Do open banking ao cloud: 11 tendências digitais no mercado financeiro

Do open banking ao cloud: 11 tendências digitais no mercado financeiro

A próxima onda de transformação dos serviços financeiros na visão de Marco Santos, presidente da GFT para América Latina

Publicado em 17 de julho de 2020

A aceleração da transformação digital que atingiu em cheio a economia global neste início da década teve impacto não apenas em atividade menos relacionados diretamente com a tecnologia. Mesmo em mercados onde a digitalização avança há décadas, infraestruturas baseadas em plataformas integradas e nuvem também ganharam um novo senso de urgência. É o caso do mercado financeiro, que está passando por uma segunda onda digital, ainda mais revolucionária do que o movimento de automação que começou a tomar força 40 anos atrás.   

Presidente da GFT Technologies para a América Latina, multinacional alemã com forte reputação em projetos de TI e transformação digital, Marco Santos aponta as principais tendências de negócios e inovação, sobretudo no mercado financeiro, foco de atuação da companhia, e também avalia como a crise atual tem influenciado nosso modo de se relacionar com as tecnologias.  

Nesta entrevista ao Experience Club, Santos aponta novos caminhos do mercado e fala ainda sobre o Meu Futuro Digital, projeto do qual é um dos fundadores cujo objetivo é dobrar o número atual de profissionais brasileiros na área de TI

Confira a seguir 11 tendências da economia digital e mercado financeiro [Assista também ao vídeo e mergulhe no assunto]:  

1-Transformação Digital entre os brasileiros  

A transformação digital no Brasil está muito acelerada. Primeiro porque o brasileiro é muito digital por natureza; já somos o segundo maior usuário de Whatsapp do mundo, ficando atrás apenas da Índia, e estamos no Top 3 em plataformas como Facebook e YouTube, entre outros. Com toda essa pressão e impacto da Covid-19, de impor barreiras com o distanciamento social, esse digital ficou muito mais acelerado. Então, pessoas de mais idade, por exemplo, que não tinham tanto contato com a transformação digital, hoje já estão usando Internet Banking e Mobile Banking, comprando coisas online, pedindo delivery em restaurantes, etc. Se o brasileiro já era muito conectado, agora é mais ainda.  

2-Transformação Digital entre as empresas 

Com a pandemia, vários pequenos e microempresários inovaram indo para o Whatsapp para vender seus produtos, estabelecendo seus portfólios nas redes sociais, etc. Percebemos uma aceleração da transformação digital da pequena e média empresa, às grandes companhias e grupos empresariais. Então o Brasil já era muito digital e hoje está ainda mais em todos os segmentos.  

3-Tendências no setor financeiro e o “open banking” 

A primeira tendência, sem dúvida, é o processo de abertura, o “open banking”, que não é voltado para bancos, mas para qualquer empresa visando a externalização de serviços para se conectar com outras plataformas, com outras empresas de outros serviços, e assim criar um ecossistema. Essa é uma tendência muito forte que vai trazer benefícios para o consumidor final como melhorar o crédito, reduzir os custos financeiros, entre outros. E a tecnologia que suporta tudo isso são os API’s (Application Programming Interface) e sua abertura cada vez mais amigável para as empresas.  

4-Personalização dos produtos 

Com o maior acesso aos produtos digitais, as instituições financeiras e empresas de outros segmentos precisam entender melhor o seu consumidor para personalizar melhor seus produtos, serviços e informações. Essa personalização está baseada em dados, os chamados Big Data e Analytics, e isso tem acelerado demais. Há uma adoção muito forte também de Machine Learning, que é a parte inicial da Inteligência Artificial para melhorar o processo de personalização e entendimento do cliente final.  

5-Automatização dos processos 

Internamente, a maior tendência é a automatização dos processos. Com a Covid-19, o processo de aceleração da robotização e da automatização estão muito mais presentes na agenda dos líderes empresariais e do segmento financeiro. Estamos falando de automação de processos, RPA (Robotic Process Automation), Machine Learning e várias outras tecnologias que promovem a maior produtividade e eficiência no backoffice.  

6-Dado vale ouro 

Os dados são importantes não só para a personalização, mas também no backoffice e nos ecossistemas digitais. Os dados são o novo ouro da humanidade.

Todas as tecnologias relacionadas com data estão largamente sendo utilizadas para habilitar uma nova fronteira para o relacionamento com consumidores, clientes e para a gestão de negócios.

São os dados alimentam a AI e o Machine Learning, então eles são cruciais. Tudo isso caminhando junto com uma transformação de plataforma e de infraestrutura em cloud.  

7-Tecnologia “As a Service” 

A transformação Cloud é um elemento que as empresas e instituições financeiras estão acelerando seus projetos porque ela consegue fornecer tecnologia e produtos digitais “As a Service” como se fosse uma utilidade como água ou energia elétrica. Então Cloud também é uma transformação inexorável que tem um papel fundamental no processo de transformação digital como um todo.  

8-Agilidade empresarial 

Será um fator fundamental, até por conta desses momentos de baixíssima previsibilidade de negócio e de comportamento, em momentos como estamos passando de pandemia. Bons modelos ágeis para as empresas são cruciais para conseguir manter a execução de projetos como o lançamento de produtos, e conseguir ter competitividade do mercado.  

9-Blockchain 

Acredito que ele tem um papel muito estratégico no sistema financeiro global para controle de fraudes, para ter uma tokenização e geração de uma identidade digital para ativos físicos, e uma série de outras aplicações como ter contratos dinâmicos em real-time entre as organizações, e entre as organizações e indivíduos. O Blockchain teve um hype de mercado muito grande alguns anos atrás e deu uma arrefecida, mas acredito que isso vai voltar pois é uma tecnologia com potencial disruptivo no mercado financeiro, nos sistemas econômicos e até na sociedade.  

10-Capacitação 

Os profissionais de TI já tinham uma demanda muito maior que a oferta em todos os países do mundo, na Índia, na China, nos EUA, na Europa, e também no Brasil. Nosso país não tem um programa de Estado com uma visão de longo prazo para Tecnologia da Informação, se forma muito mais profissionais de outras áreas e não em Tecnologia ou STEAM, que são foco nos outros países. Isso é um grande desafio para as próximas décadas pois todos os empregos vão demandar conhecimento em Tecnologia da Informação, independente se ele é advogado, dentista, arquiteto e, obviamente, engenheiro.  

11-Meu Futuro Digital 

O Meu Futuro Digital nasceu por conta de uma visão desses desafios em relação ao blackout de mão de obra em TI. E descobrimos diamantes brutos pelo país que são garotos jovens muito bem posicionados na Olimpíada Brasileira de Matemática sendo que um dos ganhadores dentro de um universo de 16 milhões de jovens estava trabalhando como empacotador de supermercado no interior de São Paulo. O Brasil não forma e nem incentiva a formação em Tecnologia da Informação, e os nossos diamantes brutos não são aproveitados pelo país sendo que a demanda é crescente e acelerada. Com esse cenário, um grupo de CEOs, executivos, empresários e profissionais de Tecnologia se juntou para criar o Meu Futuro Digital, que agora é uma ONG, cujo objetivo principal é transformar o Brasil no país do futuro do trabalho e da Educação através da Tecnologia da Informação. A meta é dobrar o mercado brasileiro de tecnologia sendo que hoje temos 1.5 milhões de profissionais de TI e queremos chegar a 3 milhões de profissionais em oito anos.  

Texto: Fábio Vieira  

Imagens: Reprodução | Experience Club