“Somente a diversidade com inclusão se traduz em alta performance e inovação”

“Somente a diversidade com inclusão se traduz em alta performance e inovação”

Em LIVE, executivos são unânimes ao afirmar que a alta liderança tem que comprar a ideia da diversidade

Publicado em 26 de agosto de 2020

Uma frase da executiva Verna Myers do Netflix tem circulado entre os executivos: “diversidade é chamar para o baile, inclusão é chamar para dançar”. Myers ocupa desde 2018 o cargo de vice-presidente de estratégias de inclusão na empresa de streaming. Cargos como o de Myers vem sendo criados dentro das organizações para tratar de um tema que é caro a qualquer empresa do século 21: a diversidade.

Pesquisas e estudos de consultorias renomadas como a McKinsey mostram que a diversidade só traz benefícios para as corporações, inclusive financeiros. Uma pesquisa da própria  McKinsey  mostra, por exemplo, que empresas com maior pluralidade em seus times alcançam resultados até 21% maiores que aquelas em que esta questão não é uma prioridade. 

Para debater este tema, especialmente do ponto de vista da alta liderança, o Experience Club recebeu em LIVE [assista na íntegra] nesta terça-feira, 25/08, Vítor Coff Del Rey, CEO do Instituto GUETTO, Karina Ude, HR Director da Syngenta, Clayton Pedro, Partner da FESA Group e Luciana Camargo, Global HR Vice President da IBM. A moderação foi feita pelo CEO Ricardo Natale. 

Confira os principais insights do debate, que contou com o patrocínio de Alelo e NewValue

Vítor Coff Del Rey, CEO do Instituto GUETTO

1- “O que esperamos é que as pessoas trabalhem para a inclusão dos negros porque há desigualdades e nós temos condições de reparar isso.” 

2- “Acreditamos que as pessoas darão passos justos se elas entenderem e se aprofundarem no tamanho da injustiça.”

3- “Na lógica similar a das cotas, algumas empresas têm usado processos seletivos intencionados. Esse pode ser um dos caminhos para a inclusão.” 

4- “Se um jovem negro é o único no processo seletivo, ele vai se sentir ameaçado. Se o recrutador não entender este contexto, ele não vai extrair o melhor dele.” 

5- “É preciso conhecer os dados socioeconômicos do seu país. Do contrário, você vai criar programas equivocados.” 

6- “No processo de seleção é preciso pensar quem é este jovem negro que você quer atrair. Raramente você vai encontrar todas as qualificações, como inglês fluente, por exemplo.” 

7- “Precisamos trazer para o nosso lado as pessoas com poder de impactar a estrutura do país.” 

8- “Precisamos investir em uma educação antirracista. Temos que pensar em como trabalhar toda a sociedade e então fazer as intersecções necessárias.”  

9-“É fundamental promover o letramento racial e isso tem que ser top-down.” 

10-) “A alta liderança precisa comprar a ideia da diversidade. E se fizermos o jogo do privilégio, as pessoas não vão comprar porque isso desperta nelas o sentimento de culpa.”

11-) “Queremos evitar a depressão. Não queremos incluir as pessoas em um mercado de trabalho com ambientes racistas e homofóbicos.”

Clayton Pedro, Partner da FESA Group

1- “É importante considerar de que lugar as pessoas estão falando. Acho que falta isso aos líderes, entrar em contato com diferentes realidades.” 

2- “A diversidade e a inclusão não são parte uma agenda só de líderes corporativos, mas devem envolver governos, escolas e famílias.” 

3-  “Somente a diversidade com ambiente inclusivo leva a alta performance e inovação.” 

4- “ Se no fim do dia, eu não dou voz, não reconheço ou convido para tomar as decisões, de nada adianta falar em diversidade.” 

5- 1- “O primeiro passo para a transformação está em reconhecer os meus vieses inconscientes que levam a julgamentos preconceituosos e tendenciosos.”

Luciana Camargo, Global HR Vice President da IBM

1- “O mercado está falando sobre diversidade e inclusão. Por outro lado, os esforços ainda não se traduzem em um cenário real de mudança.” 

2- “Uma coisa é entender a importância da diversidade, mas o que está em jogo é abraçar o pensamento diverso.” 

3- “Temos que promover um debate entre as lideranças de todos os setores. Do ponto de vista corporativo, estamos perdendo muitas oportunidades.” 

4- “Se a empresa olha apenas para universidade de primeira linha ou determinando perfil, está matando as possibilidades de ter um time diverso.” 

5- “É fundamental que a empresa propicie um ambiente seguro no qual as pessoas podem dar o melhor de si, sem medo de retaliação.” 

6- “A exclusão machuca e acaba com a capacidade cognitiva do profissional querer dar o seu melhor.” 

7- “Imagine o treinamento de um algoritmo feito apenas por pessoas com o mesmo perfil. Que tipo de solução e valor será entregue para a sociedade?” 

8- “É preciso mudar o ‘fixed mindset’, essa necessidade de ser o dono da melhor ideia. Por que o que eu penso tem que ser soberano?”

9- “Monitoramos o tempo todo como estamos contratando, a progressão de carreira, porque estamos perdendo as pessoas e se isso tem a ver com a falta de inclusão.”

Karina Ude, HR Director da Syngenta

1- “É preciso entender que todos nós temos nossos vieses e que eles influenciam na tomada de decisões.” 

2- “Temos que munir as lideranças de dados, mostrar qual é a real fotografia das áreas no que se refere à diversidade.” 

3- “Não há um caminho único para enfrentar a falta de diversidade. Sou a favor de atacar várias frentes, com estratégias distintas.” 

4- “As pessoas precisam fazer o link do que a diversidade e a inclusão significam para elas e como elas associam estes temas ao negócio.” 

5- “Ambientes diversos geram conflitos e desconforto e isso é bom. Precisamos evoluir e isso pode se dar pelo contraponto.” 

6- “Nosso propósito é garantir que estamos dando voz e empoderando as minorias para que a organização vá em direção a uma cultura de fato inclusiva.”


Texto: Luana Dalmolin