Inovação

Conheça o brasileiro que usa IA para prever doenças e transtornos mentais

Um pesquisador brasileiro está usando inteligência artificial para antecipar sinais de doenças como epilepsia, autismo, Alzheimer, esquizofrenia, Parkinson e depressão muito antes que elas se manifestem de forma evidente. A pesquisa, ainda em fase inicial, alcançou mais de 90% de acerto em testes de laboratório e rendeu a Francisco Rodrigues, professor da USP, um prêmio de 60 mil euros da Fundação Alexander von Humboldt.

Professor do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, Francisco Rodrigues é matemático e especialista em sistemas complexos, área que busca encontrar padrões em fenômenos difíceis de prever. No caso de doenças neurológicas e transtornos mentais, esses padrões aparecem em imagens de ressonância magnética usadas para treinar algoritmos capazes de identificar alterações no cérebro associadas a diferentes transtornos.

“Hoje com o procedimento tradicional, o psiquiatra não vai conseguir identificar se você vai desenvolver esquizofrenia daqui a dez anos, esse é o ponto”, afirmou Rodrigues em entrevista ao Jornal da USP, enfatizando que o objetivo é apoiar psicólogos e psiquiatras no diagnóstico, que hoje depende exclusivamente da experiência clínica e da observação dos sintomas iniciais.

Ao identificar quais regiões do cérebro foram alteradas e quais mudanças estão relacionadas a cada transtorno, os algoritmos podem ajudar a diferenciar doenças com sintomas semelhantes, reduzir dúvidas em casos complexos e, no futuro, ampliar as chances de intervenção precoce.

A pesquisa também ajuda a explicar por que Rodrigues ganhou projeção internacional. Autor de mais de 160 artigos científicos publicados em periódicos internacionais de prestígio, como Nature Communications, Nature Ecology, Physical Review Letters, Advances in Physics, Physics Reports, Physical Review X e Climate Dynamics, ele esteve entre os 2% dos pesquisadores mais citados do mundo nas áreas de inteligência artificial, processamento de imagens, física e astronomia nos anos de 2023 e 2024.

Rodrigues mantém ainda um canal no YouTube com mais de 17 mil inscritos e um blog no Medium, onde publica regularmente textos sobre ciência. Muitos de seus alunos e orientandos ocupam hoje posições de destaque em universidades e empresas como Harvard, Google e Microsoft. Esses três fatores — o compromisso com a divulgação científica, a relevante produção científica e a dedicação à formação de novos pesquisadores — pesaram na escolha de seu nome para o Prêmio Friedrich Wilhelm Bessel 2025.

O grupo de pesquisa de Rodrigues trabalha ainda com problemas que impactam diretamente a sociedade, como previsão de epidemias, análise de crises econômicas, modelagem de eventos climáticos extremos e estudos sobre aquecimento global.  O professor é o segundo docente do ICMC a conquistar esse reconhecimento.

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