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“Nossa aposta é que, até 2030, todas as empresas da Fortune 500 serão self-driving companies”

Monica Miglio Pedrosa

O software transformou indústrias inteiras, mas as empresas ainda dependem de pessoas para operar os sistemas e coordenar a execução das tarefas. À medida que a tecnologia evolui e especialmente com a entrada dos agentes de inteligência artificial nas empresas, essa dinâmica irá mudar substancialmente. Eles passarão a assumir uma parcela significativa da execução, deixando para os executivos o papel de definir os objetivos e a direção do negócio. Para Marcelo Echeverria, head of Latam da Replit, essa transformação já está em andamento e em ritmo acelerado. Em sua apresentação durante o AI Brazil Experience 2026, o executivo aposta que, até 2030, esse modelo será adotado pelas empresas Fortune 500.

Chamadas de self-driving companies (empresas autodirigidas), essas empresas contam com agentes capazes de transformar objetivos de negócio em ações concretas. Diante de um pedido para reduzir o tempo de resposta do suporte, os agentes analisam os dados, cruzam informações de diferentes sistemas e modificam processos para alcançar a meta.

Essa autonomia, porém, depende de uma infraestrutura que permita aos agentes atuar com segurança. “Quanto mais poderoso o motor, melhores precisam ser os freios. A autonomia dos agentes precisa crescer junto com a segurança”, disse Echeverria, fazendo uma analogia dos agentes com uma Ferrari. Para garantir essa autonomia, ele defende uma segurança em três camadas: dentro da própria organização, nos produtos e no ecossistema.

A governança é outro aspecto fundamental em uma self-driving company. Cada agente precisa saber até onde poderá atuar e quatro pilares são essenciais nessa definição. Eles precisam ter uma identidade verificada, autorização de acessos e ações, limites de autoridade e uma política consistente de segurança e governança.

Esse “habitat dos agentes” precisa conciliar a natureza probabilística dos modelos de linguagem com regras determinísticas de segurança e governança. Enquanto as respostas dos modelos podem variar, as regras que definem o que cada agente está autorizado a acessar e executar precisam ser aplicadas de forma consistente.

Segundo Echeverria, a própria Replit já opera como uma self-driving company, com agentes internos submetidos a esses controles. As pessoas continuam responsáveis por definir a direção do negócio e aprovar as ações dos agentes. O papel dos executivos passa, assim, a incluir a orientação dessa força de trabalho e a definição dos limites dentro dos quais ela pode agir.

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