Os princípios da reinvenção em tempos de crise

Os princípios da reinvenção em tempos de crise

Em LIVE, Solange Sobral, Eco Moliterno e Rodolfo Medina falam sobre legado, protagonismo e inteligência coletiva para criar novas receitas

Publicado em 22 de Maio de 2020

Como criar novas receitas em tempos imprevisíveis? Esta foi a pergunta central da LIVE Os princípios da nova estratégia organizada pelo Experience Club na quarta-feira, 20.05, que contou com a presença de três líderes relevantes do mercado: Eco Moliterno, CCO da Accenture, Rodolfo Medina, Presidente da Artplan e Solange Sobral, VP Partner da CI&T.  

O momento, antes de mais nada, é de resgate, de identificar o essencial.

“Estamos vivendo a ruptura de duas eras: do excesso para a essência. Na hora de se comunicar você [a marca] deve resgatar a sua verdade, porque você existe” – Eco Moliterno 

As reais demandas das pessoas devem estar no centro da inovação.

“Temos a responsabilidade de não deixar esta oportunidade passar. Temos que promover em conjunto a transformação para um mundo de fato melhor”, afirma Rodolfo Medina  

Para tanto, é preciso quebrar hierarquias e apostar na inteligência coletiva.



“A descentralização na tomada de decisões é chave. Precisamos empoderar nossos times, acreditar no poder da colaboração” – Solange Sobral 

Em linha com este pensamento, Eco acredita que as lideranças do futuro são aquelas que ocupam um papel mais agregador. “O modelo top-down é impositivo e não tem mais espaço neste novo mundo”.  

Listamos abaixo 4 pontos centrais para a inovação em meio às incertezas do momento.  

1- Derrube os silos. Criamos barreiras corporativas tão fortes que não conseguimos chegar no indivíduo. O nível executivo tem que se aproximar de seus times. Um problema nunca é horizontal e não será resolvido por um único silo da empresa. Temos que ativar a inteligência coletiva e valorizar a capacidade humana.  

2- Liderança agregadoraPara ilustrar este ponto, Eco Moliterno fez uma alusão aos modelos grego e romano. O jeito de comandar dos romanos era top-down e impositivo. “Eu sou a palavra final”. Já os gregos digeriam a cultura local. Para ele, a liderança real parte do entendimento das necessidades das pessoas e no entendimento do que elas têm de melhor para oferecer. “O mundo das pessoas deve mudar o seu universo como líder”. 

3- Seja ousado.  “Se você não fizer nada diferente, não dá pra ter resultado diferente”. Se o futuro é imprevisível, é preciso experimentar e aprender rápido. Algumas perguntas que qualquer empresa deve se fazer: meu ciclo está mais curto? falo com meu time? uso a inteligência coletiva? Isso parece etéreo, mas você precisa ver se de fato está dando a menos um passo para a mudança. E lembrando que disrupção não é necessariamente gerar uma necessidade nova, mas suprir as básicas. Não adianta também querer brincar de startup, se você não mexer no mindset da liderança, dificilmente provocará a disrupção. E, por fim, não basta estar cheio de dados e cheio de dedos. Fail fast. Não tem opção. Não dá pra ficar parado.  

4- Construa seu legado. A responsabilidade social é cada vez mais um fator determinante na continuidade dos negócios. A nova geração está de olho nisso. Qual é o seu impacto na sociedade? “As marcas devem ter um papel na solução de problemas e mostrar seu papel de liderança e o poder de seu legado. As empresas precisam se colocar nos lugares mais complexos e ser corresponsáveis na geração de impacto positivo. Temos muitos dados e informações, então temos que usar isso para testar novos caminhos, buscar a liderança em nossos segmentos. As marcas estão repensando qual é a verdade que elas representam. É isso que vai gerar valor para a sociedade e para as empresas.  

Texto: Luana Dalmolin 

Imagens: Experience Club