Mindset

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A nova psicologia do sucesso, por Carol S. Dweck

Publicado em 6 de novembro de 2020

Ideias centrais:

1- Você pode perceber como a crença de que é possível desenvolver as qualidades desejadas cria paixão pelo aprendizado. Por que perder tempo provando suas grandes qualidades, se você pode se aperfeiçoar?

2- Para os de mindset de crescimento, sucesso significa fazer o melhor possível, aprender e superar-se. E isso é o que encontramos nos campeões. “Para mim a alegria do atletismo nunca está somente no fato de vencer. Encontro tanta satisfação no processo quanto nos resultados”, diz Jack Joyner-Kersee.

3- A expressão “doce vingança”, que exprime a ideia de que com a vingança vem a redenção, deve ter sido cunhada por pessoas de mindset fixo, porque pessoas de mindset de crescimento não têm grande interesse em vingar-se.

4- Se os pais querem dar um presente aos filhos, a melhor coisa que podem fazer é ensiná-los a encarar desafios, ficar intrigados com seus erros, desfrutar do esforço e se manter aprendendo. Dessa forma, seus filhos não serão escravos do elogio.

5- Esses planos concretos – que você é capaz de visualizar – sobre quando, onde e como vai fazer alguma coisa, aumentam a possibilidade de êxito. Assim, a ideia não é só ter um plano de mindset de crescimento, mas também agir coerentemente para executá-lo.

Sobre a autora:

Carol S. Dweck, ph.D., é autoridade mundial nos campos da personalidade e psicologia social. Lecionou na Universidade Columbia e atualmente leciona na Universidade Stanford. Faz parte da Academia Americana de Artes e Ciências. Publicou também Self-Theories: Their Role in Motivation, Personality, and Development.

Capítulo 1 – Os mindsets

Acreditar que suas qualidades são imutáveis – o mindset fixo – cria a necessidade constante de provar a si mesmo seu valor. Se você possuir apenas uma quantidade limitada de inteligência, determinada personalidade e certo caráter moral, nesse caso terá de provar a si mesmo que essas doses são saudáveis. Não lhe agradaria parecer ou ser deficiente quanto a essas características fundamentais.

Em outro mindset, as cartas recebidas constituem apenas o ponto de partida do desenvolvimento. Esse mindset de crescimento se baseia na crença de que você é capaz de cultivar suas qualidades básicas por meio de seus próprios esforços. Embora as pessoas possam diferir umas das outras de muitas maneiras – em seus talentos e aptidões iniciais, interesses ou temperamentos -, cada um de nós é capaz de se modificar e desenvolver por meio do esforço e da experiência.

Você pode agora perceber como a crença de que é possível desenvolver as qualidades desejadas cria uma paixão pelo aprendizado. Por que perder tempo provando constantemente a si mesmo suas grandes qualidades, se você pode se aperfeiçoar? Por que ocultar as deficiências em vez de vencê-las? Por que procurar amigos ou parceiros que nada mais farão do que dar sustentação à sua autoestima, em vez de outros que o estimularão efetivamente a crescer? E por que buscar o que já é sabido e provado, em vez de experiências que o farão desenvolver? A paixão pela busca de seu desenvolvimento e por prosseguir nesse caminho, mesmo (e especialmente) quando as coisas não vão bem, é o traço distintivo do mindset de crescimento. Esse é o mindset que permite às pessoas prosperar em alguns dos momentos mais desafiadores de suas vidas.

O que também constitui novidade é que as ideias das pessoas a respeito de risco e esforço derivam de seus mindsets mais básicos. Não se trata somente do fato de que algumas pessoas são capazes de reconhecer o valor de desafiar a si mesmas e a importância do esforço. Nossa pesquisa demonstrou que isso deriva diretamente do mindset de crescimento. Quando ensinamos a alguém esse mindset, cujo ponto focal é o desenvolvimento, as ideias sobre desafio e esforço vêm em seguida.

Qual é o seu minset? Responda a estas perguntas sobre inteligência:

  1. Sua inteligência é algo muito especial, e você não pode transformá-la demais.
  2. Você é capaz de aprender coisas novas, mas, na verdade, não pode mudar seu nível de inteligência.
  3. Qualquer que seja seu nível de inteligência, sempre é possível modificá-la bastante.
  4. Você é capaz de mudar substancialmente seu nível de inteligência.

As afirmativas 1 e 2 referem-se ao mindset fixo. As de número 3 e 4 refletem o mindset de crescimento. Com qual dos dois  grupos você concorda mais?

Capítulo 2 – Por dentro dos mindsets

Os que têm mindset de crescimento concordam com a firmação: “Você tem sempre a possibilidade de mudar substancialmente seu nível de inteligência”. Podemos constatar mindsets fixos ou de crescimento nas atitudes de conhecidos empresários e grandes CEOS.  Lee Iacocca escolheu a opção do mindset fixo. Cercou-se de adoradores, exilou os críticos e rapidamente perdeu o contato com o rumo que seu campo de atividade iria trilhar. Tornou-se uma pessoa que já não aprendia. Nem todos, porém, pegam a doença dos CEOS. Muitos grandes líderes enfrentam regularmente suas deficiências. Ao refletir sobre seu extraordinário desempenho na Kimberly-Clark, Darwin Smith declarou: “Nunca deixei de tentar estar à altura de meu cargo” Esses homens jamais deixaram de seguir o curso suplementar.

Os CEOS enfrentam outro dilema. Podem preferir estratégias de curto prazo que aumentem o valor das ações da firma e façam com que pareçam heróis. Ou podem trabalhar em busca de aperfeiçoamento de longo prazo, arriscando-se à desaprovação de Wall Street, ao lançar as bases para a saúde e o crescimento da empresa num prazo mais longo.

Albert Dunlap, que confessava possuir mindset fixo, foi levado à firma Sunbeam para reorganizá-la. Preferiu a estratégia de curto prazo: aparecer como um herói para a Bolsa de Valores. As ações se valorizaram, mas a firma se esfacelou. Lou Gerstner, que afirmava ter mindset de crescimento, foi chamado para reformular a IBM. Ao decidir-se à imensa tarefa de mudar a cultura e as políticas da empresa, os preços das ações estagnaram, e a Wall Street torceu o nariz. Ele foi considerado um fracasso. Pouco depois, no entanto, a IBM voltou à liderança em seu campo de atividade.

É evidente que pessoas de mindset de crescimento prosperam ao ir além dos limites. E como prosperam as pessoas de mindset fixo? Quando as coisas estão seguramente ao seu alcance. Se as coisas forem muito desafiadoras – se não se sentirem inteligentes nem talentosas -, elas perdem o interesse.

A ideia de que uma nota seja capaz de avaliar para sempre uma pessoa é o que cria a urgência para aqueles, cujo mindset é fixo. Há outra forma de avaliar o potencial? A Nasa acha que sim. Ao solicitar inscrições para futuros astronautas, a agência espacial rejeitou pessoas que apresentavam históricos de puro sucesso e selecionou as que tinham experimentado fracassos significativos e se recuperado. Jack Welch, o aclamado CEO da General Electric, escolhia seus executivos com base na “pista de decolagem”, a capacidade de crescimento deles. Todos rejeitavam a ideia das capacidades imutáveis e, em vez disso, selecionavam segundo o mindset.

Capítulo 3 – A verdade sobre aptidão e realização

O que acabou por distinguir Thomas Edison foram seu mindset e sua tenacidade. Ele nunca deixou de ser um menino curioso que gostava de mecânica e procurava novos desafios. Muito depois que outros jovens já haviam adotado os papéis que desempenhariam na sociedade, ele viajava de trem de cidade em cidade para aprender tudo o que pudesse sobre telegrafia, tornando-se cada vez mais capacitado entre os telegrafistas por meio de incessante autodidatismo e invenção. Mais tarde, para grande decepção de suas esposas, o autodesenvolvimento e as invenções continuaram a ser seu grande amor, porém unicamente em seu campo da atuação.

A transição para o ensino médio é uma época de grande desafio para muitos estudantes. As tarefas ficam bem mais difíceis, os critérios de avaliação mais severos e o ensino muito menos personalizado. E tudo isso acontece no momento em que os alunos estão às voltas com seus novos corpos e papéis de adolescentes. Suas notas ficam prejudicadas, mas o desempenho dos alunos não apresenta os mesmos prejuízos.

Realmente, não. Em nosso estudo, só os alunos de mindset fixo apresentavam declínio nas notas. Houve uma redução imediata e gradual, mas indiscutivelmente, seu desempenho foi ficando cada vez pior durante os dois anos. Os de mindset de crescimento tiveram aumento em suas notas durante este período.

No início do semestre (curso de química preparatório à medicina), verificamos os mindsets dos estudantes e, em seguida, os acompanhamos durante o curso, observando as suas notas e fazendo perguntas sobre o andamento de seus estudos e sobre suas estratégias. Novamente comprovamos que os alunos de mindset de crescimento obtinham melhores notas. Mesmo quando iam mal numa prova, recuperavam-se nas seguintes. Quando os de mindset fixo não de davam bem, frequentemente não conseguiam recuperação.

Os alunos de mindset de crescimento dominavam completamente seu aprendizado e sua motivação. Não mergulhavam numa memorização irrefletida da matéria em curso. Conforme disseram: “Procurei traçar linhas gerais e princípios básicos enquanto assistia às aulas”, ou “Examinei meus erros até certificar-me de que os havia compreendido”. Estudavam para aprender e não apenas para passar na prova. Na verdade, por isso tiravam notas melhores, e não por serem mais inteligentes ou porque tivessem se preparado melhor anteriormente.

Desenvolva seu mindset:

  • Pense em seu herói. Você acha que essa pessoa tem capacidades extraordinárias e que teve sucesso com pouco esforço? Agora procure a verdade. Compreenda o tremendo esforço necessário para as suas realizações – e passe a admirá-la ainda mais.
  • Pense nas vezes em que outras pessoas fizeram mais do que você e você simplesmente acreditou que eram mais inteligentes ou mais talentosas. Agora, pense na ideia de que elas apenas utilizaram melhores estratégias, aprenderam mais com esforço próprio, praticaram com mais afinco e conseguiram ultrapassar obstáculos. Você também pode fazer isso, se quiser.

Capítulo 4 -Esportes: o mindset de um campeão

Michael Jordan tampouco foi um talento nato. Talvez tenha sido o atleta mais dedicado da história do esporte. Todos sabem que ele foi cortado da seleção de basquete do ensino médio, e hoje ridicularizamos o técnico que o recusou. Não foi recrutado pela universidade onde queria jogar (Universidade da Carolina do Norte). Bem, eles foram tolos. Não foi chamado para as duas primeiras equipes da NBA que poderiam tê-lo convocado. Que erro. Como hoje sabemos que ele foi o maior jogador de basquete de todos os tempos, achamos que isso deveria ter sido evidente desde o início.

Quando foi cortado da equipe na escola, ficou arrasado. A mãe dele conta: “Eu lhe disse que voltasse lá e que fosse disciplinado”. E ele a ouviu. Saía de casa às seis da manhã para treinar antes das aulas. Na Universidade da Carolina do Norte, trabalhou constantemente para aperfeiçoar suas fraquezas – o jogo defensivo, o manuseio da bola e os arremessos à cesta. O técnico ficou espantado com a disposição dele de se dedicar com mais empenho do que qualquer outro jogador. Mesmo no auge de seu sucesso e fama, depois que se transformou num atleta genial, sua obstinação nos treinos se tornou lendária.

Caráter é o que lhe permite alcançar o topo e permanecer lá. Darryl Strawberry, Mike Tyson e Martina Hingis chegaram ao topo, mas não permaneceram lá. Seria por terem vários problemas pessoais e sofrerem contusões? Sim, mas isso aconteceu também com outros campeões. Ben Hogan foi atropelado por um ônibus e ficou fisicamente arrasado, mas conseguiu voltar ao topo. “Creio que a aptidão pode nos levar ao topo”, diz o técnico John Wooden, “mas é preciso caráter para manter-se no alto […]. É tão fácil […] começar e achar que você é capaz de ‘ligar-se’ automaticamente, sem uma preparação adequada. É preciso verdadeiro caráter para continuar a se esforçar, e se esforçar ainda mais, depois de chegar lá. Quando você ler alguma coisa sobre um atleta ou equipe que vence sempre, lembre-se: “Mais que habilidade, eles têm caráter”.

Para os de mindset de crescimento, sucesso significa fazer o melhor possível, aprender e se aperfeiçoar. E isso é exatamente o que encontramos nos campeões. “Para mim, a alegria do atletismo nunca esteve no fato de vencer”, diz Jakie Joyner-Kersee. “Encontro tanta satisfação no processo quanto nos resultados. Não me importo em perder, desde que veja que houve melhoria ou sinta que fiz o melhor que podia. Quando perco, volto aos treinamentos e trato de trabalhar mais”.

Capítulo 5 – Negócios: mindset e liderança

Consultores de negócio diziam: assim como há talento nato nos esportes, há também talento nato para os negócios. Assim como os clubes esportivos contratam talentos fenomenais por enormes somas de dinheiro, as empresas também não deveriam conter as despesas no recrutamento de talentos, pois essa é a arma secreta, a chave para vencer os concorrentes. Esse mindset do talento definiu a cultura institucional da Enron e semeou a sua ruína. A Enron recrutou grandes talentos, pessoas com títulos extraordinários, o que não é propriamente negativo. Pagava-os muito bem, o que não é condenável. Mas, confiando exclusivamente no talento, a Enron fez algo fatal. Ao criar uma cultura que adora o talento, a Enron obrigou seus funcionários a agir como se fossem extraordinariamente talentosos. Basicamente, obrigou-os a adotar o mindset fixo. E já conhecemos isso muito bem. Sabemos, por nossos estudos, que pessoas de mindset fixo não reconhecem suas deficiências nem as corrigem.

Malcolm Gladwell conclui que as pessoas que vivem num ambiente que as valoriza pelo seu talento nato têm graves dificuldades com qualquer ameaça à sua imagem: “Elas não seguem um caminho que resolva o problema. Não enfrentam os investidores e o público, admitindo que estavam erradas. Preferem mentir”.

O que diferencia as empresas progressistas das demais? Há diversos fatores importantes, como relata Jim Collins em seu livro Empresas feitas para vencer, mas um era absolutamente crucial: o tipo do líder que em todos os casos havia levado a firma à excelência. Não eram os tipos carismáticos, místicos, que destilavam ego e talento autoproclamado. Eram pessoas discretas que faziam perguntas constantemente e tinham coragem de enfrentar as respostas mais brutais, isto é, olhar de frente os fracassos, inclusive os próprios, sempre mantendo a fé no sucesso final.

Esses líderes sempre estão tentando melhorar. Cercam-se das pessoas mais capazes que conseguem encontrar, enfrentam diretamente seus próprios erros e deficiências e procuram saber com franqueza quais as qualificações de que eles mesmos e suas empresas necessitarão no futuro. Por causa disso, podem progredir com uma confiança baseada em fatos e não como resultado de fantasias a respeito de seu talento.

Capítulo 6 – Relacionamentos: mindsets apaixonados (ou não)

Vejamos relacionamentos rompidos, fracassados. Como os diferentes mindsets se comportam. A expressão “doce vingança”, que exprime a ideia de que com a vingança vem a redenção, deve ter sido cunhada por uma pessoa de mindset fixo, porque pessoas de mindset de crescimento não têm grande interesse em vingar-se. As histórias que contaram eram igualmente dolorosas, mas suas reações não poderiam ser mais diversas. Para elas, tratava-se de compreender, predoar e seguir adiante. Embora muitas vezes se sentissem profundamente feridas pelo que acontecera, queriam aprender com a experiência.

Há uma expressão francesa que diz: Tout comprendre c’est tout pardonner. Compreender tudo é perdoar tudo. É claro que isso pode ser um exagero, mas é um ponto de partida. Para as pessoas de mindset de crescimento, o objetivo principal era o perdão. Ouvi isto de uma mulher: “Não sou nenhuma santa, mas sei que foi para minha própria tranquilidade interior que tive de perdoar e esquecer. Ele me feriu, mas eu tinha toda uma vida pela frente e por nada neste mundo queria ficar vivendo no passado. Um dia, eu simplesmente disse: ’Boa sorte para ele e boa sorte para mim’”.

Até agora, ter mindset fixo significava acreditar que nossas características pessoais são fixas. Mas nos nossos relacionamentos aparecem dois outros elementos: o parceiro e a própria relação. Agora é possível ter mindset fixo com relação a três coisas. Pode-se acreditar que nossas qualidades sejam fixas, que as do parceiro sejam fixas e que as qualidades do relacionamento sejam fixas – que ele seja inerentemente bom ou ruim, que deva acontecer ou que não deva acontecer. Agora tudo isso é objeto de julgamento. Para o mindset de crescimento todas essas coisas podem ser aperfeiçoadas. Todas elas – você, seu parceiro e o relacionamento – têm capacidade para crescer e mudar.

No mindset de crescimento, a excitante chama inicial também pode acontecer, mas as pessoas com esse mindset não esperam por passes de mágica. Acreditam que um relacionamento bom e duradouro decorra do esforço e da vontade de resolver as inevitáveis diferenças.

Mas as pessoas de mindset fixo não aceitam isso. Lembram-se da ideia, fruto do mindset fixo, de que quem tem talento não precisa se esforçar? A mesma crença se aplica aos relacionamentos: se os parceiros são compatíveis, tudo deveria decorrer naturalmente.

Capítulo 7 – Pais, professores e técnicos esportivos: de onde vêm os mindsets?

Na verdade, cada palavra ou ação manda uma mensagem. Diz às crianças – ou aos alunos ou aos atletas – como devem pensar a respeito de si mesmos. Pode ser uma mensagem de mindset fixo, que diz: Você tem características permanentes e eu as estou avaliando. Ou pode ser uma mensagem de mindset de crescimento, que diz: Você é uma pessoa em desenvolvimento e eu tenho interesse em seu desenvolvimento.

Para pais (e professores): mensagens sobre sucesso e fracasso. Como encará-las? A insistência na inteligência ou no talento não faria com que as crianças – todas as crianças – ficassem ainda mais obcecadas? Por isso, tratamos de estudar esses aspectos. Depois de sete experiências com centenas de crianças, vieram à tona algumas descobertas: elogiar a inteligência das crianças prejudica sua motivação e seu desempenho. Como pode ser isso, se as crianças adoram ser elogiadas?

Claro, as crianças adoram elogios. E gostam especialmente de ser elogiadas por sua inteligência e seu talento. Sem dúvida, isso as estimula, as faz resplandecer – porém, apenas momentaneamente. No instante em que encontram uma dificuldade, a confiança desparece e a motivação desce ao mínimo. Se o sucesso significa que são inteligentes, nesse caso o fracasso significa que são burras. Eis o mindset fixo.

Os pais acham que podem dar às crianças confiança permanente – como um presente – ao elogiar seus cérebros e seu talento. Não funciona assim, e na verdade tem o efeito oposto. Faz com que as crianças duvidem de si mesmas, assim que qualquer coisa se mostrar difícil ou qualquer coisa der errado. Se os pais querem dar um presente aos filhos, a melhor coisa que podem fazer é ensiná-los a encarar desafios, ficar intrigados com seus erros, desfrutar do esforço e se manter aprendendo. Dessa forma, seus filhos não serão escravos do elogio e conseguirão construir e reparar a própria confiança por toda a vida.

Isso significa que não devemos elogiar entusiasticamente nossos filhos, quando fazem alguma coisa bem-feita? Podemos valorizá-los o quanto quisermos pelo processo que leva ao crescimento: o que conseguiram realizar por meio de exercícios, estudo, persistência e boas estratégias. E podemos fazer perguntas sobre seu trabalho de forma que reconheçamos e mostremos interesse em seus esforços e suas escolhas.

Sempre ouvimos a expressão “crítica construtiva”. Mas não meio óbvio que as pessoas acreditam que a crítica que fazem aos filhos seja construtiva? Por que criticariam, se não achassem que seria útil? No entanto, grande parte das críticas nada tem de útil. São cheias de julgamentos sobre a criança. Construtiva significa capaz de ajudar a criança a reparar alguma coisa, apresentar um produto melhor, trabalhar de maneira melhor.

Há recados também para educadores. Muitos deles acreditam que se baixarem os padrões seus alunos terão experiências bem-sucedidas, elevarão sua autoestima e seu nível de realização. Isso tem origem na mesma filosofia que aconselha a superelogiar a inteligência dos alunos. Bem, isso não funciona. Abaixar os padrões simplesmente gera estudantes pouco instruídos que se consideram com direito a se esforçar pouco e ser muito elogiados.

Capítulo 8 – Mudança de mindset

Em diversos estudos, investigamos a maneira pela qual as pessoas com mindset fixo tratam a informação que recebem. Descobrimos que avaliam com veemência cada elemento de informação. Uma coisa boa levava a um rótulo altamente positivo, e uma coisa ruim a um rótulo altamente negativo.

As pessoas de mindset de crescimento também observam constantemente o que acontece, mas seu monólogo interno não trata de julgar a si mesmas e aos demais dessa maneira. Sem dúvida, são sensíveis a informações positivas e negativas, mas estão afinadas com suas implicações para o aprendizado e a ação construtiva. Que posso aprender com isso? Como posso me aperfeiçoar? Como posso ajudar meu parceiro a fazer melhor?

O monólogo interno de um estudante pode passar de Sou naturalmente bem dotado. Não preciso estudar. Não preciso dormir. Sou superior para Estou perdendo minha capacidade. Não consigo entender as coisas nem lembrar de nada. Que sou agora?

E para: Não se preocupe tanto em ser inteligente. Não se preocupe tanto em evitar fracassos. Isso é autodestruidor. Vamos começar a estudar e dormir e seguir o curso da vida.

Um caso de estudantes que tinham que melhorar a nota de aprovação em matemática mostra o que vale trabalhar o mindset de crescimento. Foram feitos workshops com o fim de alcançar a melhoria das notas desses estudantes, um sem a insistência em métodos de mindset de crescimento e outro com essa abordagem. Antes dos workshops, as notas dos alunos de matemática haviam caído bastante. Mas depois, imaginem, as notas dos que tinham frequentado o workshop sobre mindset de crescimento mostraram um nível maior. Estavam tendo um desempenho visivelmente melhor do que os que tinham frequentado o outro workshop.

 O workshop sobre mindset de crescimento, que durou somente oito sessões, teve um grande impacto. Esse simples ajuste das crenças dos estudantes pareceu libertar seu poder mental e inspirá-los a trabalhar melhor e obter resultados. Os alunos que frequentaram o outro workshop não melhoraram. Apesar das oito sessões de treinamento em técnicas de estudo e outras coisas úteis, não mostraram progresso. Como não haviam aprendido a considerar suas mentes de maneira diferente, não tinham motivação para colocar em prática essas técnicas.

É claro que as pessoas sofrerão percalços e decepções, e nem sempre será fácil manter o mindset de crescimento. Porém, somente por saber disso elas descobriram outra forma de ser e agir. Em vez de permanecer prisioneiras de uma fantasia amedrontadora como a da Grande Escritora, do Grande Atleta ou do Grande Gênio, o mindset de crescimento lhes deu coragem para abraçar seus próprios objetivos e sonhos. E o mais importante, lhes forneceu uma maneira de trabalhar no sentido de torná-los realidade.

Pense em alguma coisa que você precise fazer, algo que queira aprender ou um problema que tenha que enfrentar. O que é? Agora, faça um plano concreto. Quando executará o plano? Onde o fará? Como fará? Pense em tudo, com detalhes claros.

Esses planos concretos – planos que você é capaz de visualizar – sobre quando, onde e como vai fazer alguma coisa, aumentam a possibilidade de êxito. Assim, a ideia não é somente um plano de mindset de crescimento, mas também visualizar, de maneira concreta, como irá executá-lo.

Resenha: Rogério H. Jönck

Imagens: Unsplash e Reprodução

Ficha técnica:

Título: Mindset – A nova psicologia do sucesso

Título original: Mindset: The New Psychology of Success

Autora: Carol S. Dweck

Primeira edição: Editora Objetiva