Lifewide Learning: oito insights para repensar a aprendizagem

Lifewide Learning: oito insights para repensar a aprendizagem

Confira entrevista exclusiva com o consultor Conrado Schlochauer, sócio da nōvi

Publicado em 24 de junho de 2020

Já há algum tempo, para sermos mais exatos, desde a década de 1970 fala-se em “Lifelong Learning”. O termo surgiu de uma demanda global da Unesco, como uma resposta à longevidade e à mudança no mercado de trabalho. Isso quer dizer que a única forma de um cidadão se manter ativo é oferecer alternativas de aprendizado ao longo da vida. 

Com o tempo, este conceito evolui para o termo lifewide learning, ou seja, o aprendizado se dá ao largo da vida, em diferentes ambientes, tanto formal quanto informal. Conversamos com o PhD em Aprendizagem de Adultos Conrado Schlochauer sobre este tema. “Precisamos pensar em como vamos aproveitar todos os espaços. O tempo que passamos na educação formal é 3% da nossa vida. Não dá para abrir mão de aprender nos outros 97%”, diz. 

Atualmente, ele é sócio da nōvi, uma consultoria de cultura de aprendizagem, que tem como objetivo ajudar as empresas a pensar de maneira mais radical a sua lógica de aprendizagem corporativa. “Fazemos isso reorganizando a lógica de uma universidade corporativa, substituindo trilhas de aprendizagem por desenhos mais específicos e para o indivíduo por meio de learning sprint”.

Confira 8 insights extraídos da entrevista com Conrado Schlochauer:

Síntese

1- Aprendizado top-down. Partimos de uma falsa premissa de que o professor ou a liderança de RH é quem vai entender as necessidades de aprendizagem das pessoas. E isso não funciona por alguns motivos: um deles é que há uma distância entre fazer um curso ou um workshop bacana e aplicar os conceitos na prática; o outro é o fato de que cada um tem as suas necessidades, desejos e capacidade de absorção específicos. 

2- Facilitar o Aprendizado. O RH não deve ser apenas um provedor do aprendizado, muitas vezes infantilizando este processos ao ser o detentor dos temas, horários e duração de cursos e treinamentos. Mas sim, ocupar um papel de facilitador do aprendizado, criando ambientes que propiciem isso. Então, às vezes vale mais comprar uma briga com TI para liberar o acesso do Whatsapp do que fazer mais um workshop.

3- Workplace Learning. Aprender ao longo do seu dia. Neste aspecto, o RH deve valorizar o aprendizado informal e oferecer tempo. Por exemplo, 40 minutos por semana para que os colaboradores possam fazer o que quiser do ponto de vista do aprendizado, como assistir um vídeo no YouTube. Outra maneira é mapear umas das todas as formas de aprendizado informais, como um momento de bate-papo entre as áreas. 

4- O papel da liderança. O RH pode promover iniciativas que deixem claro que o funcionário é dono daquilo. O segundo aspecto da liderança é inspirar pelo exemplo. O papel do líder não é desenvolver pessoas, mas sim ajudar as pessoas a se desenvolverem. 

5- Learn by Campaign. Apoiar o colaborador no processo de aprendizagem tem a ver com mudança de comportamento. Por isso, a constância é fundamental. Não é com um e-mail que você vai endereçar a questão. É possível fazer isso criando comunidades de aprendizado com horários determinados para atividades como roda de leitura coletiva, webinars, debate de vídeos etc. 

6- Autoaprendizagem: como se guiar. Em primeiro lugar, a culpa não ajuda o aprendizado. lembre-se que você não está trabalhando de casa, você está na sua casa, durante uma epidemia tentando trabalhar. Há uma avalanche de ofertas neste momento. Então, inverta o fluxo e pare para pensar o que você deseja e precisa aprender neste momento. 

7- Crie o Hábito. Faça o processo de busca do que você quer aprender, com quem precisa falar, quais livros são interessantes, quais cursos e determine um tempo específico na sua agenda para isso. Pode ser três vezes por semana, meia hora. Isso não pode ser a última coisa do dia, precisa ocupar um lugar e um horário nobres na sua agenda. 

8- Lifewide Learning. O aprendizado se dá ao largo da vida, em diferentes ambientes, tanto formal quanto informal. Precisamos pensar em como vamos aproveitar todos os espaços. Isso não quer dizer que o educação formal deixa de ter importância. No Brasil, ter um diploma universitário está relacionado a ter uma renda maior. Além disso, a faculdade é mais que diploma, é construção de networking, é um ritual profissional relevante. Podemos felicitar o mundo por haver alternativas, mas focar em alternativas informais de aprendizado dos 22 até os 80 anos. 

Texto: Luana Dalmolin

Imagem: Experience Club