Crise de 1929 em 2026?

missão [EXP+PROS]
O jornalista do New York Times Andrew Ross Sorkin vê alguns pontos de convergência entre a bolha dos anos 1920 e o momento atual da IA, mas evita cravar paralelos diretos. Em seu novo livro, 1929: Inside the Greatest Crash in Wall Street History, ele prefere observar como os seres humanos reagiram àquele momento e deixar as conclusões para o leitor.
Depois de publicar o hit Too Big to Fail, sobre a crise de 2008, Andrew passou a ser questionado sobre comparações com 1929 e percebeu que não tinha uma resposta satisfatória. Isso o levou a investigar o período com mais profundidade, especialmente as decisões humanas que ajudaram a moldar o colapso.
Os anos 1920 foram um período de explosão de inovação, com o crescimento do rádio e do automóvel. Entre 1928 e 1929, o mercado subiu cerca de 90%. O sentimento dominante lembrava o FOMO (Fear of Missing Out) atual: todo mundo queria participar do boom e enriquecer rapidamente.
O mercado virou parte da cultura popular. Titãs das finanças passaram a aparecer nas capas de revistas e a Bolsa de Valores virou assunto cotidiano. “John Raskob, executivo da GM, era o Elon Musk daquela era”, compara ele.
Paralelos com a IA
Andrew vê semelhanças entre o entusiasmo tecnológico dos anos 1920 e o boom atual da inteligência artificial. A diferença é que hoje já convivem entusiasmo e medo sobre as consequências econômicas, enquanto naquela época predominava a euforia.
Ele sugere um descompasso entre as centenas de bilhões de dólares investidos em IA e o potencial de receita no curto prazo, e acredita que pode haver um momento em que “a conta não vai fechar”.
Gestores profissionais muitas vezes seguem o comportamento de manada porque os incentivos do mercado recompensam quem acompanha a tendência, aponta o jornalista. Errar junto com todos costuma ser menos arriscado para a carreira do que sair cedo demais.
No seu dia a dia, Andrew diz que usa IA para tarefas administrativas e pesquisa, mas não para escrever. Ele acredita que a tecnologia pode acelerar a produção intelectual, mas levanta uma dúvida: se livros puderem ser produzidos muito mais rápido, as pessoas ainda vão lê-los ou apenas pedir que seus agentes de IA façam resumos?
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