“A tecnologia é boa quando potencializa a vida”, diz Clóvis de Barros

Monica Miglio Pedrosa
“Se você não tem clareza de onde quer chegar, tudo parece tentador”. A afirmação do filósofo Clóvis de Barros se aplica às escolhas pessoais, mas também serve de reflexão para líderes que se veem diante de tantas novidades tecnológicas. Quando uma oportunidade aparece, o autoconhecimento ajuda a avaliar se ela contribui para o propósito e para os objetivos que se quer alcançar, permitindo escolhas mais conscientes.
Na palestra de encerramento do primeiro dia do AI Brazil Experience 2026, Clóvis comparou a sociedade a um toureiro que acena um lenço vermelho, representado pelo smartphone, enquanto nós ocupamos o lugar do touro atraído pelo dispositivo. A diferença é que nós temos a capacidade de pensar antes de decidir se aquele objeto de desejo é realmente interessante para nossos objetivos ou somente uma distração.
Clóvis de Barros também defendeu que a tecnologia deve ser pensada a partir do que ela pode fazer por outras pessoas. Durante a pandemia, ele resistiu inicialmente a fazer palestras virtuais, mas mudou de ideia ao perceber que, sem os eventos presenciais, não teria como pagar os salários de sua equipe.
Ao aceitar fazer apresentações online, ele também decidiu oferecer palestras voluntárias a profissionais de saúde, doentes internados nos hospitais e familiares de vítimas da covid-19, usando a tecnologia como meio para ampliar seu alcance.
O cuidado com as pessoas também inclui criar condições para que elas “deem o melhor de si” e isso só acontece quando elas atuam dentro do seu propósito. Clóvis se autointitula um “explicador” e todas suas escolhas profissionais precisam fazer sentido com esse propósito. A tecnologia entra nesse contexto como um potencializador, como o fone de retorno usado por ele durante a apresentação, que permite que ele ouça sua própria voz e aprimore ainda mais sua entrega.
Citando Espinosa, ele mencionou a alegria, que é a sensação que experimentamos quando uma experiência aumenta nossa disposição para viver e nossa capacidade de agir. Enquanto o desejo se volta para o que ainda nos falta, essa alegria está naquilo que já faz parte da nossa vida, como a convivência com os filhos ou uma atividade que nos dá satisfação.
É por isso que as contribuições da tecnologia não garantem felicidade por si só, na visão do filósofo. Ela aparece nos instantes de alegria que queremos prolongar, como seus ex-alunos que voltam às suas aulas mesmo depois de formados, simplesmente porque gostam de estar ali. “Que a técnica possa nos proporcionar um instante de vida feliz. E este é o seu único papel”, concluiu.
-
Aumentar
-
Diminuir
-
Compartilhar



