Amy Webb faz “funeral” do Tech Trends Report e aposta na era das convergências

missão [EXP + PROS]
Amy Webb pediu a todos que fossem de preto para assistir a um funeral em sua sessão. O homenageado? Seu próprio relatório de tendências, que nasceu em 2008 e inspirou centenas de documentos no mesmo estilo ao longo dos anos. “O mundo está mudando rápido demais e um PDF estático de tendências fica obsoleto imediatamente”, apontou.
No lugar das tendências, a fundadora e CEO do Future Today Strategy Group aposta agora nas “convergências”, mas será que é mesmo tão diferente assim do trends report ou está mais para um retrofit? Ela explica que olhar para tendências separadas cria uma falsa sensação de previsibilidade. Assim como a previsão do tempo, é preciso olhar para o que acontece quando os fatores se cruzam e passam a acelerar uns aos outros.
Ampliação humana
A primeira dessas convergências trata de tecnologias que melhoram capacidades do corpo, como a mobilidade, o sono, a cognição e a visão. É passar a pensar no corpo humano como uma plataforma e no que acontece quando alguns têm acesso a melhores atualizações que outros, como uma pessoa com dificuldade para dormir versus uma outra que usa uma cama inteligente que esquenta e esfria de acordo com a temperatura do corpo, para garantir um sono melhor.
A segunda convergência diz respeito à capacidade de máquinas trabalharem sem pausa ou fadiga, tanto em fábricas, quanto no escritório. Se durante séculos o crescimento econômico esteve “limitado” à capacidade humana de trabalhar, o que acontece quando essa barreira deixa de existir? Nem os trabalhadores chineses da jornada 996 (nove da manhã às nove da noite, seis dias por semana) conseguem competir.
Spike Jonze previu
Assim como no filme “Her”, a IA realmente passou a ocupar espaços antes reservados a amigos, parceiros, terapeutas ou líderes espirituais. E as empresas estão cada vez mais de olho no fenômeno, criando produtos que apostam alto na retenção e no engajamento das pessoas que se sentem sozinhas.
Considerando tudo isso, Amy aponta que o capitalismo então faz a volta completa, pois vende de volta às pessoas aquilo que ele, por meio da tecnologia, tirou delas. Nesse cenário, a empresa mais valiosa do mundo talvez nem produza algo tangível, apenas controle a infraestrutura invisível que define como pensamos, sentimos e agimos.
Amy também apresenta um alternativa. Um modelo chamado “contribution credit”. Nele, atividades historicamente invisíveis, como cuidado, mentoria e construção de comunidades, seriam reconhecidas economicamente com parte do valor gerado pela automação. Um jeito de quem ajudou (voluntariamente ou não) a construir esse sistema ser retribuído.
Amy acredita que o futuro não será decidido pelos algoritmos, mas sim pelas decisões humanas tomadas agora. Sua mensagem final é um chamado para tomarmos o controle e escolhermos um lado.
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