Liderança Shakti

O equilíbrio do poder masculino e feminino nos negócios

Publicado em 1 de abril de 2021

Ideias centrais: 

1 – Shakti é um combustível abundante, ilimitado, o poder da vida que faz os elétrons se mexerem, as galáxias crescerem, as sementes germinarem. Aprendendo a se ligar a essa fonte ilimitada, você pode ter poder “com” os outros, em vez de poder “sobre os outros”. 

2 – A Liderança Shakti representa a síntese de algumas das melhores práticas e caminhos pessoais de aprendizagem. Ela foca no desenvolvimento das habilidades femininas há muito ignoradas, equilibrando-as e integrando-as com recursos tradicionalmente masculinos. 

3 – A primeira coisa a fazer quando se sente perseguido, acuado, é deixar de ser vítima e assumir o papel de criador, reestruturando a coisa toda. Coloque-se no papel de criador. Veja o perseguidor como desafiante e procure a ajuda de um coach, se precisar. 

4 – Entrevistamos muitos líderes e especialistas em liderança para escrever este livro. O que nos surpreendeu foi que a maioria dos comportamentos, habilidades e atitudes consideradas essenciais ao desenvolvimento humano era fundamentalmente feminina, isto é, aspectos de Shakti. 

5 – Devemos escolher o novo mito (capitalismo consciente) com sabedoria, abraçando o poder coletivo do feminino e do masculino para libertar o espírito heroico dos negócios, com o fim de elevar a humanidade. Todo o resto se encaixa: visão, capacidades, valores, comportamentos.  

Sobre os autores: 

Nilima Bhat e Raj Sisodia. Nilima Rhat é facilitadora de transformação pessoal, coach individual e de organizações em busca  de evolução de consciência. É palestrante internacional e instrutora de cultura corporativa, negócios conscientes e mulheres em posição de liderança. Apoia o movimento Capitalismo Consciente e a Women’s International Networking. 

Raj Sisodia é acadêmico reconhecido internacionalmente por ter desenvolvido trabalhos pioneiros de marketing e produtividade. É cofundador e copresidente do Conscious Capitalism Inc. Foi professor curador de marketing e diretor fundador do centro de marketing e tecnologia da Bentley University. 

Prólogo 

Nossa crise de consciência é também de liderança, já que, no final, é o líder quem tem que resolver os problemas. Eles precisam tomar a iniciativa, em oposição a ser vítimas da situação. Líderes da consciência passada criaram os problemas que enfrentamos hoje: precisamos de líderes de uma nova consciência para resolvê-los. A maioria dos modelos de negócios e liderança atuais é visivelmente inadequada; as provas da disfunção estão por todos os lados. No local de trabalho, o nível de comprometimento dos funcionários está assustadoramente baixo por todo o mundo. 

Os últimos anos trouxeram o início da compreensão de que precisamos repensar as bases fundamentais do capitalismo, começando pela ideia de que o capitalismo está baseado unicamente na busca de interesses egoístas materialistas e de pessoas com mentes fechadas. Os seres humanos têm diversos impulsos primais, incluindo a necessidade de sobreviver e de cuidar. Amor e trabalho definem o que é ser humano. A filosofia do Capitalismo Consciente que está emergindo trata de misturar os dois. Começa perguntando: “Qual é o propósito dos negócios?”. A resposta é: não é maximizar lucros, mas elevar a humanidade, atendendo às necessidades reais, oferecendo trabalho significativo, espalhando prosperidade e possibilitando às pessoas viverem vidas mais satisfatórias e humanas. 

Tornar-se um líder consciente requer uma jornada de transformação. Você não se torna um líder consciente apenas fazendo o curso de “O que os líderes fazem”. São necessárias mudanças mais profundas para conectá-lo com bases novas e verdadeiras de consciência e poder. A obra-prima de Joseph Campbell, A Jornada do Herói, traça perfeitamente o caminho para a liderança e os negócios modernos. Você precisa ultrapassar a sua zona de conhecimento. É muito trabalhoso e você encontrará muitos obstáculos no caminho.

Nós acreditamos que todos os líderes de hoje – homens e mulheres – precisam se tornar inteiros integrando as naturezas masculina e feminina. Todos os líderes têm que acessar seus poderes verdadeiros e liberar a criatividade e as suas habilidades de crescimento inclusivo para ajudar a solucionar diversas crises que se apresentam em variadas frentes: econômica, social, política, cultural e do meio ambiente.

Capítulo 1 – Buscando Shakti 

Shakti é o poder que alimenta tudo. Shiva representa a consciência e Shakti representa a energia. Um precisa do outro. Shakti precisa de Shiva para se materializar, senão ela fica caótica; Shiva sem Shakti fica inerte e estéril. Shakti é vista como altissimamente inteligente e infinitamente variada. Ela representa todo o espectro de energias que formam o universo. É o combustível, o poder dinâmico, a energia cósmica primordial que manifesta o mundo e dá sustentação a ele. 

Apesar de pós-graduações e das armadilhas do sucesso, se não estamos enraizados no nosso próprio poder criativo – nosso Shakti pessoal -, nós somos apenas uma carcaça sem alma, um carro sem combustível: um ser sem princípio vital. Nós não conseguimos chegar a nenhum nível de domínio sem antes percebermos e acessarmos este poder verdadeiro. Mas ele tem que ser exercido com responsabilidade e não para servir a interesses próprios de mentes limitadas.

Em nosso mundo, nas nossas vidas e na liderança, as pessoas frequentemente entram em jogos de poder egocêntricos e gerados através do medo. Essa transação de poder sempre resulta na dualidade perda-ganho. Ela é baseada no pressuposto de que não há poder suficiente para todos, que é preciso extrair ou roubar poder às pessoas à sua volta.

Shakti é um combustível abundante, ilimitado, o poder da vida que faz os elétrons se mexerem, as galáxias crescerem, as sementes germinarem e as árvores florescerem. Aprendendo a se ligar a essa fonte ilimitada, você pode ter poder “com” os outros, em vez de poder “sobre” os outros. 

Shakti é considerada intrinsecamente feminina e é personificada na tradição iogue em várias deusas. Como fonte de todas as coisas, Shakti é personificada e referida como “A Mãe Divina”, que é considerada por adoradores e praticantes de ioga como um ser com quem eles podem dialogar e ter um relacionamento consciente. Por todo mundo, sociedades, culturas, religiões, filosofias, formas de arte e literatura fazem referência e se carregam da energia feminina personificada na Mãe Deusa. Boa parte da existência física recebe uma identidade feminina, como quando nos referimos à Mãe Natureza e Mãe Terra.

No entanto, em toda a história da humanidade, o feminino foi controlado e subjugado ao masculino, que secretamente teme a infinita profundidade e poder criativo da Mãe. 

A cultura de negócios prevalecente é hipermasculina e deprecia a maioria das qualidades femininas. Para equilibrar-se e integrar-se, as organizações de todos os tipos precisam valorizar e cultivar as qualidades e a energia femininas na sua cultura – tanto para homens quanto para as mulheres. 

Em todos há um elemento feminino, que é diferente, mas está entrelaçado com os elementos masculinos. Há uma razão para isso, gerar a tensão criativa interna, a partir da qual a evolução pode avançar em direção à sua própria realização. Precisamos equilibrar essa diversidade interna, de tal forma que ela permita a cada indivíduo encontrar livremente , ele mesmo, seu próprio equilíbrio de expressão. 

Capítulo 2 – Liderando com Shakti 

A liderança Shakti é um modelo de liderança poderoso e prático que conscientemente compensa as energias masculinas e femininas para curar, restaurar o equilíbrio e evoluir o planeta. Ela representa a síntese de algumas das melhores práticas e caminhos pessoais de aprendizagem. Ela foca no desenvolvimento de habilidades femininas há muito ignoradas, equilibrando-as e integrando-as com recursos tradicionalmente masculinos. 

O modelo tradicional de liderança foi arquitetado para combates e competições, com foco na sobrevivência, conquista e derrota do inimigo. A liderança tradicional é hierárquica e a posição determina o poder e a autoridade. As decisões são tomadas de cima para baixo e seguem procedimentos padrões e rotineiros, e a disciplina e aceitação inquestionável são vistas como chave para atingir o objetivo desejado. A disposição de sacrificar-se é vista como chave para ganhar, enquanto os fins parecem justificar os meios. Dependendo de como se olha, esse modelo de liderança masculino tem sido bem-sucedido; certamente ele está durando bastante tempo. Os pontos positivos associados com a liderança masculina incluem disciplina, foco e feitos extraordinários sob pressão – mas muitas vezes ela vem com um custo altíssimo ao ser humano. 

A liderança Shakti é uma adaptação do modelo de liderança consciente desenvolvido por um grupo de facilitadores e coaches na Índia, chamada ChittaSangha (Colaborativo Consciente). O modelo de liderança consciente é baseado no liderar com profundidade, começando de dentro para fora. É uma abordagem de liderança originada na consciência, a fonte máxima de tudo. Acessando essa fonte, podemos cultivar um estado de ser, do qual vem o que chamamos de Presença – um estado, no qual você não está preocupado com o passado nem com o futuro, mas está muito à vontade no momento presente.

Por que liderar com Shakti, se você já é uma pessoa e um líder consciente? Ser consciente implicaria que a consciência Shiva está desperta moderadamente em você. Você está mais autoconsciente e consegue refletir profundamente sobre as suas escolhas e o impacto que elas têm no mundo. No entanto, se quiser fazer uma mudança positiva real e duradoura, você vai precisar da instrumentalização de Shakti, o poder que abastece essa mudança. Na ioga, esse poder é muito respeitado, procurado e utilizado para compreender situações, pois ele modela as mudanças por si só. Nós podemos ser líderes muito conscientes, mas sem Shakti nós não conseguiremos atingir a mudança e as transformações necessárias nos tempos críticos atuais. 

Capítulo 3 – Presença: a chave mestra 

Como descrevemos anteriormente, a crise que vivemos coletivamente é de liderança e consciência. Para superarmos essa crise, precisamos, em primeiro lugar, fazer uma jornada dentro de nós mesmos para descobrir a sabedoria e as respostas que estão para ser encontradas dentro de nosso ser. Para isso, primeiro precisamos cultivar a Presença, um estado de ser, em contato consciente e constante com seu próprio ser superior e a fonte de nosso Shakti. Quando estamos na Presença, percebemos completamente e aceitamos seja lá o que for que estiver acontecendo dentro de nós – nossas resistências, tristezas e medos.  

Nós definimos a Presença como um profundo senso de consciência do momento presente; um estado de “flow” consciente, onde experimentamos equilíbrio, completude, conexão e satisfação, tanto internamente quanto em relação aos sistemas macro, dos quais nós somos parte. É um estado em contato constante e consciente com seu eu-superor enquanto está em “flow” com tudo o que existe. 

Você simplesmente não pode ser um líder consciente se não estiver completamente presente. O líder não só tem que parecer calmo, como também deve estar calmo para sua equipe e organização. Presença executiva é uma competência que está ganhando popularidade em muitas corporações como necessária para se chegar a papéis de liderança seniores. Aspectos-chave da Presença executiva incluem a confiança, o equilíbrio e a determinação, e todos ajudam a transmitir uma sensação de seriedade. Habilidades de comunicação, assertividade e a capacidade de avaliar uma situação ou audiência são outras qualidades importantes. Pessoas com forte Presença executiva têm carisma ou magnetismo e podem influenciar outros fortemente. Eles falam com clareza e energia, têm linguagem corporal forte e boa postura. Em muitas empresas, a Presença executiva é um fator significativo para determinar quem vai ser promovido. 

Mantendo essa poderosa presença de Shakti dentro de você, irradie-a em todas as direções à sua volta, enviando-a através de seus sentidos. Determine-se a levar isso para sua liderança enquanto cultiva o próximo sinal da Presença, que é um Sonar Sensível. A consequência desse estado de Sonar Sensível é que você se torna um indutor energético. Líderes que estão completamente presentes têm a habilidade de acalmar os outros. Quando você entra na Presença dele, há um campo energético que te induz e acalma só de entrar na sua vibração. Em sua mente, abrace as pessoas em seu espaço e na sua vida. 

Capítulo 4 – A jornada heroica 

Entrar na Liderança Shakti requer submeter-se a uma jornada heroica com elementos míticos e arquetípicos. Quando você reforma a sua jornada de liderança como um mito pessoal, tal funciona para além dos fatos e da cognição racional, engajando e ativando forças universais dentro do inconsciente coletivo e pessoal. Esta é a maneira mais inspiradora e poderosa para transformar seu cotidiano numa vida plena e autoatualizada.  

Há um elemento de perigo numa crise, mas há também um ponto crucial nela. A crise carrega a oportunidade. Como Robin Sharma escreveu: “Atrás do seu pior medo está sua melhor vida”.

Não dá para evitar ou ignorar. A única saída é atravessar; você tem que enfrentar seu pior medo, que é sua sombra. Nesse confronto, há um grande crescimento pessoal; algo novo surge no seu ser. Um novo Shakti é despertado em você à medida que desenvolve novas capacidade e dá oportunidade para um novo poder latente. Agora, ele está descoberto e o efeito é transformador. O fato de ainda estar de pé depois de uma jornada significa não apenas que você sobreviveu à sua crise, mas de fato ela o tornou mais poderoso e resiliente. Depois dessa transformação, você volta ao mundo normal e continua o seu crescimento. O ciclo só se completa quando você compartilha o dom que aprendeu com o mundo. 

Vejamos como a jornada difere de homem para mulher. A jornada do herói é uma busca de poder. Em algum lugar bem lá dentro, o homem não está em contato com seu próprio poder. Na busca por esse poder, ele obtém significado e compreensão. Ele também busca sabedoria porque ela lhe traz poder. É uma jornada baseada nos pensamentos e na mente. Seu maior medo é falhar – não conseguir o que se propôs a fazer. Os recursos que o herói têm disponíveis são liberdade, direção, lógica, razão, foco, integridade, estabilidade, paixão, independência, disciplina, confiança, percepção, autenticidade e força – recursos tradicionalmente considerados masculinos. 

A jornada da heroína é uma busca por amor. O domínio do seu trabalho e da sua jornada não é tarefa e aventura como é para os homens, mas relacionamento e romance. Quando a heroína busca e acha o amor que buscava dentro de si mesma, ela se torna psicologicamente e verdadeiramente livre. Ela tem a ilusão de que algum amor externo ou amante externo possa completá-la. Intuindo a ligação fortíssima que elas têm com seus patriarcas interiores e exteriores, as mulheres querem ser donas soberanas de suas vidas; elas querem liberdade. Quando uma mulher busca e chega à sua própria fonte interna de amor, ela ganha aquela liberdade para ela mesma. 

Capítulo 5 – Tornando-se pleno 

A primeira habilidade da Liderança Shakti é a plenitude. Por plenitude, nós queremos dizer a capacidade de equilibrar, integrar e unir todas as partes divididas e fragmentadas de alguém. É o único estado, no qual podemos acessar todo o nosso poder. 

Há uma qualidade aguda de vivacidade em ser pleno. O pleno é de fato maior que a soma das partes; quando atingimos plenitude em qualquer dimensão, nós transcendemos as qualidades das partes individuais sendo integradas e, ao mesmo tempo, ainda somos capazes de expressar seus aspectos únicos e diversos. 

Plenitude está indissoluvelmente amarrada à saúde e ao bem-estar. As perspectivas iogue, taoista e ocidental oferecem três visões para pensarmos sobre a plenitude. A visão iogue de saúde e bem-estar é profundamente espiritual, expressada em termos de transcendência. A vida começa com o divino ou espírito, que são inerente e eternamente plenos. O espírito se manifesta em corpo e mente. Uma vez que a vida extrai continuamente da fonte espiritual, doenças e disfunções resultam quando alguém é separado dela. Naturalmente, a volta ao bem-estar requer a conexão com o espírito, a fonte original da plenitude. 

A visão taoísta de plenitude é expressa em termos de equilíbrio. O conceito de equilíbrio ou a ordem universal da vida é chamada de Tao. Ela mantém seu equilíbrio dinâmico através da interação de duas forças iguais, opostas e completamente chamadas yin e yang. A interação de yin yang produz a energia vital original chamada Qi. Tudo, inclusive os seres humanos, refletem essa dualidade essencial. O aspecto yang é masculino, ativo, forte e racional, enquanto o aspecto yin é feminino, receptivo, suave e emocional. 

Visão ocidental. Na maioria dos campos de pensamento ocidental, o conceito de plenitude é difícil de encontrar. O conceito ocidental de plenitude mais atraente vem do trabalho de ego-sombra de Carl Jung. Todos temos uma sombra ou um lado negro que consiste de nossas partes reprimidas, negadas, rejeitadas. Se não reconhecermos isso, ela pode nos impedir de realizar todo o nosso verdadeiro potencial. Se não ficarmos conscientes do inconsciente, ele pode mandar na sua vida. Como Jung disse: “A lei psicológica diz que, quando uma situação interna não é levada à consciência, ela acontece externamente como destino”. Isso também nos impede de conectar e colaborar verdadeiramente com pessoas à nossa volta; como o ditado diz: “Nós julgamos nos outros o que negamos em nós mesmos”. 

Capítulo 6 – Cultivando a flexibilidade 

Um líder consciente precisa ser flexível. Nós definimos a flexibilidade como “a capacidade de mudar de sintonia facilmente, e dobrar sem quebrar, de acordo com o que pede a situação ou o contexto”. Exemplos de flexibilidade são abundantes na natureza. A árvore de bambu recebe sua resiliência da sua capacidade de ser flexível; ela se dobra, mas não quebra sob o vento. Um camaleão sabe como alterar as cores para se adaptar ao seu contexto, a fim de sobreviver e prosperar. Os líderes também precisam ser capazes de dobrar, mas não quebrar, adaptando-se às circunstâncias de uma maneira fundamentada, sem sacrificar os seus valores fundamentais. 

A primeira coisa a fazer, quando se sente perseguido, acuado, é deixar de ser vítima e assumir o papel de criador, reestruturando a coisa toda. Coloque-se num papel de criador e pergunte-se como você pode jogar com essa dinâmica.

Veja o perseguidor como um desafiante, e procure ajuda de um coach, se precisar. Pergunte como essas duas pessoas podem ensiná-lo e servi-lo: o que pode aprender com elas? 

Pensar em si mesmo como uma vítima das circunstâncias vem de um lugar de impotência. Passe para o papel de criador. Se você tivesse que assumir a responsabilidade por sua experiência e como ela está sendo para você, o que faria? Se o contexto não é bom para você, mude-o; não aceite o inaceitável. Assuma a responsabilidade pela situação e por sua experiência com ela. 

Quando você é o criador, coloca o perseguidor no papel de desafiante. Pense nisso: se você treinar com alguém mais forte que você, ou se correr com um marcador de cadência, eles vão revelar o seu potencial e ajudá-lo a alcançar o seu objetivo. Eles fazem você reconsiderar o que achava que era o seu limite. 

Líderes conscientes são flexíveis. Eles sabem como obter Shakti de todas as diferentes forças disponíveis e usar cada uma conforme necessário; eles não se fixam em qualquer forma específica de ser ou fazer as coisas. Eles se adaptam, desaprendem e aprendem com agilidade, alavancando todas as polaridades com a Presença. 

Capítulo 7 – Alcançando a congruência 

Nós definimos a congruência como a capacidade de ser centrado, autêntico e alinhado com a própria finalidade, tanto internamente (como se sente) quanto externamente (como se age). Lembre-se de que chegar à totalidade era sobre “entrar” para reunir todas as partes fragmentadas de si mesmo. A capacidade seguinte, a flexibilidade, era sobre “agir” como um líder proativo e envolver-se com a vida em vez de apenas reagir a ela. Congruência é sobre “sair”, aventurar-se no mundo para estar a serviço de uma forma que é exclusivamente sua. Líderes conscientes sabem qual é o propósito deles, sabem a história deles, sabem de onde vieram e para onde estão indo. Eles estão vivendo sua vocação pessoal única – swadharma

Lideres Shakti são audaciosamente ambiciosos, mas não para si mesmos. “Não se trata de construir empresas maiores, mas a respeito de servir algo maior”, diz John Gerzema, coautor de The Athena Doctrine (A doutrina de Atena). “Há tanto cinismo que as pessoas estão em ganhos de curto prazo. Liderança, hoje em dia, diz respeito a levar as pessoas para um futuro melhor. Isso é uma longa viagem.” 

Para viver seu propósito, a sua swadharma, você pode se servir de um eneagrama. O eneagrama é um sistema de tipificação de personalidade bem conhecido. De acordo com A Sabedoria do Eneagrama, você pode estar carregando um (ou mais) desses nove dons inatos: 

  1. Eu vivo para um propósito maior. 
  1. Eu me nutro e nutro os outros. 
  1. Eu elevo o padrão e dou o exemplo. 
  1. Eu me crio e me renovo constantemente. 
  1. Eu trago clareza e discernimento, sem julgamento ou expectativa. 
  1. Eu acredito em mim mesmo e confio nos outros. 
  1. Eu celebro com alegria e compartilho a felicidade. 
  1. Eu defendo, falo abertamente e ajo com coragem. 
  1. Eu trago cura e harmonia para o mundo. 

Depois de saber de qual poder inato você pode se abastecer, deve escolher em qual destes três domínios você pode colaborar com a humanidade: 

  • O Bem: fazer o que é certo para o mundo. 
  • A Verdade: busca e expansão do conhecimento humano. 
  • A Beleza: excelência e criação de beleza. 

Capítulo 8 – A promessa da liderança Shakti: um mundo pleno e livre 

O poder, e mesmo a existência de Shakti, têm sido firmemente negados, talvez porque ele tenha sido visto como uma ameaça para as estruturas tradicionalmente patriarcais da sociedade. Aqueles que estão com as rédeas do poder há muito sentiram, e talvez secretamente temiam, esse poder de vida feminino potente das mulheres. Assim, eles procuraram mantê-lo no cabresto e preso para servir a seus sistemas patriarcais. Para evitar que esse poder manifestasse a sua grandeza, concordamos com uma amnésia coletiva: optamos por aceitar implicitamente a fabulação de que qualidades femininas são inferiores às masculinas. Assim, o patriarcado foi, e continua sendo, autorizado a se sentir no controle quase total dos processos incertos da vida e do destino. 

Por isso, o poder e dinheiro baseados no ego têm sido vistos como “os únicos jogos da cidade”. É hora de despertar para a revigorante realidade de que há jogos muito maiores, melhores e mais gratificantes na cidade.

Nós entrevistamos muitos líderes e especialistas em liderança para escrever este livro. O que nos surpreendeu foi que a maioria dos comportamentos, habilidades, e de atitudes necessárias que eles esperavam como essenciais para o desenvolvimento humano era fundamentalmente feminina, isto é, aspectos de Shakti. Em muitos casos, as pessoas nem sequer sabiam que esses elementos são femininos. É por isso que Shakti parece com o elefante invisível na sala. 

Joseph Campbell era um forte defensor de um novo “mito-único”, que ele sentia ser essencial para a humanidade sobreviver. O movimento Capitalismo Consciente está tentando criar uma nova mitologia para os negócios – uma em que o negócio tenha um propósito maior que não só o lucro, líderes conscientes que sejam maduros e plenamente humanos, culturas nas quais as pessoas cuidam umas das outras, desenvolvidas a partir do amor e confiança, e parcerias ganha-ganha com todas as partes interessadas. 

Esse movimento chega num momento em que a era digital leva a economia para uma nova fase. É grandemente exemplificado e conduzido por empreendedores com mentes e corpos jovens, que não carregam a carga de mitos ultrapassados dos negócios antigos, baseados numa visão que agora é amplamente reconhecida como egoísta, utilitária e tacanha. Eles prosperam com o poder de novas ideias e funcionam como criadores que estão reimaginando o mundo, em vez de tentar mudar gradualmente as instituições que já estão cheias de bagagem, incapazes ou não de se adaptar aos novos tempos. 

Devemos escolher o novo mito com sabedoria, conscientemente abraçando o poder coletivo do feminino e do masculino para libertar o espírito heroico dos negócios, com o fim de elevar a humanidade. Todo o resto vai se encaixar naturalmente: a visão, as capacidades, os valores, as competências, os comportamentos e os resultados desejados para a liderança e para a empresa.   

Ficha técnica

Título: Liderança Shakti: o equilíbrio do poder feminino e masculino nos negócios 

Título original: Shakti Leadership 

Autores: Nilima Bhat e Raj Sisodia 

Primeira edição: Alta Books