Box 1824 propõe quatro dimensões para medir o ROI da IA

Monica Miglio Pedrosa
À medida que os agentes de inteligência artificial ganham espaço nas empresas, cresce a cobrança por resultados dos investimentos na tecnologia. A afirmação de Laura Kroeff, vice-presidente de Estratégia e Impacto da Box 1824, é corroborada por dados do Gartner, que mostram que os investimentos em IA aumentaram 47% de 2025 para 2026 e que os gastos ligados à tecnologia devem crescer 400% até o fim deste ano, incluindo o custo dos tokens. A executiva mencionou também uma pesquisa do Boston Consulting Group, que aponta que metade dos CEOs acredita que sua permanência no cargo depende de acertar a equação do retorno sobre o investimento em IA.
Mas como garantir que esse retorno aconteça? Durante palestra no Fórum CEO Brasil 2026, Laura provocou os mais de 200 líderes presentes a questionar: “Será que estamos usando as métricas corretas para mensurar o ROI desse investimento?”. Ela citou um artigo da Universidade de Berkeley que alega que as empresas estão aplicando métricas da era industrial a uma transformação que é da era cognitiva.
A Curva J ajuda a explicar por que os ganhos com inteligência artificial não aparecem imediatamente. No início da adoção da tecnologia, a produtividade tende a cair, enquanto as equipes aprendem a usar a ferramenta. Com o tempo e a prática, os profissionais passam a extrair mais valor da IA e a curva se inverte. Esse período de adaptação, avalia Laura, precisa ser considerado na mensuração do retorno.
As quatro dimensões da metodologia
Laura apresentou a metodologia da Box 1824 que usa quatro dimensões para avaliar o retorno, com base em novas premissas. Na dimensão do retorno sobre produtividade, é necessário acompanhar a redução de custos e de tempo, o uso mais eficiente de recursos operacionais, a automação de processo e a geração de novas linhas de receita. A empresa também deve avaliar o equilíbrio entre iniciativas voltadas à redução de custos e iniciativas que ampliem receitas.
Na dimensão de retorno sobre experiência, é preciso observar os efeitos do uso da IA na experiência dos colaboradores e dos clientes. A avaliação não deve se limitar à produtividade interna. No retorno sobre o futuro, avalia-se o potencial de fortalecer reputação, diferenciação e inovação, considerando resultados que podem levar mais tempo para se materializar. Por fim, no retorno sobre responsabilidade, observa-se os impactos ambientais e sociais, além dos riscos relacionados à segurança cibernética, jurídica e a outras dimensões da operação.
Para aplicar a metodologia, a executiva recomenda que as equipes construam um business case para cada agente ou solução de IA ainda na fase de desenvolvimento. Nele, são projetados os resultados esperados e as dimensões de retorno que serão acompanhadas. As informações de todos os cases são reunidas em um sistema que oferece ao CEO e ao CTO uma visão única do portfólio de iniciativas.
Assim, eles podem avaliar quantos projetos priorizam a redução de custos, quantos buscam melhorar a experiência do cliente ou do colaborador e quantos têm potencial de gerar inovação e diferenciação no longo prazo. Eles também conseguem acompanhar o prazo de equilíbrio financeiro de cada iniciativa e comparar os resultados obtidos com o que foi projetado. Essa visão ampla fortalecem a governança e a tomada de decisões com base em dados.
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