A nova dinâmica do mercado imobiliário de Miami

Na contra-mão da crise, o setor cresceu durante a pandemia com a chegada de empresas de tecnologia e americanos de outros Estados

Publicado em 2 de agosto de 2021

O desembarque de empresas de tecnologia e de americanos de outras partes do país, principalmente durante a pandemia, está mudando radicalmente o cenário do mercado imobiliário de Miami. 

Se antes a cidade era vista como destino de férias, principalmente por latino-americanos, hoje é encarada como nova fronteira pelo setor de tecnologia e refúgio tropical para americanos de outros Estados.

A avaliação é de Mariana Niro, uma das mais experientes profissionais de Real Estate da cidade, diretora executiva de vendas e corretora associada da Douglas Elliman Real Estate. “As pessoas me perguntam se existe risco de uma bolha imobiliária. E eu digo que não. Porque antes o mercado era muito dependente de investidores brasileiros, argentinos, venezuelanos e colombianos. E das flutuações do câmbio nesses países”, afirma. “Com os  americanos, é dólar por dólar. O câmbio não traz o mercado para baixo. E com eles chegam também novos empregos”.

Segundo Mariana, Miami já vinha crescendo e se sofisticando bastante nos últimos anos. Mas, até a pandemia, ainda não era encarada pelos americanos como uma cidade capaz de oferecer o mesmo nível de luxo e glamour, ou as opções de serviços e gastronomia, de cidades como Nova Iorque, Los Angeles, São Francisco ou Chicago, por exemplo.

A quarentena, porém, levou muitos a fugirem do frio e a descobrirem uma cidade que não conheciam. “Agora, the secret is out (o segredo foi revelado)”, afirma ela.

Impostos e preços baixos

É um movimento que obedece ainda a outras duas lógicas, diz Mariana. Uma, no caso das empresas de tecnologia, é a dos impostos mais baixos do que na maior parte do país. A outra é a dos preços menores, na comparação com grandes cidades americanas. “Com US$ 1 milhão o que você compra em Nova Iorque? Nada. E é tudo antigo. Em Miami, você compra um apartamento novo, pé na areia”, diz ela. 

Com a forte demanda, ela conta que não parou, desde o primeiro dia da pandemia. Impedidos de viajar, brasileiros e outros latino-americanos, o público comprador até então, passou a aproveitar a diferença cambial para vender. E, os americanos, obrigados a ficar em casa, a comprar.

Diante do aumento da demanda, os preços estão subindo rápido. De acordo com o Elliman Report, da Douglas Elliman, o valor médio de um apartamento em Miami Mainland passou de US$ 356 mil para US$$ 488 mil, na comparação entre o segundo trimestre de 2021 e o mesmo período de 2020. Isso significa uma alta de 37%. No mesmo período, o aumento do preço médio de uma casa foi de 63%, de US$ 629 mil para US$ 1.027 mil.

Para dar conta da demanda, e trabalhar na quarentena, Mariana conta que teve que contratar quatro assistentes e adotar cuidados sanitários, como o uso máscaras, álcool gel e protetores para os pés, nas visitas. 

Também aprendeu a vender à distância, usando o celular para fazer vídeo chamadas e visitas virtuais; a trabalhar com o Instagram, como ferramenta de marketing, e com plataformas para assinaturas remota de contratos.

Com o arrefecimento da pandemia, no curto prazo, e a retomada das viagens internacionais, Mariana avalia que o mercado vai aquecer ainda mais. Os americanos, afirma ela, devem chegar em maior número. E os compradores latino-americanos vão voltar a comprar na cidade. 

“Os preços vão continuar subindo”, diz ela.