Inteligência Espacial é a nova fronteira da IA

O próximo grande salto da inteligência artificial estará em sua capacidade de entender e interagir com o mundo físico tridimensional em que vivemos. Depois de dominar as capacidades de escrever, gerar imagens e responder a comandos de prompt, o desafio da tecnologia será o de desenvolver inteligência espacial, criando modelos de mundos com noções de geometria, física e tempo.
É essa visão que levou Fei-Fei Li a fundar a World Labs e captar US$ 1 bilhão de empresas como AMD, Nvidia e Autodesk, em uma rodada de financiamento anunciada em fevereiro deste ano. Professora de Stanford e ex-vice-presidente e cientista-chefe de IA e machine learning do Google, Fei-Fei Li é conhecida como a “madrinha da IA”.
Li foi a criadora do ImageNet, em 2006, banco de dados que reuniu milhões de imagens catalogadas e se tornou um dos principais motores da visão computacional e do deep learning, ao permitir treinar e comparar algoritmos em uma escala inédita. Foi a partir desse avanço que a visão computacional passou a impulsionar aplicações como carros autônomos, diagnósticos por imagem e reconhecimento de objetos.
Formada em Física pela Universidade de Princeton e PhD em Engenharia Elétrica pela Caltech, ela dirigiu o Laboratório de Inteligência Artificial de Stanford entre 2013 e 2018 e fundou o Stanford Institute for Human-Centered AI (HAI), um dos principais centros de pesquisa do mundo dedicados ao desenvolvimento de uma inteligência artificial centrada nas pessoas.
Além de ter publicado mais de 400 artigos científicos, tornou-se uma das pesquisadoras mais citadas da área e passou a atuar como uma das principais vozes na formulação de políticas para inteligência artificial. é conselheira especial do Secretário-Geral da ONU desde 2023 e foi membro da National Artificial Intelligence Research Resource Taks Force, inciativa da Casa Branca e da National Science Foundation entre 2021 e 2022.
Inteligência espacial
Para Li, a IA só será completa quando desenvolver capacidades espaciais semelhantes às humanas. A inteligência espacial é a capacidade de ir além de identificar objetos em uma imagem ou responder perguntas sobre eles, mas construir modelos tridimensionais do mundo, compreendendo profundidade, movimento, causalidade e física.
Sua World Labs é o espaço para criar esses “modelos de mundos”, que serão usados para treinar robôs a criar ambientes virtuais, acelerar a produção de filmes e jogos, desenvolver simulações industriais e médicas e permitir que máquinas interajam de forma muito mais natural com o ambiente físico.
O primeiro produto da World Labs é o Marble, que está sendo utilizado por profissionais de efeitos visuais, arquitetura, design de interiores, games, robótica e até por pesquisadores interessados em acompanhar o aspecto psicológico de ambientes imersivos.
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