“O pensamento digital permite escalar e desescalar sem dor”

“O pensamento digital permite escalar e desescalar sem dor”

LIVE CFO Club expõe desafio das empresas brasileiras em se adaptar aos novos modelos de negócios

Publicado em 14 de abril de 2020

A esmagadora maioria das empresas tomou um choque de realidade com a crise desencadeada pelo coronavírus. Chegou o momento de entender que ser digital tem mais a ver com capacidade de adaptação, cultura e integração, do que deter tecnologia. Esses foram alguns dos insights do debate LIVE CFO Club realizado nesta segunda-feira, 13.04, com a moderação do CEO do Experience Club, Ricardo Natale, o vice-chairman do Bank of America, Ricardo Diniz, a CFO da SAS, Ednalva Costa, e o CFO/Chief Strategy Officer do iFood, Diego Barreto (do alto da imagem, da esq. para a dir.). A live teve patrocínio da Marsh e da Ticket, uma marca da Edenred Brasil.

Para o executivo do iFood, que está no centro de operações de um dos unicórnios mais impactados pela quarentena, a crise se revelou uma demonstração de como praticar todos os princípios dos novos modelos de negócios derivados da tecnologia em tempo real, com pouco espaço para planejamento.

A companhia sentiu a explosão de adesões de restaurantes à plataforma e o desafio agora é garantir com que essa adaptação seja a mais efetiva possível, considerando um universo de empreendedores que não tinha nenhum contato com qualquer modelo que não fosse a venda presencial.

“Esse momento valida a forma de pensar digital: as empresas baseadas em dados e tecnologia conseguem escalar e desescalar sem muita dor” – Diego Barreto

Para evitar o colapso de milhares de pequenas empresas, a companhia está fazendo um esforço de antecipação de recebíveis da ordem de R$ 2,5 bilhões a restaurantes conveniados, além de oferecer uma doação de R$ 50 milhões a fundo perdido para os estabelecimentos mais fragilizados. “Nós mudamos até o nosso propósito no meio dessa crise: vamos alimentar o maior número possível de pessoas garantindo o isolamento”, acrescenta.

APOIO NA INFRAESTRUTURA

Na SAS, uma empresa de soluções de tecnologia com forte presença em todo o mundo, as lições trazidas da Ásia, que correspondem a mais de 30% da sua receita global, foram importantes para preparar o time diante das contingências.

De acordo com a principal executiva financeira da companhia no Brasil, a primeira medida foi garantir a infraestrutura de tecnologia com a maior efetividade possível aos centros hospitalares e de atendimento aos pacientes da covid-19 em diversas partes do mundo. Em pouco mais de um mês, a SAS acumula diversos cases importantes de enfrentamento ao coronavírus.

Alguns deles são a digitalização de todo a comunicação de uma indústria farmacêutica no Reino Unido com o canal médico, o rastreamento de pacientes graves em UTI no sistema de saúde da Alemanha, planejamento de leitos hospitalares nos Estados Unidos e a análise do fluxo de movimentação de pessoas na Holanda para direcionar com mais precisão as ações de prevenção.

Atuando na contingência para minimizar o impacto financeiro na companhia, como todos estão fazendo, a SAS avalia que o nível de mobilização e engajamento aumentou bastante.

“A integração e colaboração entre as áreas aumentou: os times estão bem mais próximos na busca de soluções para os clientes” – Ednalva Costa

A empresa conseguiu, dessa forma, manter todos os colaboradores, restringir contratações necessárias temporariamente, mas com ganho de produtividade.

NOVA REALIDADE, NOVOS LÍDERES

Referência importante no mercado financeiro e de private equity, o vice-chairman do Bank of America destaca que o coronavírus levou o termo crise para outro patamar. O ponto mais importante é que não se trata de um choque econômico, mas humanitário. “Nós vínhamos de uma crise de Wall Street e agora estamos numa crise da Main Street”, compara.

Para o executivo, essa mudança tão rápida de paradigma traz novos papeis para liderança, o primeiro é ter a responsabilidade social para ajudar as pessoas mais necessitadas, seja na questão de saúde ou econômica. O outro ponto é repensar todo o modelo de negócios das empresas, que será outro daqui para frente.

“A digitalização ficou claríssima para todo mundo. Não há um senior manager que não esteja dentro de casa e vendo o quanto ele precisa acelerar o negócio. É um wake up call sem precedentes para as empresas” – Ricardo Diniz

Barreto se diz preocupado com o baixo nível de digitalização da economia brasileira e com o desafio que o mercado tem pela frente para entender o que essa mudança significa. À frente de um time de 700 engenheiros de tecnologia e outros 300 somente de machine learning, o iFood se tornou referência de empresa capaz de adaptar a estratégia, totalmente baseada em dados e automação de processos. Menos contato humano, menos fricção e mais inteligência de negócio.

“As empresas precisam entender que ser digital não é ter um ERP ou um sistema de estão. Nem é ser um Google ou uma Apple. É ter a capacidade para fazer as integrações que você precisa, permitir que os parceiros se integrem a você com soluções internas ou externas e a partir disso gerar inovação tecnológica”.

Texto: Arnaldo Comin

Imagens: Experience Club