Go2Go quer ‘deliverizar’ o varejo

Ferramenta da startup permite às empresas centralizar a gestão de plataformas de entrega, como iFood e Rappi, entre outras funcionalidades

Publicado em 10 de Maio de 2021

A proliferação de plataformas de entrega trouxe uma dificuldade extra para o varejo, principalmente a partir da pandemia. A de como gerenciar um número cada vez maior de canais de venda e distribuição. Além de lidar com o próprio site, redes sociais e pedidos recebidos diretamente por telefone e whatsapp, as lojas passaram a ter que cadastrar produtos, ofertas e conferir as vendas em cada uma das plataformas de entrega. Também têm hoje que gerenciar a relação com entregadores. 

Foi dessa dificuldade que surgiu a Go2Go. “Queremos ser um motor para o varejo se ‘deliverizar’. A ideia é trazer gestão integrada para que a empresa possa operar bem e se tornar independente do marketplace”, afirma Ernesto Bitran, CEO e fundador da startup, nascida de uma rede de restaurantes de comida japonesa, a Sushichic, há cerca de três anos.

Origem

Como é cada vez mais comum no setor de tecnologia, a origem do Go2Go dentro de outro negócio. Em 2013, o grupo francês Sushi Monde, dono da Sushichic, queria lançar a empresa no Brasil, mas não encontrava um software de gestão que atendesse a contento suas necessidades, conta Bitran. Decidiu então criar o próprio sistema, integrando em uma só plataforma funcionalidades como orquestração de marketplaces, acompanhamento de operação logística, gestão de canais de venda direta e de campanhas de fidelização, entre outros. 

O negócio seguiu assim até que, em 2017, a Sushichic começou a se expandir como franquia. “Foi então que percebemos, no contato com empresários franqueados, que o software de gestão que tínhamos desenvolvido para resolver nosso problema poderia resolver também o de muita gente no mercado”, afirma Bitran. “E podia ser independente.”

Explosão na pandemia

No final de 2018, a Go2Go foi lançada no mercado e, aos poucos, recebeu ajustes finos e melhorias. Com a pandemia, e a acelerada migração para o modelo de delivery, no ano passado o negócio explodiu, conta Bitran. Segundo ele, o número de clientes passou de 300 para cerca de 3 mil. E o número de marcas, de 80 para mais de 400, diz. 

“Há outras surgindo no mercado. Mas a Go2Go, entre as plataformas que rotulo como integradoras de delivery, é hoje a mais robusta”, afirma Célio Salles, representante da rede de lanchonetes Bob’s com dez lojas em Florianópolis. “Eu não uso o software deles de forma completa. Mas entendo que é extremamente útil e valoroso para os restaurantes”.

Diversificação

Os planos da Go2Go, agora, são de diversificação para o varejo em geral, diz Bitran. “Nos últimos seis meses, começou uma espécie de guerra entre o delivery e o varejo online. Por causa das entregas de comida durante a pandemia, a tolerância em relação ao tempo de entrega diminuiu. Antes, três dias era um prazo considerado razoável. Hoje, quem não tem entrega rápida é visto como porcaria”, afirma.

O que a startup de Bitran quer agora é aproveitar a experiência que tem com um sistema de gestão descentralizada de canais de venda e entrega para o varejo de comida para atrair outros ramos do varejo. “Conseguimos já um contrato com uma das maiores redes de farmácias do país, com lojas de vinho e de PET”, afirma o empresário. “A meta, agora, é chegar a 10 mil estabelecimentos operando até o final do ano”.

Modelo de negócios

O modelo de negócio da empresa é baseado na cobrança de uma mensalidade pelo uso do sistema, que varia de acordo com o plano escolhido, e de uma pequena fração de cada venda, com descontos na casa dos centavos, afirma o empresário. Em 2020, a startup faturou cerca de R$ 800 mil. Mas a expectativa, com o crescimento acelerado da base de clientes, é alcançar os R$ 4 milhões, já este ano, diz Bitran.

Mão de obra escassa

O maior desafio para crescer, avalia Bitran, é encontrar pessoas para preencher as vagas abertas pela empresa. Hoje, a Go2Go tem cerca de 40 funcionários, diz. Mas a perspectiva é dobrar esse número até o final do ano. “Os programadores tiveram um ano bastante aquecido e, com a possibilidade de home office, muitos estão trabalhando para fora”, diz.

Foto: Thais Bitran