“Meu maior aprendizado foi desaprender”

Ana Paula Bogus, da Rappi, diz no Experience LAB NE que a dinâmica do mundo da tecnologia assusta, mas abre um mundo de possibilidades

Publicado em 28 de abril de 2021

O período de pandemia tem sido extremamente difícil e desafiador para toda a sociedade. Ao longo do processo de adaptação e sobrevivência, porém, muitas empresas têm sido capazes de se transformar em uma velocidade antes impensável e embarcar na economia digital. A visão é de Rodrigo Galvão, presidente da Oracle Brasil, que tem, pela natureza da companhia que comanda, um contato próximo com a realidade de diferentes setores e indústrias. “Decisões que normalmente demorariam, meses ou anos até, foram tomadas em dias”, afirma o executivo.

Galvão foi um dos principais palestrantes do Experience Lab NE, realizado na noite desta terça-feira, dia 27 de abril. O evento online, que teve o tema “Toda empresa precisa ser uma empresa de tecnologia”, contou ainda com as participações de Ana Paula Bogus, executiva com longa trajetória na Kimberly Clark que assumiu há cerca de um ano como Global Head of Business da Rappi, e com o especialista em educação corporativa Conrado Schlochauer, fundador da nōvi.

A mudança de ritmo na tomada de decisões, e a migração para uma realidade digital, onde assumir riscos é a rotina, foi vivida de forma particularmente intensa por Ana Paula, em nível pessoal. Acostumada ao mundo processual e eficiente da indústria tradicional, onde passou mais de uma década em cargos de gestão, a executiva contou que sentiu o choque. Mas que a mudança tem sido positiva, pela vastidão de possibilidades que abre. “A grande diferença entre os dois mundos é que na startup existe um espectro completo de coisas que você pode pilotar. Tudo é possível, é praticamente um 360% de serviços. Enquanto na empresa tradicional, o mundo é binário. Ou vende produtos ou pivota para fazer serviços; faz canal direto ou faz canal indireto”, diz. “Mas cada vez mais temos que sair do binário para esse mundo complexo”.

A transformação digital das empresas vai exigir, em paralelo, uma mudança na forma de as pessoas aprenderem e se atualizarem. Seja porque as funções que exercem serão substituídas por computadores, seja porque precisarão refinar os conhecimentos ou competências que já têm. A grande questão é que, para isso, o treinamento, nos moldes tradicionais, já não é suficiente. Para atender ao ritmo da era digital, será preciso que as empresas criem culturas de aprendizagem, afirma Conrado Schlochauer, fundador e membro da nōvi. “Pensar em como colocar a aprendizagem dentro da empresa se tornou uma questão primordial”, diz.

O evento foi moderado pelo CEO do Experience Club NE, André Farias, e teve como patrocinadores Master a Alelo e a Oi Soluções

Confira os principais insights do Lab :

  1. “Inclusão tem um sentido muito amplo: o que a gente precisa é gerar oportunidade para as pessoas que querem fazer a diferença ” – Rodrigo Galvão
  2. “Antes a gente não imaginaria como era possível fazer um projeto tecnológico à distância e nesse último ano a Oracle entregou centenas de forma remota, foi uma mudança completa” – Rodrigo Galvão.
  3. “Transformação cultural não é só colocar puff colorido. Não adianta usar símbolos de uma nova era sem tomar as decisões alinhadas a essa mudança” – Rodrigo Galvão.
  4. “Em uma startup como a Rappi a visão de produtos e serviços é 360 graus. Numa empresa tradicional, eu vivia em um mundo muito mais binário” – Ana Paula Bogus
  5. “Quem trabalha em startup tem mais o perfil de fazer triatlo do que correr uma maratona” – Ana Paula Bogus.
  6. “Meu maior aprendizado foi desaprender. Não é só se sentir atualizado, mas abrir mão das suas crenças e aprender com as pessoas que estão à sua volta” – Ana Paula Bogus
  7. “Transformação digital não é só comprar sistemas, é uma mudança de mindset. Não é fácil, é estrutural e não é opcional” – Ana Paula Bogus
  8. “Longevidade é uma conquista, mas nós teremos que trabalhar por muito mais tempo. É por isso que o aprendizado ao longo da vida (lifelong learning) se tornou tão importante” – Conrado Schlochauer
  9. “Pensar dentro da sua empresa em como colocar a aprendizagem se tornou uma questão primordial”- Conrado Schlochauer
  10. “A gente ficou pensando tanto em treinamento, formação … começou a pandemia, todo mundo aprendeu na marra. O local do aprendizado é a vida” – Conrado Schlochauer