Os planos da Globo para se tornar uma Mediatech

Os planos da Globo para se tornar uma Mediatech

Na era das assinaturas e da publicidade baseada em dados, grupo quer se tornar um ecossistema de conteúdo

Publicado em 3 de outubro de 2019

Os números das Organizações Globo são e continuarão sendo imensos, apesar de todos os desafios que o mercado impõe ao maior grupo nacional de comunicação. Nada menos que 85% do conteúdo que circula pela internet passa por alguma propriedade da Globo. Todos os dias, 4 bilhões de interações de algum tipo (clique em uma matéria, comentário, compartilhamento ou acesso a um site) envolvem produtos da companhia. Por maior que seja, porém, é pouco para revolução da mídia do futuro.

“O mercado de mídia se transformou, está tudo bagunçado. A Globo precisa ter uma humildade e uma vontade legítimas de mudar para, apesar de ser uma potência, conseguir se adaptar ao que vem pela frente”. Assim resumiu o CEO da Globo.com, Wanderley Baccalá, em sua apresentação sobre o novo momento da empresa na abertura do Fórum CIO Club realizado em 3 e 4 de outubro pelo Experience Club no Sofitel Guarujá Jequitimar.

Mostrando números superlativos, Baccalá simplificou algumas mudanças estão que impactando de maneira definitiva o jogo da comunicação. Se hoje 46% dos aparelhos no Brasil são SmartTVs, em 2023 essa penetração chegará a 100%. É o consumidor com total controle do conteúdo, em busca de conveniência, menos exposição aos breaks comerciais e baixo custo.

Essa nova formação do mercado vai exigir uma mudança de mindset importante para a Globo.

“Temos que pensar na criação de produtos e formatos publicitários com base em dados que não existiam antes”.

O executivo, com origem no mercado financeiro, prossegue no raciocínio. “Você tem que deixar de ser um produtor de filmes e séries para criar outros arranjos. Temos que dar espaço para a formação de um ecossistema de organizações como nunca existiu no passado.

O CEO do Experience Club, Ricardo Natale, questionou como as Organizações Globo enfrenta uma concorrência inédita de gigantes como o Google, que está assumindo a liderança na venda de mídia no Brasil. E de grupos como a Amazon, que mesmo não sendo uma empresa de mídia na origem, será decisivo para o futuro do mercado de conteúdo pago.

Segundo Baccalá, o desafio é imenso, mas a Globo está se fortalecendo. “Se vamos ganhar, não sei, mas agora estamos preparados para brigar. E vamos para cima”, afirmou o executivo, que é faixa preta de judô.

Texto: Arnaldo Comin

Imagens: Marcos Mesquita/Experience Club e Reprodução