Sem diversidade não se faz inovação

Sem diversidade não se faz inovação

Rodrigo Galvão, CEO da Oracle, conta como está conduzindo a transformação cultural na empresa.

Publicado em 7 de setembro de 2019

“Cultura é o que a gente topa fazer junto”. Esta fala de Rodrigo Galvão, CEO da Oracle, resume uma crença da empresa, que está passando por uma transformação cultural profunda desde que assumiu a presidência há dois anos. O executivo falou sobre este processo da Oracle no Fórum CEO Brasil realizado no Tivoli Ecoresort Praia do Forte (BA). “Encher o escritório de pufes coloridos, liberar bermuda e chinelo pode ser cool, mas são apenas símbolos. A cultura tem que ser vivida e construída por todos. As pessoas são a fundação de qualquer empresa”, diz.

No cerne está a promoção da diversidade. E, para isso, é preciso investir em educação. Rodrigo destacou que ao mesmo tempo em que temos 13 milhões de desempregados, há mais de 300 mil vagas de desenvolvedores abertas e uma clara dificuldade em preenchê-las. “Estamos vendo uma série de exemplos de inovação, mas que hoje temos dificuldade em aplicar na realidade brasileira”, diz.



É por isso que a Oracle vem investindo em “trazer gente pra dentro”, especialmente jovens estudantes de escolas públicas e ETECs para o Oracle Day. Para ele, as empresas precisam se aproximar dos sistemas de educação. “Não é possível que só tenha gente competente nas universidades públicas. Precisamos gerar oportunidades para todos”.

Uma aposta da empresa é o recrutamento de jovens talentos por meio do programa Gen O, ou Generation Oracle. Criado pelos próprios estagiários da companhia, o programa é parte desta transformação e tem como drive a cultura bottom up. Rodrigo conta que a inovação começa no recrutamento que é feito às cegas e com voz digitalizada. Isso evita qualquer tipo de viés e garante a parcialidade na hora de contratar.

Mais de 7 mil estudantes se inscreveram na abertura do novo programa de estágio, que está rodando há oito meses. Desses, 4,5 mil finalizaram o processo completo, mas apenas 110 enviaram vídeos. Isso despertou a atenção de Rodrigo que foi buscar os motivos. “As pessoas não sentem que são capazes. Entrar em uma empresa parece muito distante para elas”. 

Por isso, Rodrigo ressaltou a importância de gerar oportunidades e fez um convite aos 150 CEOs presentes no evento. “Dentro desta sala tem mais gente que pode impactar do que fora dela e promover uma transformação. Qual é o legado que queremos deixar?”

Texto: Luana Dalmolin

Imagens: Marcos Mesquita e Unsplash