As quatro leis do novo Marketplace

As quatro leis do novo Marketplace

Em LIVE, Mariano Faria, da VTEX, e Stelleo Tolda, do Mercado Livre, apontam as tendências do ecommerce

Publicado em 20 de Maio de 2020

IDEIAS CENTRAIS: 

* Comércio colaborativo, economia de tempo e conveniência, soluções integradas e diversificação do sourcing serão os grandes diferenciais de eficiência do ecommerce.   

* As empresas que colocarem o modelo de negócio acima do foco no cliente não sobreviverão à mudança do mercado.  

* O tempo das margens altas acabou. É preciso simplificar processos e reduzir a fricção para ser mais competitivo. 

Duas empresas com mais de 20 anos de estrada. Quando elas entraram no mercado, VTEX e Mercado Livre, lidavam com um contexto em que a internet era discada, chegava a apenas 3% da população e a compra online era tabu, senão algo impensável para boa parte dos consumidores brasileiros. De lá para cá, o processo de evangelização tornou-se realidade e num contexto de pandemia mundial, o e commerce é parte do nosso dia a dia. 

Mariano Faria, founder da VTEX, e Stelleo Tolda, COO do Mercado Livre, participaram da LIVE O Poder do Marketplace, que aconteceu nesta terça-feira, dia 19 de maio, e contou com a moderação do CEO do Experience Club Ricardo Natale. Para Mariano, mais do que nunca é hora de investir nos talentos digitais.  

“As empresas que estão navegando bem na crise são as que têm talentos digitais internos. Precisamos nos unir para que o jovem entenda a carreira digital como uma das mais promissoras” – Mariano Faria

Com sua experiência de operação em mais de 30 países, ele aponta que o varejo brasileiro reagiu de forma rápida e que isso se deve ao que ele define como o nosso DNA de “engenharia barata e criativa”.  

“É preciso renunciar, causar desconforto, atrair talentos digitais para gerar ruído e manejar o choque de gerações” – Stelleo Tolda 

Para Stelleo, a evolução do marketplace não acontece se não cuidar do básico. Na história do Mercado Livre um dos pontos centrais foi diminuir os pontos de fricção nas transações e na logística para provar a eficácia do modelo. Ou seja, “simplificar, padronizar e melhorar, tendo a tecnologia como arcabouço para isso. “Nada supera a experiência de venda ponta a ponta. E o simples bem feito”. Mariano complementa o raciocínio: “O varejo se perde na mágica da experiência e deixa de fazer o óbvio”.  

Saiba quais são as quatro principais tendências do novo marketplace:  

1.Comércio Colaborativo. Mapear onde estão distribuídos os seus recursos e quais são as redes que orbitam o seu negócio e que podem ser ativadas para honrar a confiança do seu consumidor. Mariano trouxe um exemplo de uma rede de varejo de moda romena que por meio de acordos com o comércio local passou a entregar itens essenciais nesta crise: máscaras, pão e papel higiênico. Uma completa reinvenção do core business que põe em prática o verdadeiro conceito de “collaborative commerce”.  

2.Soluções Integradas. O controle da relação do varejo com o cliente final será unificado por soluções integradas. É preciso perseguir o conceito de solution as a service, em que vários parceiros atuam nativamente de forma integrada. “A gestão de contratos entre provedores é o grande segredo. Quem tiver a melhor arquitetura entre sistemas vai estar na frente e ganhar velocidade”, afirma Mariano.  

3.Economia de tempo e conveniência. Vivemos a era da “venda de tempo”. Esta pandemia vem para nos lembrar isso. Esta é a premissa de negócios de tecnologia como AirbnB, Booking, Uber, entre outras. Um bom exemplo disso é a transformação pela qual os shoppings devem passar se quiserem sobreviver à crise. O conceito de mall, da exposição de vitrines, deve migrar para o de service, implementando serviços como check in, drive thru e picking. “Quem ainda achar que vai ganhar sobre fixo de aluguel e percentual de vendas, tá com a cabeça fechada”, diz Mariano.  

4.Diversificação de fontes. Muitas empresas se viram à beira do colapso por conta de sourcing. As cadeias de suprimento globais foram duramente afetadas. Não dá mais para depender 100% da China. Neste contexto, há uma aposta de que o México, para a América Latina, e a Polônia, para a Europa, devem se revelar como alternativas relevantes. Ao mesmo tempo, há uma tendência de valorização do comércio local. “No Brasil, diferentemente de outros países, até por conta das tarifas e da demora dos Correios, a proporção do comércio cross boarder é pequena. Isso tudo torna a experiência ruim”, diz Stelleo. 

APRENDIZADOS 

Seja ousado e corajoso. Não é hora se blindar com uma postura conservadora.

É hora de deixar os egos de lado. Rodas o mundo para aprender com as melhores práticas. É papel do CEO convencer os talentos em TI a integrarem seus times, de maneira horizontal. É preciso renunciar, causar desconforto e promover rupturas nos modelos. É do caos que nasce a inovação.  

Faça um deep dive em novos conhecimentos. A informação nunca esteve tão disponível. O mesmo para as pessoas que estão fazendo a diferença no mercado.

A quebra de paradigmas depende da tecnologia. As empresas que estão navegando bem na crise são as que têm talentos digitais internos. Digital é uma ciência empírica, se dá no campo, não se aprende na faculdade. Por isso, é preciso investir em conhecimento neste campo e na atração e retenção de jovens.  

Assuma o protagonismo da ruptura. As mudanças já aconteceram e vão acelerar ainda, com ou sem você.

Não espere governos nem associações. Não há mais tempo para olharmos apenas para a nossa barriga. Os maiores players têm que se unir e dar o norte. 

Texto: Luana Dalmolin

Imagens: Experience Club