Black Rocks Startups fecha primeira turma do programa de aceleração

O Grow Startups é voltado para empresas que estão em pré-operação ou em operação e feito em parceria com o BTG Pactual

Publicado em 4 de fevereiro de 2021

Ela foi a primeira pessoa negra a figurar sozinha na capa de uma revista de negócios com circulação nacional. Maitê Lourenço é CEO da Black Rocks Startups, iniciativa que busca trazer empreendedores negros para o ecossistema de startups de tecnologia. “Há um fetiche de que todo empreendedor negro precisa de ajuda o tempo todo. Não somos vistos, a priori, como alguém que pode te ajudar, que tem a possibilidade de desenvolver algo que possa agregar”, disse Maitê em conversa com o Experience Club

A Black Rocks Startups acaba de fechar o primeiro grupo de acelerados do projeto Grow Startups. Em meio à pandemia, todo processo foi feito online, o que permitiu expandir o programa para além do Estado de São Paulo. Ao todo, 150 startups se inscreveram no projeto, sendo 10 selecionadas.  

O Grow Startups é voltado para empresas que estão em pré-operação ou em operação. Elas precisam ser B2B ou B2B2C, ter conhecimento em tecnologia e algum produto que esteja em MVP ou validado. O projeto é feito em parceria com o BTG Pactual e tem o apoio do Tiktok.

“É o momento das startups validarem a tese, entenderem se o público tem interesse no produto e vender. Com a parceria do BTG Pactual também há possibilidade de investir em startups que já tenham potencial, com faturamento e perspectiva de crescimento”, explica. 

A Black Rocks Startups atua como uma caça talentos, trazendo um olhar de negócio para pequenos empreendedores e inventores, inserindo esses realizadores no ecossistema e ajudando a quebrar barreiras sistêmicas que impedem seu desenvolvimento exponencial. 

Veja quatro reflexões sobre o empreendedorismo negro de tecnologia no Brasil e como romper essas barreiras. 

1. Não existe viés inconsciente para discriminação 

O racismo é uma questão social que menospreza e limita a existência de um grupo de pessoas. Para que esse padrão seja quebrado, é preciso abrir as portas e inserir negros e negras em espaços para construir ações que questionem o que está posto. “Será que só as startups lideradas por pessoas brancas do Vale do Silício são viáveis para prestar serviços para a população? Inovação é só pensar nesse grupo ou é pensar nos que estão sentindo a dor e, se tiver conhecimento em tecnologia, podem agregar muito mais ao chegar nesse mesmo lugar”?, questiona Maitê. 

2. O que falta para o empreendedorismo preto ter seu primeiro unicórnio 

“Existe uma estrutura sistêmica que nega a possibilidade de uma startup negra ser um unicórnio. Não é o empreendedor negro que não está preparado, é o sistema que foi feito para exclui-lo”, diz Maitê. O primeiro desafio do empreendedor negro é se conhecer como startup. Há um potencial muito grande no mercado de tecnologia, mas os inventores não se enxergam nesse ecossistema, como agentes de mudança. É aí que o Grow Startups entra, conectando negócios com potenciais com estruturas já constituídas dentro do sistema. Assim, os pequenos negócios ganham visibilidade e acesso, ultrapassando as barreiras e ganhando escalabilidade. 

3. É preciso mostrar ainda mais relevância 

O fato das startups selecionadas pelo Grow Startups serem empresas com fundadores negros, não significa necessariamente que seus negócios desenvolvem soluções cujo objetivo principal é impacto social. Da mesma forma, a existência desses empreendedores não indica a resolução de um problema social. “Está no imaginário que a população negra precisa de emprego, não que a população negra seja empreendedora de tecnologia”, diz Maitê. Essa ideia limita e prejudica negócios com potencial de desenvolvimento. Por isso, é preciso um empenho para evidenciar ainda mais a relevância das soluções desenvolvidas por esses empreendedores. 

4.Os próximos passos para a Black Rocks 

“Uma das coisas que o ecossistema de startup me ensinou é resolver um único problema, mas resolver muito bem”, diz Maitê. Por isso, a Black Rocks Startups tem muito definido o que pretende daqui para frente: ser evidenciada dentro do ecossistema de startups, tornando-se algo central, referência. “A gente quer sair desse primeiro programa com o máximo de cases possíveis, então estamos trabalhando muito para que essas startups se tornem referência no mercado”, conta Maitê. Ela espera que isso ajude a Black Rocks, no futuro, a apoiar o empreendedor tecnológico em todas as frentes. 

Texto: Juliana Destro
Imagem: Reprodução