Os 5% que transformam IA em resultado

Por Marco Marcelino*
O MIT fez a pergunta que quase nenhum conselho tem coragem de fazer em voz alta. Quantas empresas conseguem transformar IA generativa em retorno financeiro real, mensurável, dentro do próprio resultado do negócio? A resposta coube em um número. Cinco por cento.
O estudo se chama The GenAI Divide, State of AI in Business 2025, conduzido pelo Project NANDA, do MIT. Foram analisadas mais de 300 iniciativas públicas de IA, entrevistas com 52 organizações e uma pesquisa com 153 executivos seniores. O investimento das empresas em IA generativa já soma algo entre 30 e 40 bilhões de dólares. E 95% delas ainda não viram esse dinheiro voltar em resultado mensurável.
Lembra da distinção de ontem, entre experimentar e implementar? O estudo mostra exatamente esse buraco, em escala.
Experimentar é fácil. Mais de 80% das organizações já testaram alguma ferramenta genérica, tipo ChatGPT. Quase todo mundo já fez. Implementar é outra conversa. Quando o assunto são soluções integradas aos processos do negócio, 60% avaliam, só 20% chegam a testar um piloto e apenas 5% colocam em operação de um jeito que aparece no resultado da empresa.
E aqui está o que a maioria não vê. Cerca de 70% do orçamento de IA vai para vendas e marketing. É o que a diretoria enxerga mais fácil, é o que rende slide bonito na reunião de resultados. Enquanto isso, as áreas de operação e back office, justamente onde o estudo encontrou os retornos mais consistentes, seguem recebendo migalhas. Investe-se onde é visível, não onde o processo realmente muda.
Tem ainda um dado que interessa direto a quem pensa em fazer tudo sozinho. Projetos conduzidos com parceria estratégica externa chegaram à operação em cerca de 67% dos casos. Os construídos inteiramente dentro de casa, em 33%. O dobro da taxa de sucesso, medido pelos próprios dados. O problema nunca foi a tecnologia. O que o estudo descreve é um padrão humano muito mais antigo que a IA.
Organizações confundem movimento com progresso. O piloto vira teatro, o teatro vira relatório, e o relatório vira a sensação confortável de que a empresa está avançando. O número no resultado, esse continua parado.
A divisão que o MIT mediu não separa quem tem tecnologia de quem não tem. Separa quem aprende de quem apenas anuncia. Amanhã eu abro um espaço para quem quiser descobrir, no próprio negócio, de que lado dessa linha está.
O estudo completo está disponível para download aqui.
*Marco Marcelino é especialista em dados e gestão do conhecimento e lidera um serviço de inteligência pela Serinews.co, além de ser sócio da NürnbergMesse Brasil e publisher da Revista Empresário Digital.
-
Aumentar
-
Diminuir
-
Compartilhar



