Inovação

LimbX desenvolve prótese biônica até 90% mais acessível que as importadas

Natã Vargas, fundador e CEO da LimbX

Monica Miglio Pedrosa

Desde criança, Natã Vargas sonhava em ser inventor. Inspirado por desenhos animados como Phineas e Ferb e O Laboratório de Dexter, queria trabalhar com robótica e desenvolver soluções capazes de gerar impacto. Foi esse interesse que o levou a estudar Engenharia de Controle e Automação na Universidade do Vale do Taquari (Univates), formação ligada à mecatrônica. Criou uma empresa de impressão 3D, para desenvolver protótipos de novos produtos para indústrias.

Mas ainda faltava, em sua visão, aproximar a tecnologia de um problema humano mais concreto. Ao pesquisar aplicações sociais para a impressão 3D, encontrou iniciativas voltadas à sustentabilidade, como a reciclagem de materiais. Até que viu o vídeo de um homem amputado usando uma prótese estática. A cena o levou a se perguntar se a experiência em eletrônica, desenvolvimento de produtos e impressão 3D não poderia ser usada para criar uma prótese funcional.

Foto de divulgação LimbX

A ideia permaneceu por um tempo em sua cabeça até que, durante um happy hour em seu escritório, um amigo viu as impressoras 3D e questionou por que ele ainda estava em uma sala comercial no centro da cidade, e não em um parque tecnológico ou hub de inovação.

Após conhecer o Instituto Caldeira, em Porto Alegre, e entrar em contato com o ecossistema de inovação, Natã percebeu que tinha em mãos uma potencial startup. Em maio de 2023, aproveitou um período de repouso após passar por uma cirurgia para tirar o projeto da gaveta e estruturar o que viria a se tornar a LimbX.

A startup, que está hoje incubada no Gauten, Parque de Inovação e Tecnologia de Santa Cruz do Sul, desenvolve uma prótese biônica para membros superiores capaz de interpretar os sinais elétricos da contração muscular e transformá-los em movimento, como abrir e fechar a mão, fazer movimento de pinça e apontar, permitindo atividades cotidianas como segurar um copo, pegar pequenos objetos e manusear uma caneta.

Além da qualidade, outro diferencial imbatível é o custo do produto. Segundo Natã, uma prótese biônica importada custa entre R$ 250 mil a R$ 1 milhão no país. A expectativa da LimbX é chegar ao mercado com uma solução em torno de R$ 25 mil.

Foto de divulgação LimbX

No final de 2024, José Carlos Salomão Júnior se tornou sócio da empresa. Médico ortopedista, Salomão era o responsável técnico pelo setor de inovação da Unimed e, hoje, atua como diretor médico da LimbX, assumindo a frente de relacionamento clínico, inovação e conexão com pacientes, hospitais e potenciais parceiros.

Para acelerar a finalização do produto, a LimbX captou R$ 500 mil em uma rodada liderada pela Unimed VTRP, com coinvestimento da Domo.VC, em 2025. O valor foi direcionado à finalização do produto, à contratação de equipe e ao processo de aprovação regulatória junto à Anvisa.

Atualmente, a startup conduz testes com pacientes para aprimorar o produto e avançar na validação clínica. Essa etapa de escuta dos pacientes tem sido essencial para ajustar aspectos como peso e encaixe da prótese, adaptar o conforto térmico e a pressão em determinadas regiões do braço, além de criar um roadmap para melhorias futuras, como a possibilidade de usar a prótese no banho.

Foto de divulgação LimbX

Para dar rigor científico a essa etapa, a startup vem estruturando parcerias com instituições de referência. Uma delas é o Hospital de Clínicas de Porto Alegre, onde o estudo já passou pelo comitê de ética e deverá avaliar, com metodologia científica, se a prótese entrega na prática a funcionalidade proposta pela empresa. A LimbX também tem parceria com a Santa Casa de Porto Alegre, dentro de uma jornada de provas de conceito.

Natã anunciou a criação de um fundo de doações para que empresas e instituições possam custear próteses destinadas a pacientes de baixa renda, especialmente aqueles atendidos em hospitais do SUS e participantes dos estudos clínicos. O objetivo é que estas pessoas possam ficar com os equipamentos ao fim da etapa de pesquisa. Empresas interessadas podem entrar em contato pelo site da LimbX.

Para Natã, o avanço da LimbX representa a possibilidade de transformar uma tecnologia de alto custo em uma solução acessível, funcional e desenvolvida por brasileiros. A ambição é fazer da startup uma referência em devolver independência a pessoas que, até hoje, tiveram pouco ou nenhum acesso a esse tipo de tecnologia.

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