“Somos todos Cyborgs”

“Somos todos Cyborgs”

Em sua quinta edição, com o tema Digi-Humans, o Experience LAB discute as relações homem-máquina

Publicado em 9 de dezembro de 2020

No futuro líquido que se configura de forma acelerada para toda a humanidade, a relação entre homens e máquinas está ficando cada vez mais fluida. Segundo o americano Chris Dancy, principal speaker da quinta edição do Experience Lab, Digi-Humans, realizado em 8 de dezembro, “já somos todos cyborgs e a realidade é que as pessoas se fundiram com a tecnologia”. Chris é considerado o homem mais conectado do mundo e a expressão viva de uma nova etapa evolutiva da humanidade, em direção à hiperconectividade. 

Para falar destes temas, dos limites entre o físico e o digital e suas implicações, o Experience Club também contou com a presença de Taize Wessner,  CEO da Virtueyes, e Tiago Mattos, fundador da Aerolito, considerado um dos mais importantes futuristas do Brasil.

O evento contou com o patrocínio master de Alelo, Livelo, Salesforce e patrocínio de Alper Seguros, Avaya Brasil, BRWorking e LogMeIn.  

Confira os principais insights do evento.

  1. É preciso superar a dualidade homem vs. máquina

Existe uma ideia, quase tabu, de que a tecnologia vem para concorrer com os humanos, para substituir mão-de-obra. A verdade é que ela vem para complementar, apoiar e gerar valor. As transições vão acontecendo de forma orgânica, conforme as soluções vão sendo adotadas pela sociedade. 

 “A aderência à tecnologia só vai acontecer quando ela gera valor e traz benefícios reais para as pessoas”, Taize Wessner

  1. Somos todos Cyborgs

As pessoas já se fundiram com a tecnologia. Não faz mais sentido falarmos em identidade digital e identidade analógica. As nossas identidades são uma só. É preciso entender que não há mais um mundo on-line e outro offline. Estamos online 100% do tempo. Nos últimos 20 anos todas as nossas decisões já estão sendo tomadas em conjunto com a tecnologia, em uma relação de codependência. 

“A tecnologia estará ao nosso redor, vai nos envolver, estaremos ainda mais misturados. É um movimento que nos mostra que todos nós somos robôs. E isso não é ruim”, Chris Dancy

  1. A tecnologia é um novo território

Assim como ocupamos países e continentes, temos que pensar a tecnologia como uma nova terra. Nos próximos 10, 20 anos a aplicação da tecnologia não será mais restrita à devices e apps. Ela será uma extensão de nossas vidas e de nossas cidades. E, justamente por isso, é que estaremos voltados às habilidades mais antigas do ser humano. Temos um “big job” diante de nós: como focaremos em nós mesmos, e no mundo que desejamos. 

  1. Big Brother vs. Big Mother 

Chris Dancy propõe um olhar diferente para o conceito de “big brother”, cunhado pelo escritor George Orwell no romance 1984. Em sua fala, aparece o conceito de “big mother” ao olharmos para a tecnologia e suas aplicações. Para o futurista, há uma linha tênue entre o que queremos fazer e o que deveríamos fazer. E a tecnologia pode nos ajudar a encontrar este equilíbrio. Exemplos disso são os apps e devices que monitoram a nossa saúde, nosso hábitos alimentares, nosso sono – até mesmo os nossos sonhos -, como é o caso do novo sistema operacional do Apple Watch, lançado em agosto de 2020.

  1. O futuro da morte ou o pós-morte 

Precisamos começar a pensar em quem controlará a nossa personalidade digital depois que morrermos. As tecnologias exponenciais aliadas às indústrias da saúde e bem-estar, com o uso de dados para predição de doenças, por exemplo, certamente irão provocar uma extensão da vida humana. No entanto,a morte não necessariamente será o fim da nossa existência. Chris Dancy usou como exemplo a figura de Michael Jackson, que para ele é o futuro. Apesar da morte do popstar ter ocorrido há mais de dez anos, ele se faz presente nos dias de hoje, seja como um holograma ou em versão 3D. 

  1. A tecnologia não vai roubar os empregos

Quando falamos de inovação, há uma tendência de se colocar a tecnologia de um lado e o ser humano do outro. Não deve haver essa separação. No futuro haverá uma profusão de digital humans e isso vai acarretar em mudanças profundas na sociedade, em especial nas relações de trabalho e nas atividades desenvolvidas. Se não agirmos sobre esse novo paradigma seremos atropelados. As profissões não vão acabar, mas todas vão mudar. 

“O digital human trivial já está na nossa rotina, não vai roubar nosso emprego, mas vai transformar a forma como a gente opera”, Tiago Mattos Co-Founder Aerolito

  1. O conhecimento é o caminho

Toda evolução da sociedade começa através da educação. Primeiro, é preciso dar acesso irrestrito ao conhecimento e, para isso, disponibilizar ferramentas que permitam com que as pessoas possam chegar até a informação. Nesse sentido, os governos precisam se reestruturar para pensar no futuro. Pensar na educação a longo prazo, apartado de interesses políticos e partidários. Em paralelo, a iniciativa privada precisa unir forças para auxiliar nesse processo de democratização da informação.

  1. O fim das interfaces

Segundo o futurista Chris Dancy, em 2030 a ideia de olhar e interagir com uma tela nos parecerá louca. Isso porque, ele defende que não haverá mais interfaces em dez anos. Ou, ao menos, como hoje as conhecemos. As interfaces do futuro serão baseadas em comportamentos. Não veremos mais “app stores” e sim “habit stores”. 

Texto: Juliana Destro e Luana Dalmolin