Cinco lições de sobrevivência da última loja Blockbuster

Cinco lições de sobrevivência da última loja Blockbuster

A unidade remanescente da extinta rede de videolocadoras resiste em Bend, Oregon, graças à nostalgia dos fãs e força da marca.

Publicado em 10 de dezembro de 2019

O trailer de “Capitã Marvel”, que já faturou US$ 1 bilhão em bilheteria, começa com a personagem-título caindo no teto de uma loja da Blockbuster. A ideia é mostrar que a trama é ambientada na década de 1990, Era de Ouro das locadoras de vídeo.

Época que, justamente, transformou a Blockbuster em uma gigante global bilionária, tornando-se a maior rede de locadoras de filmes e videogames do mundo, com mais de 9 mil lojas em 26 países.

Com a chegada de novas tecnologias e hábitos de consumo, e aluguel de filmes online e canais de streaming, o império de entretenimento doméstico ruiu, a empresa pediu falência em 2011 e hoje existe apenas uma única unidade Blockbuster em todo o planeta, na cidadezinha de Bend, em Oregon (EUA).

A penúltima loja ficava na Austrália, e baixou as portas pela última vez em março de 2019. A sobrevivente de Bend possui 4 mil clientes cadastrados e adiciona alguns novos a cada dia, que alugam os DVDs disponíveis no catálogo. Muitos são turistas também.

Mas a Blockbuster de Bend, assim como algumas lojas da Tower Records no Japão (gigante do varejo americano que por mais de 40 anos atuou na venda de discos e livros), têm a capacidade de sobreviver apesar de tantas adversidades.

Conversamos com o professor e especialista Ricardo Pastore, coordenador do Núcleo de Varejo da ESPM, e listamos 5 diferenciais que deram sobrevida a última Blockbuster do mundo.

1.Marca – A força da marca é inegável. Fundada em 1985, em Dallas (Texas), cresceu rápido e, em 1994, foi incorporada à Viacom, um dos maiores grupos especializados em entretenimento do mundo, por US$ 8,4 bilhões. Chegou a atuar em 26 países, com mais de 9 mil lojas. “Tem recall e imagens muito fortes. Se a empresa tivesse migrado de tecnologia estaria, tranquilamente, ocupando mercado”, reforça Pastore.

2.Nicho – A Blockbuster de Bend atua para um nicho que concentra pessoas que curtem assistir a um filme de forma tradicional. “Como quem curte LP. No Japão, começaram a surgir lojas da Tower Records, com preços lá em cima”, conta o professor.

3.Nostalgia dos fãs – A loja de Bend tem à venda mercadorias da marca Blockbuster, incluindo chapéus de caminhoneiros, copos ou ímãs feitos por um professor local. “Existem os apreciadores de marcas, como Harley-Davidson, por exemplo, que nas viagens procuram lojas da grife para comprar souvenirs ou roupas. No caso de fitas de vídeo ou DVDs, sempre nos lembramos do primeiro vídeo que vimos com os amigos ou que era preciso rebobinar as fitas para devolver”, diverte-se.

4.Onda vintage – Existe o modismo e resgate de um lado vintage, tanto na alimentação artesanal, quanto na moda e no consumo. Segundo Pastore, várias marcas podem se aproveitar deste movimento para se aproximar de um novo público. “A Blockbuster despertaria o interesse de consumidores mais jovens, que nunca tiveram a oportunidade de ver um filme de maneira diferente”, destaca. 

5.Localização – Uma possível explicação para a longa vida útil da loja. A Bend está em uma região que a prefeita da cidade, Sally Russell, descreve como “grandes extensões com comunidades muito pequenas”, que geralmente não têm acesso fácil à internet de alta velocidade.

O fato é que a última loja do mundo continua viva e gerando buzz. Uma cervejaria local, a 10 Barrel Brewing, preparou uma cerveja especial, a Last Blockbuster , e a serviu em uma festa na loja. Dois cineastas também arrecadaram quase US$ 40 mil no Kickstarter para terminar um documentário sobre o local.

Texto: Por Andrea Martins

Imagens: Reprodução