Oportunidades invisíveis

Aprenda a inovar com empresas que apostam na diversidade e geram riqueza

Publicado em 10 de setembro de 2021

Ideias centrais: 

1 – Por estar em uma plataforma digital, a rádio Yandê tem alcance global. Ouvintes de mais de 80 países sintonizam a estação ou acessam seus canais digitais, incluindo desde indígenas das diferentes Américas, até indígenas da Indonésia e da Austrália. 

2 – A Diaspora.Black surgiu da ideia de criar um aplicativo de hospedagem compartilhada para negros interessados não apenas em viajar, mas também em conhecer mais sobre a cultura das comunidades afrodescendentes no Brasil e ao redor do mundo. 

3 – A Viajay, fundada em 2010 por Fernando Sandes, é uma plataforma digital que combina comportamento e informações. Foi desenvolvida para dar suporte ao turista LGBTI+ em viagem pelo Brasil e por outros países, indicando lugares e passeios gay friendly.

4 – As empresas contratam a EmpregueAfro, fundada por Patrícia dos Santos, para definir estratégias de inclusão e diversidade. A EmpregueAfro desenvolveu programa de inclusão de 20% de negros nos quadros da JW Thompson, ícone na publicidade. 

5 – O presente livro valoriza a diversidade como algo necessário para a inovação. O mundo se parece muito mais com as periferias do Brasil do que com o Vale do Silício. Em vastas partes da América Latina, do Sudeste Asiático e da África, há desafios semelhantes aos nossos. 

Sobre o autor: 

Paulo Rogério Nunes é publicitário, empreendedor e consultor em diversidade. É alumni do Berkman Klein Center da Universidade Harvard e foi fellow da Fulbright na Universidade de Maryland. Paulo Rogério é também cofundador da Vale do Dendê, que acelera e investe em startups da área criativa e digital em Salvador.  

Introdução 

Em 5 de outubro de 2017, Barack Obama veio ao Brasil pela segunda vez. Ele, que estivera no país em 2011 como chefe de Estado, havia deixado a presidência dos Estados Unidos meses antes, em janeiro. Voltava ao país para promover sua fundação, criada em 2014, com o objetivo de inspirar uma nova geração de líderes pelo mundo. Depois de falar pela manhã a executivos, empresários e profissionais do mercado, Obama reuniu-se à tarde para conversar com 11 jovens brasileiros criadores de projetos inovadores em diferentes regiões do país. Eu tive a honra de ser um dos escolhidos a participar daquele encontro em São Paulo. 

Em 2009, tinha acompanhado cada etapa da campanha que o elegeu presidente dos Estados Unidos, o primeiro negro, com sobrenome africano, a ocupar a Casa Branca. Foi uma grande emoção assistir à sua posse pela CNN. O simbolismo de uma família negra ter ocupado aquele espaço, creio, terá impacto por muitas gerações. Ainda hoje, guardo os principais jornais e revistas com a cobertura do resultado daquela eleição. Exemplares da revista Time e dos jornais Washington Post e The New York Times, que preservo como documentos históricos. 

Saí daquele encontro, em um hotel em São Paulo, feliz e motivado a continuar o trabalho que realizo desde o início dos anos 2000: debater e propor caminhos para que o Brasil seja um país mais inclusivo e que valorize sua diversidade e cultura. 

Este livro foge da ideia da meritocracia e reconhece que os empreendimentos inovadores são exceções em um país onde o racismo, o machismo, a LGBTfobia e a falta de oportunidades para pessoas com deficiências são uma triste realidade. O critério de escolha dos negócios relatados adiante foi menos o faturamento, a lucratividade ou o reconhecimento público, e mais o caráter inovador que representam para o mercado brasileiro. 

Pesou em minha decisão de fazer o livro o fato de eu transitar em duas realidades bem distintas: a do ativismo social, onde desde a adolescência, como jovem negro da periferia de Salvador, aprendi a entender as contradições do mundo; e a da chamada “comunidade de negócios”, com seus eventos corporativos e congressos internacionais de tecnologia, que frequento há alguns anos, como publicitário, empreendedor e consultor. 

Capítulo 1 – Rádio Yandê: uma plataforma on-line de culturas indígenas 

Filho de pai tupinambá e de mãe negra (também com ascendência tupinambá), Anápuáka Muniz Tupinambá Hã Hã Hãe nasceu em São Paulo e viveu na periferia da cidade até os 8 anos. Depois mudou-se com a família para a aldeia para juntar-se aos demais membros tupinambás e outros povos que vivem na Terra Indígena Caramuru Catarina Paraguaçu, no município de Pau Brasil, no sul da Bahia, uma região da da Mata Atlântica. Lá morou até os seus 13 anos, quando, com o irmão e a mãe, mudou-se para o Rio de Janeiro. 

A inquietação com a situação do seu povo e das outras etnias o levou desde cedo a tornar-se um ativista das causas indígenas. Foram muitas as experiências e tentativas de viabilizar um meio de comunicação para amplificar as vozes e integrar esses povos. Depois de terminar a escola, ele estudou Gestão de Marketing, trabalhou com eletrônica, como office-boy, assistente de produção de confeitaria, camelô, professor de audiovisual, locutor de carro de som e eventos, designer gráfico, programador em software livre e arriscou-se na área da música como DJ. Até que, em 2013, Anápuáka fundou a primeira rádio web indígena do país, Yandê, palavra que em tupi antigo quer dizer “nós, nosso, todos nós”. 

A rádio Yandê foi a primeira empresa de mídia indígena digital do Brasil. Além de produzir conteúdo para as diferentes etnias, hoje o canal divulga informações sobre elas também, para não indígenas interessados na cultura desses povos. Sua plataforma, que inclui um portal de notícias com matérias escritas, funciona também como fonte de pesquisas para jornalistas e estudiosos. É ainda o único veículo do país a transmitir música, debates e entretenimentos das diversas etnias indígenas brasileiras em suas línguas originais. “Não somos etnocentristas”, diz Anápuáka. 

Por estar em uma plataforma digital, a Yandê tem alcance global. Ouvintes de mais de 80 países sintonizam a estação ou acessam seus canais digitais. “Temos uma boa audiência fora do Brasil. Primeiro, começamos a dialogar com parentes indígenas de outros territórios latino-americanos e da América do Norte para trocar conteúdo. Depois, isso foi crescendo”, diz Anápuáka. Na primeira metade de 2019, a empresa fechou contrato de parceria para troca de conteúdo com etnias indígenas da Indonésia e da Austrália. 

O empreendedor diz que essa indiferença em se comunicar como os indígenas reflete uma imagem estereotipada que as pessoas no Brasil têm sobre eles. “Ficam repetindo que os indígenas só vivem de mandioca e do milho. Esquecem que consomem produtos, bens perecíveis, produtos de linha branca, eletrodomésticos. E não deixam de ser indígenas por conta disso”. Ele explica que bens de consumo são diferentes e bens culturais: “Bens de consumo são coisas que você utiliza e paga por isso; os bens culturais são passados de geração para geração, isso não se compra, é muito diferente. O que está na identidade do indígena são os bens de cultura”. 

Capítulo 2 – Laboratório Fantasma: das ruas da periferia ao mainstream 

No Brasil, muitos dos projetos da economia criativa, inclusive os de entretenimento, são produzidos com base na cultura negra. Porém, poucos têm a participação efetiva de negros em seus resultados ou lucros. Uma exceção a essa realidade é o Laboratório Fantasma, empresa voltada ao público jovem, especialmente das periferias. Desde 2009 no mercado, é hoje um empreendimento múltiplo e inovador (com negócios nas áreas de produção musical, gravadora, promoção de eventos e grife de moda) sob a direção de jovens negros, algo ainda raro no Brasil. 

Criado pelo rapper Emicida junto com seu irmão também músico, Evandro Fióti, o Laboratório Fantasma surgiu como uma pequena gravadora na casa deles e alcançou um sucesso inesperado ao apostar em um público então sedento por novas referências negras na música; e que logo se tornou fiel ao discurso dos fundadores e ao posicionamento da marca. 

Valendo-se das redes sociais para se comunicar diretamente com o seu público, os empreendedores lançaram também uma marca própria de roupas, a LAB, que fez história por levar a estética da periferia brasileira para o mundo. A grife ganhou projeção quando levou, pela primeira vez, suas roupas e o discurso da diversidade para a principal passarela de moda do Brasil, a São Paulo Fashion Week (SPFW), em 2016. O fato marcou um novo capítulo na batalha entre os movimentos negros e os organizadores de eventos de moda no país. 

O modelo de negócio capitaneado por Emicida e Fióti é diferente. Parece mais com o modelo adotado por rappers dos Estados Unidos, como Jay Z e Dr. Dre, que criaram grandes impérios econômicos. Entenderam a dinâmica do mercado e aprenderam a negociar seus contratos e investimentos de maneira vantajosa para si próprios, criando lá uma classe de multimilionários negros. Alguns até bilionários, como é o caso de Jay Z. 

A escolha da empresa Laboratório Fantasma para este livro tem a ver com o fato de eles realmente enxergarem oportunidades únicas e serem hoje uma das mais influentes empresas de entretenimento no Brasil. Para Fióti, a diversidade é um elemento muito importante para os empreendimentos inovadores, porque “torna as empresas mais competitivas e acaba te posicionando de maneira diferente no mercado”. 

Capítulo 3 – Diaspora.Black: startup de turismo que desafia o racismo  

O carioca Carlos Humberto da Silva sempre conciliou a vida profissional com o ativismo no combate ao racismo. Geógrafo formado pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), ele foi bolsista no David Rockefeller Center for Latin American Studies, da Universidade Harvard, nos Estados Unidos. Depois dos estudos, trabalhou em pesquisas sociais e ambientais, e atuou nas áreas de projetos de articulação e mobilização comunitária em entidades privadas. 

Em 2011, o interesse por outras culturas o levou a se cadastrar em uma plataforma internacional de hospedagem compartilhada, logo que o primeiro desses aplicativos chegou ao Brasil. Esta parecia ser uma ótima oportunidade de complementar sua renda e, ao mesmo tempo, ter contato com gente de outras partes do mundo. Seria, também, o início de um aprendizado que, mais tarde, o transformaria em empreendedor. 

Ao receber os hóspedes, percebia com certa frequência que eles ficavam surpresos ao vê-lo. “Eles chegavam e não acreditavam que eu, um homem negro, era o anfitrião”, conta. Muitos disfarçavam o incômodo e se instalavam no quarto. Outros, não. 

Situações constrangedoras como essas o levaram a postar uma foto sua junto às imagens de sua casa no site de hospedagem. Surpreso, viu a procura por sua casa diminuir. Passou então a priorizar viajantes negros como hóspedes, e descobriu que havia nessa segmentação um interessante potencial de negócios. 

Carlos Alberto e o jornalista Antônio Pita começaram a falar sobre essa questão com pessoas que atuavam em movimentos ligados à cultura negra e que gostavam de viajar. Daí surgiu a ideia de criar um aplicativo de hospedagem compartilhada para negros que estivessem interessados não apenas em viajar, mas também em conhecer mais sobre a cultura das comunidades afrodescendentes de diferentes lugares do Brasil e do mundo. Nascia, assim, a base de um projeto que alguns anos depois seria batizado de Diaspora.Black, uma startup que, além da hospedagem compartilhada, oferecia produtos e serviços de turismo envolvendo experiência e conhecimentos das populações negras dos destinos visitados. 

Perto do final de 2016, Carlos Alberto interrompeu o mestrado na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e, junto com o baiano Antonio Pita, o designer carioca André Ribeiro e o fotógrafo e estudante de produção cultural Gabriel Oliveira, deu uma guinada em sua vida. Os quatro deixaram seus empregos e passaram a se dedicar exclusivamente à nova empresa. 

“Começamos a construir a campanha de financiamento coletivo e o lançamento aconteceu em São Paulo, em novembro de 2016, durante a Feira Preta, um dos mais importantes eventos de negócios e cultura negra do país. Com essa mobilização, conseguimos atrair mais de 12 mil pessoas e angariar 17 mil reais, que foram investidos no desenvolvimento da plataforma”, lembra Carlos Humberto.  

Pouco depois de participar do programa do Facebook Brasil [Estação Hack], em meados de 2018 a Diaspora.Black foi convidada a se instalar no InovaBra, um hub de startups criado pelo Bradesco, em São Paulo. Trata-se de um prédio de 11 andares, na Rua da Consolação, região central da cidade, todo ocupado por startups, que compartilham os espaços segundo o conceito de coworking

Capítulo 4 – Hand Talk: um tradutor de bolso para a língua de sinais 

O alagoano Ronaldo Tenorio ainda estudava publicidade na faculdade Maurício de Nassau, em Maceió, quando, ao fazer um trabalho acadêmico, pensou pela primeira vez em um aplicativo de acessibilidade. Algo que combinasse comunicação com tecnologia. Naquele momento, porém, não via meios de transformá-lo em realidade. A ideia ficou em sua mente por quatro anos. Só então ganhou forma, quando ele se juntou a dois especialistas em tecnologia: Carlos Wanderlan, desenvolvedor de sistemas, e Thadeu Luz, arquiteto com especialização em tecnologia 3D. 

Juntos, eles conceberam um protótipo de aplicativo e o inscreveram em um desafio de startups. Ficaram em primeiro lugar na disputa, atraindo um grupo de investidores-anjo. Aprofundaram os estudos e pouco tempo depois definiram o formato do aplicativo que lançariam no mercado: seria uma ferramenta que aproximaria surdos e ouvintes por meio da tradução automática do português para Libras. Assim nasceu a Hand Talk, primeira empresa brasileira que utiliza inteligência artificial para desenvolver soluções digitais de acessibilidade para surdos. 

A Hand Talk lançou inicialmente um aplicativo de celular, que traduz e ensina Libras. Valendo-se dos conhecimentos técnicos de Thadeu Luz, que trabalhara com animação no Canadá, a empresa criou o Hugo, um personagem virtual em 2D. Com mãos grandes, rosto expressivo, Hugo tem a missão de ser “um membro da família dos surdos”. 

Desde o início, a empresa teve o apoio de aceleradores importantes como Quintessa, InovAtiva, Google, Artemisia e Endeavor, que a ajudaram a disseminar o seu propósito: a acessibilidade. Porém, logo ficou claro aos sócios que seria muito difícil sobreviver apenas com os downloads do aplicativo do celular. Aquele não era um modelo sustentável, capaz de fazer a startup escalar também financeiramente. 

Para sair do fundo do poço, os sócios resolveram ampliar o foco da empresa. Além do aplicativo para celular, passaram a desenvolver um sistema de tradução de sites e vídeos para a língua de sinais, que seria vendido às organizações interessadas em se comunicar diretamente com os 10 milhões de surdos do país. Dessa forma, a Hand Talk poderia ganhar escala e renda recorrente, pois as empresas lhe pagariam pelo uso do tradutor, uma base de clientes ativa. 

Depois de alguns meses de trabalho, lançaram um software customizado (plug-in) para sites, que funcionaria como um Google tradutor, só que vertendo o português, escrito ou falado, para a língua de sinais. Hugo era o intérprete. 

A Hand Talk mantém ainda um bom relacionamento com o Google, iniciado em 2016, nos Estados Unidos. No início de 2019, a empresa brasileira foi a vencedora do concurso Desafio de Inteligência Artificial para Impacto Social, entre 2.802 participantes de 119 países, promovido pela gigante digital. O prêmio, de 3 milhões de reais, será investido na própria empresa. 

Capítulo 5 – Viajay: a plataforma de turismo para o público LGBTI+ 

A comunidade LGBTI+ constitui um poderoso segmento de consumo, com demandas crescentes por serviços direcionados às suas necessidades, como é o caso do mercado de turismo gay, que movimentou mundialmente 218,7 bilhões de dólares em 2018, de acordo com pesquisa da consultoria Out Now. 

O baiano Fernando Sandes é um empreendedor social inquieto. Em uma viagem à Argentina, ele sentiu falta de saber mais informações sobre a cena cultural LGBTI+ em Buenos Aires. Fernando buscava informações precisas sobre locais, custos e referências na cidade. Foi aí que teve uma ideia. E se agregasse informações úteis como essas em uma plataforma? “Foi quando surgiu o primeiro estalo. Pensei que a comunidade LGBT talvez precisasse dessas informações, para que outras pessoas não sentissem a mesma grande dificuldade que eu senti ao procurá-las na internet”, lembra-se Sandes, que é formado pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). 

Há em todo o Brasil bares, restaurantes, lojas e hotéis já especializados no atendimento ao consumidor LGBTI+. Uma grande inspiração para esses negócios são os bairros Greenwich Village, de Nova York, e o Soho, de Londres. As grandes redes hoteleiras, segundo o site Maior Viagem, também estão buscando se aproximar do mundo LGBTI+. 

A Viajay, fundada em 2016, por Sandes, é uma plataforma que combina comportamento e informações. Foi desenvolvida para dar suporte ao turista LGBTI+ em viagens pelo Brasil e por outros países, indicando lugares e passeios gay friendly nas cidades, com informações relacionadas a preço, características dos lugares (com fotos), o tipo de música que toca (no caso de bares e baladas), além da geolocalização do viajante. 

Sandes conta como conseguiu aliar o propósito social ao conhecimento técnico ao criar a Viajay. “Sempre gostei de trabalhar com empreendedorismo social, de ver algum significado social no que empreendo. Não fiz faculdade pela técnica, para dominar a programação. Mas, sim, por ver na tecnologia um meio de conseguir impactar a vida das pessoas, de ajudá-las a melhorar de alguma forma”, diz o empresário.  

Assim como acontece com o turismo afro, o setor de turismo LGBTI+ é um grande campo para a economia e está aberto à inovação de serviços. A Viajay é um exemplo de plataforma que busca apoiar a comunidade LGBTI+ em sua segurança e proporcionar experiências diferenciadas a esse público historicamente excluído. Que possamos ter, cada vez mais, inovações a favor da diversidade e do respeito para as próximas gerações. 

Capítulo 6 – Makeda Cosméticos: a revolução estética das mulheres negras 

Com os negros representando boa parte desse contingente de brasileiros que ascenderam economicamente no período, entre 2003 e 2013, segmentos do mercado de beleza demandados especificamente por afrodescendentes também vêm se expandindo. Dados do Google BrandLab, braço de pesquisa da gigante de tecnologia, mostram, por exemplo, que a procura por informações sobre cabelos afro nas plataformas digitais cresceu 308% entre 2015 e 2017. 

O acesso à internet por pessoas de todas as camadas sociais, o movimento pelo empoderamento feminino e o lançamento de produtos alternativos para atender esse público, por muito tempo ignorado pela grande indústria da beleza, estão entre os fatores por trás da busca de uma estética mais autêntica. Uma das marcas que surgiram nesse vazio deixado pelas grandes indústrias foi a Makeda Cosméticos. 

A história da Makeda começa quando Sandra Silva se separa e se vê com duas filhas e grandes problemas financeiros. De início, a mãe e as filhas passaram a vender bolo, cachorro-quente e limpar estandes depois de feiras de centros de convenções. A virada da família começou quando a mãe decidiu fazer um curso de cabeleireira no Senac (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial). Na mesma época, em 1992, uma empresa americana (de proprietários negros) chegava ao país e procurava por cabeleireiras. A empresa tinha uma técnica, permanente afro, para quem quisesse ter o cabelo semelhante ao de Michael Jackson. A alegria foi curta. Depois de dois anos, a empresa deixou o país. Nessa empresa, a filha Sheila também era cabeleireira. 

Em 2012, Sheila continuava a trabalhar como cabeleireira, em paralelo ao estudo de artes cênicas. Atendia suas clientes em domicílio, e parte delas não queria mais fazer alisamento. Ela, então, vislumbrou uma oportunidade. Não foi fácil, diz Sheila, convencer as pessoas sobre a “revolução crespa e cacheada” que estava por vir. Elas procuravam vários fabricantes de cosméticos e só recebiam “não” como resposta. 

Com os recursos ajuntados como freelancer da temporada de um grande espetáculo em São Paulo, Sheila decidiu apostar na criação de uma empresa, a Makeda Cosméticos.  Os recursos foram usados para licenças, embalagens, registro da empresa e primeiros produtos. O nome é o de uma rainha africana, também chamada Rainha de Sabá, da Etiópia – país reconhecido pela beleza negra e pelo orgulho de seu povo por nunca ter sido colonizado. 

Em 2017, as sócias Sheila Makeda e Sherley Leela, mesmo com recursos reduzidos, procuraram a administração de um shopping no centro da capital paulista e montaram uma loja com decoração de materiais reciclados, como paletes e caixotes, com a ajuda de amigos. 

O diferencial da Makeda Cosméticos, segundo as empreendedoras, está em conseguir unir a história de uma família negra com um produto de qualidade. Optaram por produzir produtos com maior concentração de óleos vegetais e aromas especiais, isentos de parabenos, sal, óleo mineral e sulfato. 

Capítulo 7 – Lady Driver: o aplicativo de transporte para mulheres 

Em 2012, quando a empreiteira da qual era sócia foi à falência, a paulistana Gabriella Corrêa prometeu a si mesma que nunca mais empreenderia. A pequena construtora que fundara dois anos antes com um sócio e que chegou a ter 80 funcionários, fechou as portas e deixou dívidas. Frustrada com o insucesso do primeiro negócio, Gabriella arrumou um emprego como nutricionista, sua área de formação, e voltou a estudar. Foi cursar a faculdade de Gestão Financeira, na Fundação Getúlio Vargas (FGV). Mas um incidente naquela época despertou sua atenção para uma questão de gênero muito comum no Brasil: a vulnerabilidade das mulheres ao assédio. E isso lhe traria de volta a disposição para empreender. 

Ao utilizar o serviço de um aplicativo de transportes para se encontrar com um grupo de amigas em um bar, Gabriella foi assediada pelo motorista. Indignada, ao descrever as insinuações e investidas que sofrera com o motorista, ouviu relatos semelhantes vividos pelas amigas. Por precaução, passou a dar preferência apenas a motoristas mulheres, ao solicitar serviços de transporte na cidade. Descobriu que eram muito poucas. 

Foi a partir daí, então, que ela teve a ideia de criar uma empresa virtual de transportes com motoristas mulheres, para atender exclusivamente o público feminino. A Lady Driver, aplicativo de transportes para mulheres, foi criada pouco tempo depois – pioneira na segmentação de mercado e, ao mesmo tempo, engajada nas causas feministas. 

Naquele mesmo mês, a Lady Driver seria lançada durante a Beauty Fair (Feira Internacional de Beleza Profissional), o maior evento do gênero da América Latina, que acontece anualmente, desde 2004, em São Paulo). Ela tinha conseguido cadastrar 20 motoristas mulheres para a estreia do aplicativo. Mas estudos mostraram que o número era muito pequeno para as necessidades de São Paulo. Era preciso reunir no mínimo mil. De setembro de 2016 até março de 2017, conseguiu arregimentar 1.800 profissionais. 

Em 8 de março de 2018, a licença finalmente foi expedida e a empresa começou a operar em São Paulo, uma feliz coincidência por ser uma data importante da luta pelos direitos das mulheres.” Lançar um aplicativo brasileiro, feito por uma mulher para outras mulheres, não foi fácil”, recorda-se a empresária. 

Gabriela diz que usou dinheiro do próprio bolso para dar a partida no negócio. Um mês depois de começar a operar, a Lady Driver recebeu um aporte de 1 milhão de reais de investidores-anjo, numa captação intermediada pela Kick Ventures. Numa segunda rodada, organizada com advogados do escritório Pinheiro Neto, a empresa conseguiu levantar mais 6 milhões de reais. Essas operações deram fôlego à expansão do negócio. 

Para viabilizar esse ritmo de expansão e manter-se competitiva, a Lady Driver precisa investir permanentemente. Mantém, por exemplo, um escritório de tecnologia em Araraquara, cidade do interior paulista próxima ao polo tecnológico de São Carlos. Lá fica a sua equipe de desenvolvimento. No primeiro trimestre de 2019, ainda, a Lady Driver voltou ao mercado em busca de recursos. Lançou um sistema de financiamento coletivo, conhecido como equity crowdfunding, com o objetivo de levantar 2,5 milhões de reais. Por meio de uma plataforma chamada StartMeUp (SMU), qualquer pessoa pode investir, adquirindo cotas a partir de mil reais. Nessa etapa, a meta foi alcançada em cerca de três meses, com a adesão de pouco mais de 600 investidores, 70% dos quais, mulheres. 

Capítulo 8 – Xongani: o poder da moda afro 

A moda e a afirmação da identidade negra sempre tiveram forte presença na vida da empresária paulistana Ana Paula Xongani. Desde pequena, ela se vestia de um jeito diferente das outras crianças, sempre com muita identidade. Graças à mãe, Cristina Mendonça, ativista de causas raciais e costureira de mão cheia, que sempre cuidou de fazer as suas roupas. “Produzir” a filha era uma maneira de estimular sua autoestima e preservá-la do racismo. 

Até hoje, a moda une mãe e filha. Elas são donas da Xongani, uma grife de roupas e acessórios de inspiração africana, fundada pouco depois de Ana Paula terminar a faculdade de design, em 2008. A forte identidade da grife com a cultura negra, combinada com a ascensão dos movimentos de afirmação racial no país, deu o impulso que a Xongani precisava para deslanchar. 

Para entender a trajetória da Xongani é preciso voltar para o curso de design, na Faculdade de Belas Artes de São Paulo, quando Ana Paula começou a pesquisar, por conta própria, elementos da moda e da história da África. Ela se dedicou ao tema durante o período acadêmico e, antes de concluir a pesquisa, decidiu ir a Moçambique, país do sudeste da África. 

Lá descobriu a capulana, tecido de estampas de cores vivas, tradicional no modo de vestir das pessoas de Moçambique e no Quênia. Entusiasmada com o relato da filha sobre a beleza dos tecidos moçambicanos, Cristiana pediu que ela trouxesse a maior variedade possível para o Brasil. Com os tecidos em mãos, desenhou e confeccionou diferentes peças de roupa para a filha. Rapidamente, as novas roupas caíram no gosto das amigas de Ana Paula. Com esse peculiar portfólio, participaram da Feira Preta, o maior evento de cultura negra no Brasil. Rapidamente, Cristina e Ana Paula se deram conta que não estavam preparadas para dar continuidade ao sucesso das novas peças. 

Ana Paula detinha todo o conhecimento acumulado em suas pesquisas acadêmicas sobre moda, além do aprendizado da viagem. Já a mãe dominava a técnica do artesanato e da confecção. Assim, em 2008 nascia o Ateliê Xongani. A empresa estreitou o contato com seu público, em sua maioria mulheres negras (são 85% das clientes da marca), e aumentou significativamente o volume das importações de tecidos africanos para dar conta da demanda. Outro movimento acertado foi apostar na plataforma digital, com o lançamento de uma loja virtual em 2011. Uma ação estratégica, pois mãe e filha perceberam que sua clientela não estava apenas em São Paulo, mas também em outras regiões do país. 

Como os infuenciadores negros ainda são pouco apoiados por marcas, em julho de 2018, Ana Paula reuniu outros criadores de conteúdo e cofundou o Coletivo Influência Negra, plataforma digital cujo objetivo é dar maior visibilidade a pessoas negras na internet. Além do conteúdo afirmativo, Ana Paula percebeu que falar sobre sua experiência como empreendedora poderia ser inspirador para outras mulheres. Ela passou então a produzir conteúdo sobre o assunto e atraiu a atenção de grandes corporações. No final de 2018, ela também participou de um vídeo institucional de final de ano da Coca-Cola. E, no início de 2019, foi destaque no canal oficial do Bradesco. Em maio de 2019, Ana Paula foi convidada pelo canal por assinatura GNT, da Globosat, para apresentar um programa de moda. 

Capítulo 9 – EmpregueAfro: abrindo portas a profissionais negros nas empresas 

Uma das justificativas atuais de profissionais de Recursos Humanos (RH) para a baixa diversidade racial nos escalões médios e superiores é que não há pessoas qualificadas; ou que não é fácil achar profissionais entre os candidatos negros. Foi pensando em mudar esse quadro que a paulistana Patrícia dos Santos criou, em 2004, a EmpregueAfro, empresa de consultoria em Recursos Humanos e diversidade étnico-racial. 

Com origens na periferia de São Paulo, Patrícia foi criada pela avó Ermozina Maria de Jesus, conhecida como Nenzinha, que nasceu em 1910, numa fazenda de café em Vitória da Conquista, interior da Bahia. Essa avó casou-se aos 12 anos com um português e teve doze filhos. “Ela sempre me contou muitas histórias sobre a escravidão, o que me deu muita consciência racial”, lembra a empresária.  

Patrícia começou a trabalhar muito cedo em um escritório de contabilidade. Alguns anos mais tarde, conseguiu um emprego no departamento de RH de uma grande emissora de TV. Animou-se com a oportunidade e passou a desenvolver iniciativas para inserir mais negros na empresa. Porém, a empolgação de estar em um local prestigiado, com capacidade para absorver mais profissionais como ela, logo se transformou em frustração. “Percebi que não havia candidatos negros. Recebia, em média, de 20 a 30 candidatos a vagas todo mês, e nenhum era negro. Algo estava errado”, ela lembra. 

Em meio aos debates sobre as cotas oficiais, no início dos anos 2000, ela participou de grupos de estudo pelo Orkut – a rede social antecessora do Facebook, popular na época. “Numa dessas discussões, um amigo disse: ‘Você é a única negra que eu conheço que trabalha num departamento de Recursos Humanos. Por que não aproveita e cria um projeto de empregabilidade?’”. 

Ao abrir as portas da EmpreAfro, Patrícia diz ter se dado conta de estar diante “de um grande problema social” e, aos poucos, começou a entender por que as pessoas negras não chegavam às áreas de seleção de pessoal das empresas “Vi que a questão era mais profunda. Era um problema de racismo estrutural, que afetava a autoestima da população negra e impedia que as pessoas desse grupo se apresentassem para concorrer às vagas, pois não tinham aspirações sociais na vida.” 

As empresas contratam a EmpregueAfro para serviços que incluem entrevistas com as lideranças e definições de estratégias de inclusão, além da elaboração de programas de diversidade. “Fazemos o engajamento interno, como o diagnóstico de diversidade de forma geral e foco na questão racial. Realizamos treinamentos internos, palestras de conscientização, de sensibilização, e só depois desenhamos programas de atração, programas de estágio e de trainees. A empresa é que faz a divulgação das vagas, a captação das pessoas e as encaminha para as empresas”, explica. 

Essa metodologia deu frutos. O “Programa 2020”, desenvolvido pela EmpregueAfro para o grupo de publicidade JW Thompson (JWT), é um bom exemplo. “Eles criaram o programa de inclusão de negros com a meta de ter 20% de negros em seus quadros até 2020. Nós estruturamos e fizemos o primeiro processo seletivo da agência, que virou reportagem do Jornal Nacional, na Rede Globo”, diz Patrícia. 

Capítulo 10 – DaMinhaCor: touca de natação própria para cabelos afro 

Atentos e conscientes do valor da identidade étnica, empreendedores negros têm investido em projetos para preencher alguns dos vazios deixados pelas grandes corporações. O administrador de empresas Maurício Delfino é um deles. Ex-funcionário de multinacionais, Delfino fez muitas viagens ao exterior, e sempre se incomodava ao encontrar lá fora produtos para consumidores negros que não existiam no Brasil. Por que não produzi-los aqui? 

Ao longo de seis meses que passou trabalhando no planejamento da sua empresa, definiu que atuaria nos segmentos de esportes e beleza, com itens de nicho para negros. Daquela lista inicial foi descartando itens, até identificar um que, seguramente, não estava à venda no Brasil. O seu produto inovador seria uma touca de natação para pessoas de cabelo afro – volumosos no estilo black power, com tranças ou dreadlocks

O nome da empresa, DaMinhaCor, tornou-se a marca da primeira touca para cabelos afro comercializada no Brasil. Inexperiente naquele tipo de empreitada, começou importando um pequeno lote do produto – “para testar”. 

Uma dona de salão de beleza, em Osasco, tinha uma cliente, cuja filha participaria de um prova de natação em seu colégio e a touca que tinha não servia com o novo penteado. Lembrou-se das toucas de Delfino para resolver o caso da menina. Ela foi à competição, ganhou duas provas e suas fotos, vestindo a touca “diferentona” no pódio, chamaram a atenção das redes sociais. A garota, Sofia Dionísio, e a história da touca foram tema de muitas reportagens em canais de TV, revistas e jornais. A marca DaMinhaCor ganhava visibilidade em todo o país, antes mesmo de a empresa estar preparada para operar. “As primeiras reportagens saíram em dezembro de 2017, e nós abrimos a empresa em 10 de janeiro de 2018”, lembra-se o empresário. 

Também jogou a favor da marca uma tendência em ascensão entre os consumidores no Brasil: valorização dos cabelos crespos e cacheados como forma de afirmação de identidade, deixando de lado alisadores, “chapinhas” e similares. Uma mudança de comportamento que se propaga principalmente entre os negros mais jovens. 

Também para a linha de beleza, a DaMinhaCor foi buscar os produtos fora do país. As embalagens foram desenhadas e encomendadas junto a fornecedores chineses, e os produtos desenvolvidos inspirados em fabricantes da Polônia, onde há indústrias que melhor produzem as tonalidades próprias para a pele negra, diz o empresário, reconhecendo haver certa ironia nesse fato, uma vez que a população negra naquele país “é quase zero”. 

Ser negro, de origem modesta e conhecer o mundo dos negócios, entretanto, foram diferenciais que levaram o empresário a inovar num mercado tão competitivo como é o de produtos esportivos. Além disso, ter uma visão mais global sobre as políticas de diversidade das empresas, saber que em países como Estados Unidos, França e Austrália é comum a oferta de produtos de segmentação étnica, foi a chave para a formatação do seu negócio.  

Capítulo 11 – Inovadores independentes 

Depois de trabalhar em empresas do Vale do Silício e buscar alternativas de negócios da área de tecnologia, Tristan Walter descobriu de maneira empírica que homens negros tinham muita irritação de pele ao se barbear com aparelhos convencionais, e que eles estavam dispostos a pagar mais por um produto específico para seu tipo de pele. Assim surgiu a linha de barbeadores Bevel, que lançou também cremes de barbear, além de produtos para mulheres, que fazem sucesso e já movimentaram milhões de dólares no mercado norte-americano. Recentemente, a P&G, gigante multinacional, fez uma oferta e comprou sua empresa, a Walter & Company (dona do Bevel), por um valor não revelado, mas que certamente transformou Tristan Walter em mais um multimilionário afro-americano. 

Outro exemplo de iniciativa individual bem-sucedida é o da Sundial Brands, fabricante de produtos para pele e cabelos criada por um empreendedor de origem africana, que se transformou num estrondoso caso de sucesso do poder da diversidade nos negócios, como falamos na introdução deste livro. A trajetória empresarial do liberiano radicado nos Estados Unidos, Richelieu (Rich) Dennis, fundador da Sundial Brands, é exemplo de riqueza oculta nos nichos da diversidade. 

Desde o início, Dennis acreditou, junto com sua mãe, no potencial de mercado do público afro-americano, investindo em matérias-primas originais da África, sempre primando pela qualidade. Ele diversificou suas linhas de produtos e criou marcas que se transformaram em grifes no mercado de cosméticos. Em 2017, seu faturamento chegou a centenas de milhões de dólares. 

No Brasil, a exemplo de outros países em desenvolvimento, a criatividade é uma espécie de commodity. Cidades como salvador, Rio de Janeiro, Recife, Belém e São Luís poderiam ser grandes polos globais da orange economy, denominação com a qual o relatório do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o Instituto para o Futuro classificam o universo da economia criativa, em complemento à economia verde da pauta ambiental.  

Vale destacar também que há hoje no Brasil um grande número de incubadoras, coworkings e aceleradoras com foco em negócios de impacto social, que trabalham para criar um ambiente mais favorável para que startups com esses perfis possam crescer. Uma delas é a Vale do Dendê, da qual sou cofundador, em conjunto com a relações públicas Ítala Herta, com o jornalista Rosenildo Ferreira e o professor-doutor Hélio Santos. Na Vale do Dendê, apoiamos especialmente os empreendedores que estão “nas margens”; são pessoas criativas, inovadoras e que não aparecem no radar dos investidores. Atuamos como uma aceleradora, escola e consultoria estratégica para transformar Salvador na capital da inovação criativa do Brasil. Inspiramo-nos bastante na história de Medelín, na Colômbia, que em uma década se transformou da cidade mais violenta do mundo numa das metrópoles mais inovadoras do planeta, justamente por, entre outras ações, investir muito em inovação nas periferias. 

O objetivo deste livro é justamente mostrar iniciativas positivas de empreendedores que encaram a diversidade como algo necessário, gerando inovação a partir desse grande ativo. Afinal, o mundo se parece muito mais com as periferias do Brasil do que com o Vale do Silício. Em várias partes da América Latina, do Sudeste Asiático e do continente africano há desafios muito semelhantes aos nossos em relação à infraestrutura, ao saneamento básico, à mobilidade urbana etc. Ou seja, ao inovar nas periferias abre-se um mercado global. 

Resenha: Rogério H. Jönck 

Imagens: reprodução, Unsplash e Jotta Silva

Ficha técnica

Título: Oportunidades invisíveis – Aprenda com empresas que apostam na diversidade e geram riqueza 

Autor: Paulo Rogério Nunes 

Primeira edição: Matrix