Executivos voltam à escola para mudar de carreira depois dos 50

Executivos voltam à escola para mudar de carreira depois dos 50

Pesquisa da RetirementJobs mostra que diversidade etária começa a ganhar espaço no mercado corporativo

Publicado em 2 de dezembro de 2019

Com o envelhecimento da população brasileira e global e a reforma da Previdência aprovada no País, estendendo a idade mínima para a aposentadoria, a questão da empregabilidade dos profissionais acima dos 50 anos ganha ainda mais visibilidade e importância. E nem só de conflito de gerações vive o ambiente corporativo. O tema diversidade, em alta nas grandes companhias em relação às questões raciais e de gênero, também começa a chamar atenção no quesito idade. A diferença etária entre os funcionários traz desafios, mas também pode incorporar benefícios e resultados positivos.

Pesquisa feita pela plataforma RetirementJobs.com nos Estados Unidos mostra que, lentamente, as empresas estão mudando a mentalidade. Há dez anos, 96% dos entrevistados concordavam que o viés da idade (análise baseada apenas na idade e não na condição física) era determinante no ambiente de trabalho. Em 2019, o resultado da pesquisa caiu para 83%. O levantamento foi feito com 12 mil respondentes do portal, que desde 2006 já reintroduziu mais de 200 mil profissionais maduros no mercado de trabalho americano e tem 1,5 milhão de membros inscritos.

“A idade é o novo ponto de diversidade nas empresas. Vivemos em uma economia impulsionada por serviços, não por manufatura, que podem ser feitos pelos profissionais mais maduros”, destacou o cofundador e presidente da RetirementJobs Tim Driver, em apresentação no Brasil a convite do 14º Fórum da Longevidade Bradesco Seguros.

Apesar de lenta, a mudança no espaço corporativo vem acontecendo e mais profissionais maduros estão voltando ao mercado, em novos setores ou ocupações. O levantamento aponta que 2/3 dos profissionais com mais de 50 anos procuram uma nova carreira para retornar ao mercado. Apenas 1/3 quer uma recolocação similar a que tinha na juventude.

No planejamento da longevidade corporativa, o aprendizado é fator determinante: 7 em cada 10 entrevistados do estudo disseram que “é provável voltar à escola”.

A forma de aprendizado preferida dos 50+ é digital: 52% buscam uma abordagem flexível e online; e 15,2% querem módulos de treinamento curtos e presenciais, à noite ou finais de semana. Apenas 2,75% optam pelo aprendizado tradicional na faculdade; outros 30,2% escolhem uma abordagem híbrida (uma combinação dos modelos anteriores).

Existem alguns perfis de alunos maduros que retornam aos estudos. De acordo com Tim Driver, eles podem ser divididos em: profissionais que querem redirecionar a carreira; que buscam habilidades para serem mais competitivos; que querem empreender; que buscam devolver algo à sociedade; e aqueles que planejam obter habilidades e enriquecimento para a vida.

“Trabalhar mais tempo resolve quase tudo. Os empregadores precisam de talentos e bons resultados. Os indivíduos acima dos 50 ficam mais envolvidos, saudáveis, felizes e economicamente seguros. E o poder público precisa de uma economia que funcione bem”, comentou Driver.

No Brasil, alguns setores começam a buscar este perfil de profissional mais maduro. É o caso do varejo, de acordo com Mórris Litvak, CEO e cofundador do MaturiJobs, plataforma que conecta empresas e profissionais mais maduros.

“O principal motivo é o comprometimento e para diminuir o ‘turnover’ do varejo que é muito alto. A qualidade do atendimento também conta”, destaca o especialista. O MaturiJobs foi lançado em 2015 e tem mais de 100 mil profissionais cadastrados. Em 4 anos, foram 1500 vagas oferecidas e 1200 profissionais maduros contratados.

Segundo Litvak, outra vantagem para as empresas neste tipo de contratação é a capacidade de relacionamento interpessoal e “ter mais jogo de cintura” por conta da vivência. Mas existem alguns pontos de atenção em relação aos profissionais maduros. “É preciso estar atualizado, não só em termos de tecnologia, mas nas questões comportamentais. Entender que o ambiente de trabalho é mais horizontal e diverso”, comenta. Olhar para o empreendedorismo e buscar caminhos além do emprego tradicional, como consultorias e freelancers, também são recomendações do especialista.

Texto: Andrea Martins

Fotos: Divulgação e Rawpixel