Fintech ajuda empresas a individualizar benefícios do colaborador

Fintech ajuda empresas a individualizar benefícios do colaborador

Vee transforma pacote de ofertas do empregador em carteira digital para funcionário converter como quiser

Publicado em 5 de dezembro de 2019

Oferecer um pacote de benefícios de qualidade é uma das formas mais eficientes de reter e atrair funcionários. Pesquisa da consultoria Bematize indica que 85% das empresas que adotam essa medida obtêm retorno positivo em forma de satisfação dos colaboradores.

No entanto, num cenário como o atual, com as companhias tendo em seus quadros talentos de quatro gerações completamente distintas, há um desafio adicional: afinal, que benefícios oferecer para trabalhadores com idades, histórias de vida e, portanto, necessidades tão diferentes?

O aplicativo da Vee, fintech fundada há cerca de dois anos, tenta resolver o problema dando flexibilidade à empresa contratante. Traz uma carteira virtual que concentra, num único ambiente, todos os benefícios que possam ser ofertados aos colaboradores, como planos de saúde, odontológicos, vale-refeição, alimentação, combustível, além de demais incentivos e premiações.

“Criamos uma ferramenta que permite à empresa personalizar o benefício em nível individual e o colaborador usar onde quiser, com uma rede de dois milhões de estabelecimentos credenciados”, explica Raphael Machioni, um dos sócios fundadores e CEO da Vee.

O app funciona da seguinte forma: o setor de Recursos Humanos define e coloca à disposição uma lista de benefícios que o funcionário pode acessar. A partir daí, o colaborador escolhe quais tem interesse em utilizar. Assim, em vez de receber, por exemplo, um auxílio-creche, quem não tem filhos pode converter esse valor para pagar o aluguel. O trabalhador também passa a ter acesso a descontos exclusivos em diversos estabelecimentos, como academias.

A carteira digital permite a gestão dos benefícios em tempo real e reduz custos para a empresa, uma vez que não será mais necessário emitir cartões pré-pagos físicos para distribuir.

Machioni lembra que a ideia de flexibilizar os benefícios nasceu de pesquisas e observações feitas tendo como objeto o vale-refeição.

“Hoje, cerca de 35% das pessoas que recebem esse benefício vendem. Vão na banquinha e trocam com taxas altas, de até 25%. Se mais de um terço faz isso, é porque o benefício não é atraente para as necessidades daquele trabalhador”, observa.

Crescimento acelerado

Como toda startup que se preze, os números da Vee são de quem quer aproveitar o potencial do mercado em que atua para ganhar cada vez mais espaço e incomodar as gigantes do setor.

Ao todo, já tem 60 clientes, dois milhões de estabelecimentos cadastrados e apresenta crescimento mensal de 30%. A maior parte das companhias que são clientes têm até 400 funcionários.

“Elas são o foco, pois não são bem atendidas pelo mercado. São marginalizadas pelas grandes”, observa Machioni

Para o próximo ano, a expectativa da Vee é movimentar cerca de R$150 milhões, uma pequena fatia do segmento.

Estima-se que, no Brasil, o mercado potencial de benefícios alcance R$ 154 bilhões. Para explorar novas oportunidades e ganhar musculatura nesse gigantesco universo, a Vee sabe que precisará, em breve, de mais capital.

O executivo afirma que já foi sondado por investidores de todos os tipos sobre um futuro aporte, mas a Vee quer estudar com cuidado o melhor perfil de apoiador para a expansão da companhia.

“Tivemos procura de fundos, de investidores estratégicos e, inclusive, de concorrentes. Há dinheiro no mercado, mas hoje, para nós, o fundamental é buscar sócios alinhados ao nosso propósito, que é oferecer uma carteira virtual simples e muito eficiente para o usuário”.

Texto: Luciano Feltrin

Imagens: Divulgação e Gert Altmann | Pixabay