“Sem resiliência não se sobrevive no mundo digital”

“Sem resiliência não se sobrevive no mundo digital”

Ana Bogus, da Rappi, fala sobre mudança de mindset na transição da indústria para mundo das startups

Publicado em 5 de março de 2020

Há pouco menos de quatro meses, Ana Paula Bogus assumiu o risco de deixar a vice-presidência da Kimberly Clark, empresa onde construiu durante 12 anos uma sólida carreira, para ocupar o cargo de Head Global de CPGs da Rappi, onde é responsável por tocar toda a operação de São Paulo, que representa 50% da receita da startup. 

Ela falou sobre os desafios deste novo momento no dia 5 de março para uma plateia de 260 CEOs, no Villaggio JK, em São Paulo, na Confraria de Economia, o primeiro encontro do calendário 2020 do Experience Club. “Eu estava bastante acomodada em um universo no qual transitava muito bem e nos quais as minhas competências estavam desenvolvidas. Quando me dei conta eu decidi arriscar a qualquer custo”.

Para a executiva, um de seus maiores aprendizados até o momento é que resiliência é o elemento-chave para sobreviver no mundo digital. Seu senso de urgência foi atualizado de dias para horas.

“No digital é preciso aceitar que vai dar errado. Por isso, mais que excelência é preciso resiliência”. 

Como uma de suas missões, Ana quer contribuir para construir uma cultura que seja capaz de reter talentos, já que a atrair os candidatos para o unicórnio de delivery está longe de ser um problema. Nesta semana, por meio de grupos de whatsapp de alunos e ex-alunos da Poli e FGV, eles divulgaram dez vagas para estagiários que em apenas dois dias já foram preenchidas. “Este é o lugar que mais leva a diversidade a sério no qual trabalhei. Se você é um ‘doer’ e quer fazer a diferença, é bem-vindo”. 

LIDERANÇA FEMININA IMPORTA 

Quando olhamos para o universo das startups, vemos um crescimento no número de empreendedoras que criaram empresas que se tornaram unicórnios. O ano de 2019 foi o melhor período da história para fundadores mulheres pelo mundo, segundo a base da dados da americana Crunchbase. Em 2018, havia 15 unicórnios com ao menos uma cofundadora do sexo feminino, já em 2019, foram 21. Por aqui, apenas um dos nossos unicórnios – que já atingiu a categoria de decacórnio – tem uma cofundadora mulher. É o Nubank, com Cristina Junqueira.

Ainda há muito espaço a ser conquistado, inclusive no setor de tecnologia. Um estudo divulgado pelo LinkedIn mostra que embora tenha sido o que mais evoluiu em contratações, com 18% de aumento no número em cargos de liderança de 2008 a 2016, as mulheres ainda representam apenas 20,6% das posições na chefia. “Este cenário só  vai mudar pelo exemplo. Por isso, tenho reservado parte da minha agenda para visitar universidades e conversar com as meninas. Mesmo na Rappi somos apenas eu e mais uma executiva ocupando cargos diretivos”. 

Texto: Luana Dalmolin

Imagem: Bruno Mooca | Experience Club