Gestão

“Não deixe suas relações para depois”, diz Kasley Killam, especialista em saúde mental

Kasley Killan

missão [EXP+PROS]

Se, no painel de abertura do ano passado, a cientista social Kasley Killam subiu ao palco do SXSW para apresentar ao público o conceito de saúde social, nesta quinta-feira, 12, ela voltou cheia de novidades e dizendo para uma plateia recheada de brasileiros que o tema está finalmente “saindo das margens e atingindo o mainstream”.

Mas antes, uma breve recapitulação: saúde social é sobre conexão. Se a saúde física diz respeito ao corpo e a mental, aos nossos processos psicológicos, a saúde social trata das nossas relações e os fatores estruturais que as afetam.

E não, não se trata simplesmente de ter muitos amigos. A pesquisadora insiste que o fator mais importante é a qualidade das relações, não a quantidade.

Pensar nisso importa porque estudos estimam que a solidão e a falta de interação regular contribuem para cerca de 871 mil mortes prematuras por ano no mundo.

Nos Estados Unidos, cerca de 16% da população afirma se sentir isolada ou solitária na maior parte do tempo. No paralelo, buscas no Google por “como fazer amigos” atingiram níveis recordes.

Não à toa, relatórios de tendências apontam que a próxima fase da economia do bem-estar pode estar justamente em experiências e serviços voltados à conexão humana.

Na sessão, ela apontou quatro áreas principais para fortalecer a saúde social: escolas, trabalho, tecnologia e iniciativas locais. Para ela, habilidades de conexão deveriam ser ensinadas desde cedo, da mesma forma que atividades físicas.

No ambiente de trabalho, pesquisas mostram que funcionários que se sentem conectados aos colegas são até sete vezes mais empenhados.

Já a tecnologia aparece como um campo ambíguo. “Se ela ajuda a fortalecer relações humanas, isso é positivo. Mas se começa a substituí-las, temos um problema”, diz Kasley sobre utilizar chatbots como companhia.

Por fim, foi destacada a importância de grupos de bairro, clubes e organizações comunitárias que, embora menos visíveis do que soluções tecnológicas, podem ser algumas das estratégias mais eficazes para reconstruir conexões presenciais.

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