Planet Smart City: oito conceitos para democratizar o acesso à moradia

Planet Smart City: oito conceitos para democratizar o acesso à moradia

Confira entrevista exclusiva com a empresária italiana Susanna Marchionni, sócia-fundadora da startup

Publicado em 4 de agosto de 2020

Nascida em Turim, um dos principais centros de arquitetura e design do mundo, Susanna Marchionni mora há sete anos no Brasil com um único propósito: quebrar paradigmas em habitação oferecendo casas com infraestrutura de qualidade e muita tecnologia a preços acessíveis. Esse, na verdade, é o conceito base da Planet Smart City, empresa europeia com sede em Londres que tem no Brasil seu principal mercado de atuação até o momento.

O primeiro projeto da Planet Brasil foi lançado há dois anos no Ceará, o Smart City Laguna, uma cidade inteligente para 25 mil moradores que fica cerca de uma hora de Fortaleza. Desde então, a companhia já expandiu seus projetos para Natal, São Paulo e Bahia, além de cidades na Itália, Estados Unidos e Índia.

Só no Brasil, o projeto já abrange residências e lotes para 80 mil pessoas, sendo que 5 mil imóveis já foram adquiridos com custos bem mais acessíveis do que a média de mercado com valor inicial girando em torno de R$ 40 mil um lote. Para conseguir esse diferencial, a Planet tem como regra a construção de grandes projetos, de no mínimo 100 hectares, para que o volume de empreendimentos comercializados ajude a fechar a conta.

Mas a entrega não se restringe apenas às casas. O conceito de smart city da Planet visa também uma melhor qualidade de vida para os moradores com a oferta de produtos e serviços nas áreas Lazer, Saúde e Educação.

“Também nos preocupamos com a inclusão social a partir da oferta de casas de qualidade para todos os públicos. É a democratização da infraestrutura”, diz Susanna, sócia-fundadora da Planet Smart City ao lado de Giovanni Savio, CEO global da empresa.

Hoje, são 309 sócios e um capital total de 100 milhões de euros. Grande parte desse montante deve-se ao empresário Stefano Buono, que escolheu a Planet para investir após analisar mais de 90 novos negócios em todo o mundo. Esse aporte ajudou a acelerar a expansão da companhia, que teve que adiar para 2021 um novo empreendimento na Colômbia por conta da pandemia.

Acompanhe abaixo os trechos com os oito conceitos da Planet Smart City sobre o projeto que tem quebrado paradigmas em habitação no mundo.

1 – Os pilares de uma Smart City 

O conceito de Smart City não se resume a uma iluminação de LED ou por estar simplesmente ligado à tecnologia. A tecnologia é o meio mas não o fim. Para nós da Planet, Smart City tem quatro pilares: Planejamento Urbano/Arquitetura, Meio Ambiente, Tecnologia e Pessoas. E nós projetamos e construímos Smart Cities sempre pensando em um público bem específico que são as habitações sociais, isso não só no Brasil como no mundo todo.

2 – Democratização da infraestrutura 

Aqui no Brasil se fala muito em público A, B, C ou D, mas para nós isso não existe. Não há uma infraestrutura para a classe A e outra para a classe D, a qualidade tem que ser sempre a mesma. Depois, cada perfil de público compra produtos diferentes, um pode comprar um terreno de 150 metros quadrados e outro de 1.000 metros quadrados. Mas o que não pode é oferecer uma infraestrutura diferente para as pessoas. Por isso chamamos de democratização da infraestrutura.

3 – Serviços digitalizados 

Considero a digitalização fundamental para o desenvolvimento humano das pessoas. A digitalização, ligada aos conceitos de Educação e Cultura, será a verdadeira forma de empoderar as pessoas no futuro. E a partir dela é possível trabalhar em escala, pois o modelo de atuação da Planet precisa de grandes projetos para conseguir fechar a conta com os serviços disponibilizados para todos.

4 – Grandes projetos 

Tudo se baseia em um conceito principal que é a escala. Não conseguimos fazer projetos pequenos, como 20 hectares. O projeto piloto no Ceará tinha 300 hectares sendo que hoje o projeto mínimo da Planet é de 100 hectares. Com uma economia de escala, um cronograma de obras que chamo de “guerra” e uma organização vertical muito bem definida, a conta fecha com tranquilidade.

5 – Dois business em um 

Temos dois business de atuação, sendo um dentro do outro. O primeiro é o de atuar como uma incorporadora com seus processos tradicionais: compra de terreno, construção de imóveis e venda. A segunda parte do negócio é a Planet Service, que abre a possibilidade de vender aos moradores produtos e serviços por meio de um aplicativo gratuito chamado PlanetApp. Esse app funciona como um painel de controle da cidade com informações sobre cursos, eventos, horários da biblioteca, projetos sociais, venda de produtos pelos moradores etc. E isso serve como um banco de dados, um BigData, que vai gerar oportunidades para venda de produtos e serviços.

6 – Sustentabilidade econômica 

Em 2019, em um projeto em Milão, foi feito uma parceria com uma fabricante de eletrodomésticos onde, em apenas 15 dias, foi vendido produtos para 800 famílias com desconto de 40%. Todos saíram felizes, pois não é normal uma venda dessa em pouco tempo, nem comprar tão barato. E a Planet recebeu 0,5% das vendas de cada produto, sendo que uma parte desse percentual é lucro para a Planet e a outra parte reinvestido. Dessa forma, o projeto como um todo tem uma sustentabilidade econômica.

7 – DNA italiano 

A “italianidade” não pode faltar, mas no começo foi muito simples pois os brasileiros e os italianos são muito parecidos. E Turim, onde nasci, é uma referência no mundo não só em Arquitetura e Design, mas também em Engenharia pois tem o Instituto Politécnico de Turim. Por meio da Planet, os projetos e o design de Turim estão chegando em todo o mundo por meio das habitações sociais, e isso é muito bacana. Isso é motivo de muito orgulho para mim.

8 – Empresa global 

Nossas equipes são integradas. Há pessoas em Londres, em Turim, aqui no Brasil e outras na Índia, mas todas elas trabalhando juntas. Em Turim, por exemplo, hoje são cerca de 60 pessoas mas do mundo todo: Itália, Brasil, Inglaterra, Irã, Canadá, EUA, entre outras. No escritório de Londres é a mesma coisa. É uma mistura total e isso é muito bacana porque cada um deles chega com sua história e isso contribui muito na criação de um projeto internacional. Nos últimos seis meses, uma coisa que aprendi com essa equipe global é que no final todos querem a mesma coisa, que é uma casa com segurança e que todas as pessoas da família tenham um pedacinho de felicidade, independentemente da renda familiar

Texto: Fábio Vieira

Imagem: Divulgação