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Economia dos apps coloca a Flórida no Top 5 do ranking de empregos nos EUA

O Sunshine State conta com 129 mil postos de trabalho, do total de 2,5 milhões de pessoas nos Estados Unidos que atuam no mercado de aplicativos de tecnologia, de acordo com estudo recém-lançado

A Flórida é o quinto estado norte-americano em volume de trabalhadores da “economia dos apps”. De acordo com recente pesquisa divulgada pelo think tank Progressive Policy Institute, são 129 mil pessoas atuando em empresas de aplicativos – a nova economia que eclodiu nos últimos anos, especialmente no pós-pandemia. O Sunshine State, que representa 5% da força de trabalho deste segmento, completa o Top 5 ao lado dos primeiros colocados: Califórnia, Texas, Washington e Nova York.

Ao todo, há 2,5 milhões de pessoas atuando no mercado de apps nos EUA no início deste ano, um número 8% maior do que em fevereiro de 2020, o último indicador antes do surto global de Covid-19. “Encontrar trabalhadores com habilidades em economia de aplicativos – a capacidade de desenvolver, manter e apoiar aplicativos móveis – tornou-se essencial”, é uma das conclusões do relatório.

O estudo analisou os postos de trabalho públicos no site Indeed.com para estimar o número de anúncios de empregos principais (desenvolvedores, engenheiros de software e trabalhadores de help desk) em cada estado. Há um novo fator, contudo: a explosão do anywhere office, que liberou muitas empresas – e profissionais – da obrigação de trabalharem presencialmente em suas sedes. O Progressive Policy Institute afirmou ter ajustado a metodologia em função deste modelo.

Contudo, foi a migração em função da pandemia que acabou atraindo holofotes – além de empresas, fundos de investimentos e profissionais – para algumas cidades da Flórida. De acordo com estudo da associação comercial de tecnologia CompTIA, o estado foi o segundo que mais abriu vagas nos EUA, entre 2020 e 2021. Destaque para a região de Tampa, que abriu cerca de 7.000 vagas – no total, há 20 mil postos de trabalho na app economy local.

No índice de atração de empresas digitais, a Flórida lidera a corrida nos EUA. De acordo com o estudo da CompTIA, 2.715 negócios rumaram a cidades como Miami, Orlando e Jacksonville no ano passado – superando hubs consolidados como a Califórnia, Texas e Massachusetts, e outros em ascensão, como o Colorado.

Conexão com America Latina é diferencial para atração de empresas

E onde há novos negócios chegando, há também capital. Somente no primeiro trimestre de 2022, as startups do Sunshine State atraíram mais de US$ 1,5 bilhão em aportes de venture capital – considerando apenas a região de Miami-Fort Lauderdale, o volume ultrapassou US$ 1 bilhões, representando mais da metade dos deals.

Diferente do que especialistas deste mercado achavam há alguns anos, o sul da Flórida se tornou um lugar próspero para os fundos de capital de risco e firmas de fusões e aquisições. Que o diga Jeff Ransdell, um veterano de Wall Street que se aposentou e abriu, em 2017, o Miami Fuel Venture Capital. “Todos pensavam que eu tinha perdido a cabeça. Diziam que neste mercado, você precisa estar em Nova York, São Francisco, mas certamente não em Miami”, disse Ransdell ao Refresh Miami. Desde então, a gestora foi responsável por investir mais de US$ 100 milhões em empresas do sul da Flórida.

O mais recente aporte foi em abril passado, na fintech NovoPayment, um plataforma de banking as a service que captou US$ 19 milhões, em rodada compartilhada com a IDC Ventures. O objetivo da startup é usar os recursos para se expandir em mercados nos quais já atua, especialmente EUA, América Latina e Caribe. Outra investida da região, a AEXLAB – que desenvolve jogos de realidade virtual – recebeu um aporte de US$ 5 milhões da Fuel, em fevereiro passado, para ampliar a aposta no metaverso.

Esta conexão internacional é talvez o principal trunfo do ecossistema tech da Flórida. Para a diretora de investimentos da Fuel, Maggie Vo, a proximidade com o mercado latino é estratégica para as empresas do fundo: “muitos dos nossos empreendedores de Miami encontram talentos para a área de software na América Latina”. Sem falar nas oportunidades de negócio: em fevereiro, a Fuel e a IDC lideraram um aporte de US$ 70 milhões na fintech brasileira RecargaPay, uma wallet de pagamentos e micro-empréstimos que tem operações em São Paulo, Buenos Aires e Miami.

Outro report da CompTIA, sobre a venda de produtos e serviços de tecnologia dos EUA para outros países, mostra a ascensão da Flórida entre os principais exportadores: o estado ocupa a 5a. colocação, superado apenas por Califórnia, Texas, Washington e Massachusetts – e à frente de Nova York, que ocupa o sexto lugar.

Se o ritmo de expansão do ecossistema de tecnologia local se mantiver aquecido nos próximos anos, é possível que a Flórida logo ultrapasse estados como Nova York (137 mil trabalhadores) e Washington (139 mil), consolidando de vez a região como um dos maiores empregadores de TI da América.

A Kaseya, uma das referências da cena de tecnologia de Miami, espera contratar só neste ano 400 pessoas. Com nova sede no bairro financeiro de Brickell, a empresa anunciou uma parceria com a Florida International University para capacitar estudantes ao mercado. “Há uma escassez nacional de talentos tecnológicos. Estamos trabalhando arduamente para combater a fuga de cérebros do sul da Flórida e assegurar que os estudantes estejam preparados para o ecossistema tecnológico em ascensão da cidade”, resumiu o CEO Fred Voccola.

Foto: Unsplash

Texto: Fabrício Umpierres

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