Publicitários trocam caos urbano por agricultura orgânica

Empreendimentos Farm to Table inspirados na Europa e Califórnia ganha vida no interior de São Paulo.

Publicado em 10 de agosto de 2019

Na Europa – e cada vez mais na América do Norte também – parece irreversível o movimento de adesão ao Farm to Table. A ascensão do conceito Da Fazenda à Mesa está diretamente relacionada à visão crítica do império dos alimentos processados. Em plena era do “plant based”, a dieta baseada em alimentos na forma mais natural, não refinada e minimamente processada, o Farm to Table nunca esteve tão em voga. Por coincidência, publicitários com origens bem diferentes decidiram trocam o barulho da cidade por mais qualidade de vida no interior paulista, adaptando a agricultura sustentável à riqueza de variedades e culturas brasileiras. Confira a seguir.

Orgânicos Santa Adelaide

O francês David Ralitera é o corpo e a alma da Fazenda Santa Adelaide Orgânicos, um negócio sustentável fincado em Morungaba (SP) e com vistosos 30 hectares plantados e certificados. Ali ele cultiva 400 variedades de plantas – das clássicas do dia-a-dia, passando pelas nativas da Mata Atlântica, até as chamadas PANCs (plantas alimentícias não convencionais), cada dia mais em voga na gastronomia.

Por trás dessa história cheia de cores e sabores há um publicitário francês que abandonou uma bem-sucedida carreira em uma das maiores agências do mundo (foi diretor de mídia da JWT) para se dedicar à produção rural orgânica. Hoje, aos 50 anos, ele é feliz com o que faz: levar sua plantação para a mesa do consumidor.

O projeto teve início para valer em 2013 e ganhou corpo por valorizar a cenoura roxa, o nabo preto, a berinjela branca, a beterraba amarela, mais de 20 tipos de alfaces, duas dúzias de temperos e uns 15 tipos de frutas. E foi assim que as entregas iniciais de 20 cestas por semana cresceram até totalizar 3,5 mil cestas ao longo de 2018. E esse número é apenas um percentual do total de 60 toneladas de produtos vendidos por mês. Hoje, além de vender diretamente para o consumidor pessoa física, a Fazenda Santa Adelaide Orgânicos atende restaurantes, quitandas, feirantes, supermercados, distribuidores, atacados, cozinhas industriais e ainda mantém uma banca na feira orgânica da Rua Curitiba, em São Paulo.

Seu diferencial, conta, é oferecer produtos da época com 100% de confiabilidade no quesito rastreabilidade, dentro do conceito CSA (Consumer Supported Agriculture). “Resumindo: somos sazonal, local e sustentável-regenerativo.”

Lano – Alto, O Experimento

É em Catuçaba, a 200 quilômetros da capital paulista, que o casal Yentl Delanhesi e Peèle Lemos, outrora publicitários em São Paulo, resolveu dar início a uma nova fase da vida. Inspirados em uma temporada de vivência rural na Califórnia, iniciaram o projeto da Lano-Alto, uma fazenda experimental no alto da Serra do Mar (SP). Lá, eles plantam, colhem e vendem uma curiosa variedade de alimentos.

Tem queijo (de leite cru de vaca e também de cabra), doce de leite (de vaca jersey ou de cabra), leite, mel, doce de figo fermentado, feijão azuki, bacon caipira, iogurte grego, alho caipira, kombuchá, polenta de milho catú vermelho. Praticamente, tudo é orgânico. Nem tudo está disponível o tempo todo, já que os alimentos são produzidos em lotes e não demoram muito para se esgotar.

Hoje, a Lano-Alto tem mais de 20 itens de alimentação e design à venda – destaque para o banco de eucalipto caipira com pés de metal e para a colher de pau produzida a partir de podas de pessegueiro. A propriedade também oferece ocasionalmente workshops e “imersões” de fim de semana no campo.