O dia em que a Regus ajudou a desafogar São Paulo

O dia em que a Regus ajudou a desafogar São Paulo

A empresa de coworkings, que recebeu 4,5 mil pessoas em um dia, “resgata” mais de R$ 8 milhões em horas produtivas

Publicado em 12 de fevereiro de 2020

Os paulistanos amanheceram a segunda-feira (11/2) entregues ao caos graças ao dilúvio que deixou quase 80 pontos de alagamentos pela cidade, incluindo os arredores das marginais Pinheiros e Tietê, que transbordaram. A cidade que não para submergiu. 

A pauta da manhã de 10 entre 10 empresas foi uma só: a preocupação com o deslocamento de seus funcionários. Na rede de coworking Regus não foi diferente, mas uma decisão da empresa, essa sim, chamou a atenção. 

Às 8h30, Tiago Alves, presidente da Regus no Brasil, anunciou a abertura de seus 34 espaços de trabalho compartilhado em São Paulo em postagem na rede social LinkedIn. Para usar os lounges, bastava apenas um cadastro simples, com CPF e RG, realizado na recepção das unidades.

“Um dos principais benefícios dos escritórios compartilhados é sua contribuição para a mobilidade urbana. O tempo de deslocamento das pessoas em dias caóticos de chuva como o de hoje aumenta exponencialmente. Ao disponibilizar gratuitamente o uso de nossas unidades espalhadas por diversas regiões da cidade, buscamos contribuir para que os profissionais tenham um bom dia de trabalho”, escreveu Tiago.

O perfil do executivo, que tem 25 mil seguidores, transbordou. O post que sofreu algumas ondas de viralização ao longo da segunda-feira, especialmente graças aos grupos de whatsapp, acumula – até o momento – nada menos do que 2 milhões de visualizações e 4 mil compartilhamentos. Os lounges das unidades da Regus receberam 4,5 mil pessoas somente na segunda-feira (a ação foi estendida para a terça-feira, dia 11 de fevereiro, o que resultou em mais 1200 visitas). Este número representa nada menos do que 25% dos clientes que a Regus tem na capital paulista. 

A decisão, bastante similar a que fizeram durante a greve dos caminhoneiros de 2018, como contou Tiago em entrevista ao Experience Club, foi tomada em uma call de praxe com a diretoria da empresa. Na ocasião se discutia, num primeiro momento, como viabilizar o deslocamento de seus profissionais. Algumas medidas como carona compartilhada e compartilhamento de centros, ou seja, funcionários abrindo centros diferentes dos seus, foram adotadas. 

Mas, e os clientes, como esses chegariam aos seus coworkings? 

GERANDO NOVOS NEGÓCIOS 

Numa “conta de padaria”, considerando que essas 4,5 mil pessoas somam 45 mil horas produtivas e o PIB per capita por hora a R$ 180 reais, Tiago estima que a Regus teria resgatado mais de R$ 8 milhões de reais. A Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomércio-SP) estimou que os prejuízos causados pela chuva na Grande São Paulo devem chegar a R$110 milhões. 

“Nossos clientes não só receberam os visitantes muito bem, como em algumas unidades, como é o caso da Berrini, rolou até uma rodada de negócios, aproveitando a presença de profissionais de outras empresas do entorno. Isso é fantástico”.

A ação acabou levantando algumas discussões, tais como: enquanto algumas empresas tentam lucrar e surfar na calamidade, outras estão sendo solidárias. Mas também teve algum ceticismo e até mesmo gente desmerecendo a ação “social”, que estaria escondendo nada menos do que uma ação de marketing. 

Tiago, que foi convidado às pressas para compor na terça-feira (11/02) o line up de palestrantes do Congresso Nacional de Associação Brasileira de Direito e Administração, realizado pelo Ibmec, defende não se tratar de uma ação de marketing.

“Não aproveitamos a ocasião para recolher nenhum tipo de dado dos visitantes que pudesse ser usado para ações posteriores. Estamos vivendo a nova economia, é sobre give back”. 

Fato é que para atingir as 2 milhões de visualizações do post publicado por Tiago no Linkedin, seria preciso investir algo em torno de US$ 100 mil dólares. Fora o ganho com mídia espontânea, ainda não contabilizado pela empresa. Soma-se a isso, a exposição no Twitter com a #regus nos trend topics.

A ação despertou a atenção da operação global. Por um lado, segundo Tiago, um “susto” já que a decisão exigiu uma mini operação de guerra com mais operadores em regime de hora extra no call center que está sediado em Dallas, e reforço na estrutura de TI, já que o site da Regus chegou a 50 mil acessos simultâneos. 

“Foi um trabalho de time ou não teria sido possível. Teve até CFO abrindo unidade na segunda pela manhã. Sempre defendi e acreditei em ações deste tipo, assim como na força das redes sociais. Acredito que especialmente agora os olhos estejam voltados para a nossa operação”. 

Texto: Luana Dalmolin

Imagem: Divulgação