Fundos brasileiros entram na onda dos tokens no criptomercado

Fundos brasileiros entram na onda dos tokens no criptomercado

Sob rígida regulação nos EUA, security tokens (STOs) atraem interesse de investidores em startups e empreendimentos imobiliários no Brasil

Publicado em 6 de abril de 2019

O mercado de criptomoedas ainda tem um longo caminho para crescimento, mas novas tendências começam a surgir a cada ano neste universo. Para 2019, uma das grandes apostas está nos “tokens de segurança“ (ou security tokens, da sigla em inglês STO), uma categoria de criptoativos em tecnologia de blockchain que detêm características de valor mobiliário de ativos negociáveis. Exemplos: ações, debentures, garantias e até empreendimentos imobiliários.

Por estarem atrelados ao desempenho desses tipos de ativos, os STOs conseguem dar mais liquidez ao investidor. E também segurança, uma vez que têm sido alvo de rigorosa regulação nos Estados Unidos – atributos que têm atraído investidores institucionais ao mercado das criptomoedas, além de perspectivas de maior valorização dessa categoria no universo das moedas virtuais.

De olho nisso, há cada vez mais brasileiros marcando presença neste novo campo do criptomercado. Uma das primeiras empresas a embarcar nessa tendência foi a Bossa Nova Investimentos que lançou globalmente, no ano passado, security token atrelado a um fundo de investimentos em startups: a BR11. Por questões regulatórias, os responsáveis pelo projeto preferem não comentar detalhes sobre o andamento do negócio, mas afirmam que o rigor regulatório tem sido importante para a evolução do mercado junto à investidores institucionais. 

“A segurança para ativos digitais sempre foi um dos principais desafios para adoção de criptoativos por parte de investidores institucionais, mas é algo que está mudando e amadurecendo rapidamente”, afirma Bernardo Quintão, diretor do banco digital Liquia, que participou do lançamento da BR11 ao lado do presidente da Bossa Nova Investimentos, Pierre Schürmann. 

ReitBZ

Para se ter uma ideia, na última semana de fevereiro deste ano, o BTG Pactual, em conjunto com seu braço de recuperação de crédito, a Enforce, lançou o token securitizado ReitBZ. O criptoativo será composto por propriedades urbanas no Rio de Janeiro e em São Paulo, permitindo investimentos estrangeiros no mercado imobiliário brasileiro. Tal como ocorre com os tokens securitizados, os investidores que adquirirem o produto receberão dividendos periódicos com base no desempenho dos imóveis. 

Outa experiência brasileira veio da Dynasty (Fundo Imobiliário que opera sobre plataforma tecnológica com Inteligência Artificial para investimentos em ativos imobiliários em Blockchain) que lançou a criptomoeda Dyn, também um token securitizado em imóveis, títulos de carteiras imobiliárias e ações de construtoras. O token da Dynasty está preparado para emitir conjuntos de moedas virtuais que representam “pedaços” de imóveis, a grosso modo. 

Por enquanto, apostas como estas confirmam as perspectivas positivas do mercado para esses ativos digitais. A pergunta que fica, porém, é se toda a segurança e regulação envolvidas nas negociações dos tokens securitizados poderia acabar sendo “prejudicial” em relação à natureza “libertária“ e de risco que promoveram o boom das criptomoedas nos últimos anos, no mercado financeiro. 

Texto: Thaís Botelho