Tecnologia

Como a IA está criando a maior revolução cognitiva da história

Guga Stocco

Monica Miglio Pedrosa

Nos próximos cinco anos, a maioria das funções que marcaram o século passado deve deixar de existir. A afirmação, do palestrante, membro de conselhos de administração e especialista em inovação Guga Stocco, foi feita durante o Vivo Cyber Board, e aponta para a transformação das ocupações no mercado de trabalho à medida que a inteligência artificial automatiza tarefas. Esse movimento abre espaço para novas atividades, onde os profissionais precisam se abrir para aprender algo novo e assumir funções diferentes.

Na cibersegurança, essa mudança aparece na própria dinâmica das ameaças. Guga alertou que ataques antes conduzidos manualmente passam a ser executados por agentes de IA, em escala e 24 horas por dia. No lado defensivo, agentes também podem detectar, investigar e corrigir ameaças, enquanto as empresas precisam ampliar a proteção para incluir modelos, prompts, ferramentas e dados.

Um experimento citado por Stocco mostra como agentes podem adotar estratégias imprevistas para cumprir uma meta. Em uma simulação com 100 agentes instruídos apenas a ganhar dinheiro, os que tinham pior desempenho eram eliminados e os mais bem-sucedidos, replicados. Alguns passaram a publicar avaliações falsas para vender mais. Sem critérios éticos definidos, o comportamento evoluiu para fraudes e tentativas de invasão.

Antes, a carga cognitiva se dividia em 10% de estratégia, 80% de execução e 10% de julgamento. Com a IA, a execução perde espaço. Os profissionais terão de desenvolver estratégia e julgamento.”

Para as empresas, o avanço da IA também muda a estrutura de custos e a dinâmica da concorrência. Ele apresentou uma campanha da Puma que foi criada integralmente por agentes de IA, da concepção ao roteiro, e usou o exemplo para projetar o impacto sobre agências de publicidade tradicionais. Uma equipe de 200 profissionais teria de competir com startups capazes de realizar trabalho semelhante com apenas três pessoas usando a tecnologia. Mesmo que a agência comprasse essa startup, novos concorrentes poderiam surgir na sequência. A adaptação exige rever a estrutura e usar o conhecimento acumulado para construir uma vantagem competitiva.

Embora as mudanças estejam em curso, 83% da população mundial nunca usou inteligência artificial e apenas 0,3% utilizam agentes de IA. “Isso revela que estamos no melhor momento, a disrupção ainda não aconteceu. Temos uma oportunidade imensa em mãos.”

A inteligência artificial também muda o que se espera das pessoas no trabalho. Se antes a carga cognitiva era dividida entre 10% de estratégia, 80% de execução e 10% de julgamento, com parte da execução automatizada, os profissionais terão de desenvolver estratégia e julgamento, além de analisar os resultados e retroalimentar os sistemas.

“A gente foi treinado para resolver problemas e responder perguntas, e não a fazer perguntas”, afirmou. Para Guga, sair da execução vai permitir que o ser humano faça o que nenhum outro animal consegue: imaginar o que ainda não existe. “Qualquer coisa que a mente do homem consiga conceber e acreditar, ele pode atingir”, finalizou.

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