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O que tomates espaciais revelam sobre a próxima fronteira dos negócios?

Monica Miglio Pedrosa

O Programa Artemis, da Nasa, pretende levar seres humanos de volta à Lua e estabelecer uma presença duradoura no satélite natural. A próxima fronteira é usar esse aprendizado para preparar futuras missões tripuladas a Marte, e a escolha do planeta não é casual.

Pela proximidade, o planeta vermelho pode servir como porta de acesso aos milhares de asteroides localizados entre Marte e Júpiter, alguns deles ricos em platina, níquel e ferro. “O material que existe em um único asteroide pode alcançar o valor de US$ 1 septilhão”, afirma Rebeca Gonçalves, astrobióloga brasileira que participou de um experimento de agricultura interplanetária em uma estação de pesquisa no deserto de Utah, nos EUA, no início do ano.

Embora a exploração espacial ainda seja vista como uma façanha bilionária distante dos desafios da Terra ou como o sonho particular de empresários como Elon Musk, ela está no centro de um setor avaliado hoje em US$ 600 bilhões, com potencial para alcançar US$ 2 trilhões até 2035.

“Tomates marcianos: como plantar no espaço pode ser a solução para nossa vida na Terra” foi o tema da palestra de Rebeca durante a tarde de hoje, no Febraban Tech. “Tudo o que é desenhado em termos de tecnologia para exploração espacial retorna como benefício para a Terra”, afirmou.

A astrobióloga citou como exemplos a tecnologia das câmeras digitais, desenvolvidas originalmente para registrar imagens no espaço, e os cerca de 10 mil satélites artificiais que orbitam o planeta. Esses equipamentos viabilizam sistemas de GPS, que estão na base de negócios como Uber e Waze, e até do Pix, que utiliza sinais de GPS para sincronizar transações bancárias em milissegundos.

Tomates que foram ao espaço

Em janeiro deste ano, Rebeca integrou uma missão na Mars Desert Research Station (MDRS), estação que reproduz as condições de uma futura base em Marte, como isolamento, restrições no uso de água e energia e a necessidade de manter, sem ajuda externa, os sistemas que garantem a sobrevivência da tripulação.

Rebeca plantou em um simulador de solo marciano sementes de tomate que haviam permanecido na Estação Espacial Internacional e sido expostas à ausência de gravidade. O objetivo era comparar o desenvolvimento dessas plantas com o de sementes mantidas na Terra. Tanto os tomates quanto os rabanetes, cultivados em regolito marciano simulado, se desenvolveram no ambiente.

Apesar do enorme potencial, a astrobióloga também chamou a atenção para a drástica redução dos investimentos na exploração espacial. Entre 1961 e 1972, no auge da corrida espacial, o orçamento da Nasa chegou a representar 4,5% do orçamento federal dos Estados Unidos, o equivalente a US$ 286 bilhões em valores atuais. Hoje, a agência recebe cerca de US$ 25 bilhões por ano, ou 0,4% do orçamento do país, embora o Programa Artemis tenha objetivos mais complexos.

Para a astrobióloga, a redução dos recursos desconsidera o efeito multiplicador desses investimentos. Segundo ela, cada US$ 1 destinado ao setor espacial retorna cerca de US$ 10 para a economia por meio da comercialização de tecnologias, da criação de mercados e da redução de custos com monitoramento e prevenção. “O setor espacial é sobre inovação, tecnologia e ciência”, concluiu Rebeca.

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