Venture Bulding: como funcionam as construtoras de startups

Venture Bulding: como funcionam as construtoras de startups

Doze insights sobre o desenvolvimento on demand de novos negócios de tecnologia, na visão André Ghion, da Move2

Publicado em 14 de outubro de 2020

Construir startups requer habilidades específicas. Em primeiro lugar, é preciso ter uma ideia e desenvolvê-la. Depois, é preciso ser capaz de colocar de pé um protótipo, em curto espaço de tempo, e começar a testá-lo. Aos testes, devem se seguir ajustes rápidos, até que seja possível colocar algo no mercado, em versão beta, para medir a aceitação pelo público. Os ajustes, a partir daí, são contínuos, para atender à demanda e ganhar escala. Para que tudo isso seja possível, é necessário conhecer bons profissionais de disciplinas chave e os métodos de trabalho certos. Por serem incapazes de replicar o modelo, muitas grandes empresas perdem espaço para startups nanicas, ágeis e criativas, com acesso a bem menos recursos.

A constatação dessa dificuldade pelo mercado deu origem um novo tipo de negócio, o venture building. Na tradução literal, venture building é “construção de risco”. Na prática, é um tipo de “construtora de startups” para empreendedores independentes, grupos de investidores ou corporações interessadas em expandir opções de venture capital. “O venture building é um negócio novo e relativamente raro”, diz André Ghion, co-fundador da Move2, junto com Ronaldo Takahashi, um dos fundadores do Buscapé. “No mundo, não mais de 300. No Brasil, talvez tenha uns dez”.

O cliente chega com a ideia e o venture builder o ajuda, passo a passo, a transformá-la em uma startup. Ghion e a Move2 têm no portfólio startups como Marmotex, 99 Fórmulas e Bettha. A empresa é hoje também parceira de um dos maiores hubs de inovação da América Latina, o Distrito, ajudando empresas residentes a fomentar novos negócios. 

Experience Club conversou com André Ghion para saber mais sobre o modelo e suas aplicações. Confira.

[Assista ao vídeo e mergulhe no assunto]:

Os doze insights do Venture Building:

1 – A essência do Venture Builder

Um venture builder em essência é uma empresa criada para ajudar quem tem uma ideia de negócio em tecnologia a tirá-la do papel. Oferece todas as diversas habilidades necessárias para atuar em cada etapa de desenvolvimento de uma startup.

2 – Quando usar: Os serviços de uma venture builder são úteis principalmente quando o empreendedor, o investidor ou a corporação tem uma ideia de inovação disruptivo, mas ainda não se definiu o modelo de negócios, a tecnologia e o próprio produto. Servem para dar suporte ao desenvolvimento de negócios com uma dose alta de risco e incerteza.

3 – Passo a passo: A primeira etapa é a da ideação, feita com base na visão do proponente do negócio. Em seguida, com base na ideia inicial e na visão, são criadas hipóteses de negócios e de produtos que se pretende validar. A partir daí, parte-se para a prototipação,  primeiro esboço da iniciativa, e para os primeiros testes de aceitação no mercado. 

4 – Advogado do diabo: Após a prototipação, o venture builder passa a estressar o modelo e suas premissas para testar a resiliência do modelo de negócio e do produto ou serviço. Se não conseguir, a startup está pronta para a próxima etapa do processo. 

5 – Zona da morte: Um grande número de startups não sobrevive a passagem do ciclo de prototipação para o de mercado. É a chama de zona da morte. Uma vez que o negócio consegue validar os indícios de viabilidade do negócio com seu Mínimo Produto Viável (MVP, na sigla em inglês), já pode ser considerado de fato uma startup. 

6 – Ganhando escala: Uma vez no mercado, o trabalho do venture building é dar suporte para que a startup possa ser bem sucedida no que a Move2 chama de “ciclo S”: startup, stand up e stay up. As duas primeiras etapas equivalem ao que o mercado conhece também como early stage e scale up, respectivamente. O dinheiro de investidores está de scale up para frente. Antes disso, é possível buscar dinheiros de investidores anjo ou usar dinheiro próprio. Na medida em que a startup avança, e as necessidades mudam, as equipes vão sendo trocadas, até que o negócio possa se tornar independente.

7 – Modelo de negócio: São basicamente três. É comum que um venture builder decida investir sozinho em um negócio visto como estratégico, chamando eventualmente outros empreendedores para participar da iniciativa. Há também um modelo em que o builder participa com serviços, em troca de uma participação minoritária. E, por fim, o modelo de construção de startups por encomenda, considerado o mais efetivos, por reduzir sensivelmente o risco de conflito de visão entre o builder e os demais sócios no negócio.

8 – Risco minimizado: A contratação de um venture builder não significa garantia de sucesso. Startups, em geral, são negócios de risco em essência. A terceirização da tarefa só minimiza a possibilidade de fracasso. 

9 – Quando vale a pena: O modelo é aconselhável principalmente para empresas sem nenhuma experiência na criação de startups. Ou para empresas com as equipes de tecnologia atoladas em outros projetos, mas que sabem que precisam investir em projetos estratégicos paralelos para garantir ampliar as chances de sucesso futuro do negócio.

10 – Quando não vale a pena: Para empresas e empreendedores com alguma experiência e contatos com startups e contatos no mundo da tecnologia, o apoio de um builder pode ser menor relevante. Ainda assim, pode ser uma forma de ganhar tempo ou reduzir custos usando alguns serviços temporariamente e depois seguindo de forma independente. 

11 – Cuidados na hora de contratar: Olhar o histórico de realizações dos envolvidos é um dos principais cuidados na hora de escolher e contratar um venture builder. Outro ponto importante é o entendimento entre as partes de que a propriedade do código é de quem está investindo – a não ser que o builder tenha participação no negócio. Vale ainda discutir os critérios para a o compartilhamento de equipes no processo de independência da startup.  

12 – Quanto tempo leva: A construção de uma startup, a partir de uma ideia, dificilmente leva menos de 18 meses. Eventualmente, em casos mais raros, o prazo pode ser ligeiramente mais curto, ou durar um semestre a mais. Mas, de modo geral, é bom estar preparado para lidar com a ansiedade de ver o negócio de pé.

Texto: Dubes Sônego

Imagens: Reprodução