: Unsplash