Ele criou o primeiro unicórnio brasileiro de IA e agora quer colocar o país entre os top 5 da tecnologia

Ele entrou na faculdade de Direito da Universidade de Brasília (UnB) aos 14 anos. Com 18, passou no exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e se tornou o advogado mais jovem do país. Um ano depois, aos 19, também se tornou o mais jovem a entrar em um mestrado em Harvard no mundo. Trabalhou no Milbank, um dos maiores e mais prestigiados escritórios de advocacia corporativa em Nova York. Depois, conquistou uma bolsa integral da Knight-Hennesy Scholars para cursar MBA em Stanford, mas desistiu de terminar o curso quando decidiu empreender a Enter, que se tornaria o primeiro unicórnio brasileiro de IA.
Mateus Costa-Ribeiro é o nome por trás de todas essas realizações. CEO e cofundador da Enter, ao lado de Henrique Vaz e Michael Mac-Vicar, ex-executivos da Wildlife Studios — unicórnio que se tornou uma das maiores desenvolvedoras e publicadoras de jogos para dispositivos móveis do mundo —, ele criou uma startup que usa inteligência artificial para apoiar as etapas de auditoria, revisão e definição de estratégias jurídicas. Bradesco, Nubank, Latam, Mercado Livre, AirBnB e Azul estão entre as mais de 40 empresas clientes.
A tecnologia tem ajudado departamentos jurídicos que lidam com milhares de processos simultaneamente a ganhar escala operacional, aumentar taxas de êxito e reduzir o ticket médio de condenações. No Nubank, por exemplo, a contratação da Enter elevou em seis pontos percentuais a taxa de êxito no contencioso do consumidor. No Banco Mercantil, a startup reduziu em 25% o ticket médio das condenações e aumentou em 12 pontos percentuais a taxa de sucesso das ações. Na LATAM, houve crescimento de 30% na taxa de improcedência, com cerca de R$ 15 milhões economizados em 2025.
A origem da Enter vem de uma decisão que Mateus tomou há cinco anos e que considerou a mais importante de sua vida. Ele pediu demissão do Milbank para trabalhar com tecnologia, mesmo depois de ter dedicado boa parte do mestrado em Harvard para chegar àquela posição. O novo salário seria menos de 1/6 do que ganhava no escritório de advocacia. Mesmo indo contra o conselho dos pais de não pedir demissão, ele afirmou, em um post no seu perfil do LinkedIn: “O que a vida quer da gente é coragem. Nosso tempo na Terra é muito curto para ter qualquer pensamento de ‘e se eu tivesse tentado’?”
Sem formação em engenharia, passou a conviver com desenvolvedores, aprendeu o básico de programação e, em setembro de 2023, criou com dois amigos a primeira versão da Enter. Um Google Forms simples, no qual o usuário subia uma petição inicial em PDF e recebia por e-mail uma sugestão de contestação. Aquela primeira interface se transformou em uma empresa que cresceu 13 vezes em receita no último ano.
A Enter levou apenas dois anos para levantar US$ 100 milhões em uma rodada série B liderada pela Founders Fund, investidor da Space X e da Palantir Technologies, alcançando valuation de US$ 1,2 bilhão. Também participaram Sequoia Capital, Ribbit Capital, Kaszek, Atlantico e ONEVC.
Para Mateus, o próximo passo vai além do crescimento da própria Enter. Ao criar um Conselho Institucional formado pelo ex-presidente do STF, Luís Roberto Barroso, pelo sócio do escritório Mattos Filho, Roberto Quiroga, e pelo apresentador Luciano Huck, o fundador quer ampliar a discussão sobre como a inteligência artificial pode distribuir produtividade e prosperidade no Brasil. A ambição declarada é colocar o país no G5 mundial de IA. “A missão do Conselho Institucional é pensar como o Brasil deve usar inteligência artificial pra efetivamente distribuir prosperidade, como estão fazendo Estados Unidos e China”, declarou.
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