A cartilha básica da inovação, por Martha Gabriel e Guga Stocco

A cartilha básica da inovação, por Martha Gabriel e Guga Stocco

Em Live, especialistas mostram como a pandemia acelerou os futuros. A sua empresa está preparada?

Publicado em 28 de abril de 2020

“A gente está no mesmo tsunami, mas em situações diferentes. Alguns negócios serão alavancados, outros vão naufragar. É o darwinismo digital”. Essa é a tônica do momento, segundo a futurista, professora e autora de best seller Martha Gabriel. A keynote speaker foi uma das debatedoras da LIVE Inteligência Artificial e Big Data para acelerar negócios realizada pelo Experience Club e moderada pelo CEO, Ricardo Natale, na segunda-feira, dia 27 de abril. Ao lado dela, Guga Stocco, CEO da GR1D e Board Member do Banco Original e Totvs. A live teve patrocínio da Axway e Purestorage.

Os experts são unânimes ao afirmar que antes de aplicar qualquer tecnologia, é preciso olhar para os dados. Outro ponto em comum é que a inovação sistêmica só é possível se vier de cima. E nada acontece sem uma mudança de mindset. Como bem parafraseou Martha, “a cultura come a estratégia no café da manhã”.

A seguir os principais pontos da Cartilha Básica da Inovação, por Martha e Guga.

1- Dados, dados e mais dados. Os dados confessam qualquer coisa. Não dá pra aplicar nenhuma tecnologia de IA, como o machine learning, sem dados. O mundo é feito de dados e a inteligência de dados é primordial. Ou seja, back to basics: encontre os tesouros, leia-se as fontes de dados dentro de casa; identifique novas fontes de dados que gerem possibilidades de negócios. Hoje é mais fácil gerar dados, do que limpar, delimitar. Por isso, atenção ao beabá:

“Vi empresa que fatura bilhão, acumula muito dado há tanto tempo, mas eles não valem nada porque não foram coletados da forma correta” – Guga Stocco

2- Inovação é cultura. O principal é o mindset. Não existe inovação sistêmica se não partir de cima. Grandes corporações alocam o budget com base no que já aconteceu e deixam de lado novas oportunidades. E isso vale para empresas e governos. É preciso ter uma agenda clara. De nada adianta ter pólos de inovação, se não houver incentivos e troca de dados e informações na cadeia. 

“O Brasil tem um mercado gigante, recursos, abundância, mas não temos senso de urgência. Somos um país rico, pobre” – Martha Gabriel 

3-  Remodelar dói, mas é preciso. Nosso modelo de negócios é do século XX, tem seu sucesso medido pelo retorno imediato do capital e pelo intermediário. Teremos que rever isso, pensando em como vender mais com menos e ganhar escala. Em outras palavras, como ser mais eficiente e mais barato. Por isso, digitalizar não pode ser mais uma questão. A pergunta de ouro é: o quanto a sua empresa agrega valor? Mas, para isso, você tem que saber onde quer chegar e ter os números na mão. “Percebemos que o capitalismo é frágil. É preciso pensar num modelo de negócios que perdure”, afirma Guga.

4- Abrace as novas tecnologias. A curva de adoção de novas tecnologias foi achatada pela pandemia. A Covid-19 nos ensinou na carne o que é exponencial. O que iria demorar dois, três anos, terá que acontecer em semanas. Em 2017, o Google cunhou: AI first. Ou seja, este movimento não aconteceu de repente. As oito tecnologias que estão mudando o planeta e que não dá para ignorar:

1- AI

2- IOT

3- Big Data

4- Blockchain

5- Robótica

6- Nanotecnologia

7- Impressão 3D 

8- CRISPR (a edição do DNA, do inglês Clustered Regularly Interspaced Short Palindromic Repeats)

“Mas, é preciso ter alguém de dentro olhando o tempo todo para o que está mudando. Sem isso, é impossível implementar qualquer estratégia. Também não adianta ir ao Vale do Silício sem uma análise crítica”, finaliza Martha.

Texto: Luana Dalmolin

Imagens: Experience Club