Grupo Carnaúba amplia mercado imobiliário de luxo no Preá

Quando foi levado por um grupo de amigos para praticar kitesurf no Preá (CE), em 2014, o empresário Julio Capua se apaixonou pela região. Na época, chegar ao local exigia desembarcar em Fortaleza e seguir por cerca de cinco horas de carro. Quatro anos depois, ao voltar em um voo comercial pelo recém-inaugurado Aeroporto Regional de Jericoacoara, que fica há 15 minutos do Preá, Julio percebeu que a facilidade de acesso poderia impulsionar a valorização da região.
A beleza natural, a paisagem e o ritmo de vida do Preá também pesaram na decisão de investir no local. Julio passou um ano avaliando terrenos sob os aspectos jurídico e ambiental antes de comprar a primeira área, onde desenvolveu o Vila Carnaúba, primeiro empreendimento na região.
Em 2020, com a pandemia e a oferta de novas áreas à venda, surgiu a oportunidade de ampliar o projeto. O empreendedor levantou recursos para comprar mais terrenos e reuniu um grupo de urbanistas para planejar a ocupação e o crescimento do complexo. A proposta prevê diferentes formatos de moradia e hospedagem, além de opções de lazer para atrair também quem não pratica kitesurfe, já que a temporada do esporte acontece apenas durante o período de ventos mais fortes, de agosto a dezembro.
A equipe decidiu criar lagoas inspiradas nos Lençóis Maranhenses. “Ninguém sabia como fazer. Deu muito trabalho. Tivemos que refazer a primeira lagoa umas três vezes até dar certo”, contou. O sucesso foi tão grande que todos os lotes à beira da lagoa na primeira fase foram vendidos. A segunda etapa prevê outras duas lagoas e a construção de 24 casas ligadas ao hotel.
O projeto inclui ainda um resort da marca global de luxo Anantara Hotels & Resorts, que pertence ao grupo tailandês Minor Hotels. A abertura está prevista para 2028.
Esportes e negócios
O Grupo Carnaúba é o empreendimento mais recente de uma trajetória que começou na XP Investimentos. Julio entrou como sócio da empresa em 2004, quando a corretora ainda dava os primeiros passos. À época, trabalhava na empresa familiar SC Johnson, dona das marcas Baygon, Glade, Ziploc e OFF!, entre outras.
A relação com Guilherme Benchimol, porém, vinha de longo tempo. Aos 18 anos, os dois compraram uma moto juntos, já que nenhum podia pagar por uma sozinho. A sociedade não funcionou como planejado, já que, com uma única moto, não havia como os dois saírem para pilotar ao mesmo tempo. Ainda assim, gostaram da experiência de serem sócios.
Mais tarde, compraram outra moto e passaram a fazer trilhas nos fins de semana. As paradas pelo caminho viravam momentos para conversar sobre trabalho e negócios. Julio contou que muitas ideias para a XP surgiram ali, no mato, longe do escritório.
No início, conquistar clientes era um desafio. Julio e Guilherme eram jovens e tinham dificuldade para convencer investidores a recebê-los. A cada vinte reuniões, apenas uma resultava na abertura de uma conta. Eles mudaram de estratégia e passaram a organizar palestras sobre investimentos em ações. Os encontros reuniam cerca de 15 pessoas e eles saíam de lá com até três novos clientes. Depois, as palestras deram origem a cursos pagos, que também ajudavam a financiar o negócio.
Como não havia acesso a fundos de investimento ou a rodadas de captação, a XP precisava dar lucro todos os meses. Segundo Julio, isso só não aconteceu em novembro de 2008, durante recessão causada pela bolha imobiliária dos Estados Unidos. No mês seguinte, a empresa cortou um terço da equipe e voltou ao azul em janeiro de 2009. A crise também expôs o risco de depender apenas da bolsa de valores. A XP começou a ampliar a oferta para incluir renda fixa e fundos e precisou desenvolver a estrutura de tecnologia e operação necessária para isso.
Com o crescimento, a empresa passou por várias mudanças. Após a venda de 49,9% da XP a o Itaú, em 2017, e a abertura de capital, Julio sentiu que seu ciclo na companhia estava chegando ao fim. A rotina de uma empresa maior, com mais processos e estruturas, já não combinava com o que ele queria fazer.
Em 2018 tornou-se sócio do Rally dos Sertões, uma das principais competições de off-road do mundo, realizada desde 1993. Depois de dez anos competindo de moto, viu na prova uma oportunidade de negócio e de mostrar a diversidade das paisagens brasileiras.
Essa relação com o esporte vinha de muito antes do Sertões. Julia praticou mergulho, motociclismo, tênis e ciclismo, correu cinco Maratonas Major e também se aventurou em modalidades na neve. Hoje à frente do Grupo Canaúba, leva essa relação com o esporte e a natureza para o negócio de turismo e hospitalidade do Preá.
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