Diversidade e inclusão: a liderança transformadora

Diversidade e inclusão: a liderança transformadora

Sete insights de Luciana Camargo, VP Global de Sucessão e Desenvolvimento de Executivos da IBM, sobre como o valor da pluralidade nas organizações vai muito além do RH

Publicado em 20 de novembro de 2020

Grandes empresas têm apostado na criação de novos cargos para tratar de um tema corporativo extremamente importante no século 21: a diversidade. Uma frase da executiva Verna Myers do Netflix tem circulado entre os executivos: “diversidade é chamar para o baile, inclusão é chamar para dançar”.

Verna ocupa, desde 2018, a posição de vice-presidente de estratégias de inclusão na empresa de streaming. Assim como na Netflix, o assunto está na pauta diária das corporações. Pesquisas e estudos de consultorias renomadas mostram que a diversidade traz benefícios para as corporações, inclusive financeiros.

Uma pesquisa da McKinsey mostra, por exemplo, que empresas com maior pluralidade em seus times alcançam resultados até 21% maiores que aquelas em que esta questão não é uma prioridade. 

Mas, mesmo com o foco corporativo diretamente voltado para a pauta de diversidade e inclusão nas pequenas, médias e grandes organizações, o tema, muitas vezes, acaba restrito às ações do RH.

“O mercado está falando muito sobre diversidade e inclusão. Por outro lado, os esforços ainda não se traduzem em um cenário real de mudança. O ponteiro muda pouco”, comenta Luciana Camargo, vice-presidente global de Sucessão e Desenvolvimento de Executivos da IBM.

Para a executiva, é fundamental que as lideranças das empresas tenham consciência e sejam capazes de desafiar a própria forma de pensar para criar um mundo diferente. “Uma coisa é entender a importância da diversidade, mas o que está em jogo é abraçar o pensamento diverso. Temos que promover um debate entre as lideranças de todos os setores. Do ponto de vista corporativo, estamos perdendo muitas oportunidades.”

Durante debate promovido pelo Experience Club, para tratar do tema “Lideranças Transformadoras”, Luciana trouxe 7 reflexões sobre a jornada de diversidade e inclusão nas organizações. “É preciso mudar o ‘fixed mindset’, essa necessidade de ser o dono da melhor ideia. Por que o que eu penso tem que ser soberano?”

[Assista ao vídeo e mergulhe no assunto]:

1.Além do RH

Empresas de todos os tamanhos estão debatendo a importância de formar times com maior diversidade. Mas o ponteiro tem mudado pouco nesta direção justamente porque o esforço acontece do lado do RH e é importante que a mudança incorpore as lideranças das organizações para a criação de um cenário real de inclusão e diversidade. “O que está em jogo é a nossa capacidade de abraçar o pensamento diverso. O quanto isto realmente é importante para mudar o rumo do negócio e o ambiente de inovação da minha empresa.

Estes dois temas são um imperativo moral e sabemos o quanto é importante do ponto de vista social, o quanto não é aceitável pensarmos que ainda existe um preconceito velado”, comenta Luciana. E acrescenta: “Do lado corporativo não está acontecendo porque tem pouca mobilização de líderes de negócios, que precisam ir fundo nesta discussão e entender porque é tão importante isso ‘drivar’. As pesquisas mostram o quanto a diversidade impacta os resultados de negócios e o quanto é imperativo até para os negócios continuarem perenes”.

2.Talento, valores e inovação

Do ponto de vista corporativo, 3 grandes áreas têm destaque quando o tema é diversidade: talento, valores e inovação. Apesar do número alto de desempregados, as empresas nunca sofreram tanto por falta de skill e de talento. E procurar profissionais só em universidades de primeira linha ou apenas olhar para um tipo de perfil tiram a oportunidade da empresa de buscar um universo de talentos muito mais rico. Na questão dos valores, existem muitas pesquisas que mostram que pessoas compram de pessoas, clientes compram de provedores que compartem dos mesmos valores. “Em torno de 71% das compras.

E quando vai para gerações mais novas, passam de 80% aqueles que compram de provedores que compartilham dos mesmos valores”, conta Luciana. O terceiro ponto, de acordo com a especialista, é a inovação. “O quanto é importante ter um ambiente em que as pessoas possam dar o melhor de si”.

3.Ambiente inclusivo

É fundamental que a empresa propicie um ambiente seguro no qual as pessoas possam dar o melhor de si, sem medo de retaliação, de julgamento, e que valorize as ideias em busca de novos caminhos. Para isso é necessário um ambiente inclusivo e que respeite as pessoas, sem espaço para discriminação, piadas grosseiras e abusivas que machucam muito. “É a consciência de que inclusão é importante, mas exclusão machuca. Acaba com a vida das pessoas, com a capacidade cognitiva delas darem o seu melhor”.

4.Unconscious Bias e Algoritmos diversos

Mesmo com os ‘Unconscious Bias Training’ (programas de treinamento que combatem preconceitos implícitos ou estereótipos sobre certos grupos para evitar prejulgamentos), feitos em grandes empresas como a IBM, existe um grande desafio de não ir pelo caminho mais fácil, de buscar quem pensa igual. “Imagine o treinamento de um algoritmo feito apenas por pessoas com o mesmo perfil. Que tipo de solução e valor será entregue para a sociedade?

5.Conexão múltipla

“As empresas perdem muito com a falta de capacidade de aprendizado intergeracional, do jovem aprender com o profissional mais sênior e do mais experiente entender a perspectiva do mais novo. E podemos extrapolar para o aprendizado com profissionais de outras nacionalidades, com outras culturas e realidades. É preciso desafiar nossa visão de mundo a ter ambientes mais diversos e multiculturais”.

6.Fixed mindset X growth mindset

“É preciso mudar o ‘fixed mindset’, essa necessidade de ser o dono da melhor ideia. Por que o que eu penso tem que ser soberano?” Para a executiva, é preciso criar mais espaço nas empresas para polêmica e debate ideias, para que as pessoas coloquem seus pontos de vista. “Isto é o mais difícil dentro das organizações. Essa necessidade de as pessoas serem donas da última palavra, da melhor ideia. Temos que ver que todo mundo está querendo evoluir, aprender e sair para um espaço melhor do que está”.

7.Propósito para reter talentos

“O que retém as pessoas nas empresas é fazer com que elas se sintam parte de um propósito. É importante falar do papel das empresas além da corporação, mas dentro da sociedade. ‘You can be what you can see’. Acho que as pessoas precisam ter referências e as empresas têm este poder de contribuir para um mundo melhor. Isto é mais poderoso para reter (um colaborador), até mais do que salário”.

(vídeo – GC – Propósito para reter talentos – 1’19’46 Avaliando muitos indicadores e métricas de empresa, para avaliar se as pessoas… até… maior de ajudar a sociedade e me dá condição de atuar também. Isto é mais poderoso para reter até do que salário, olhando de forma fria 1’23’15

Texto: Andrea Martins

Imagens: Reprodução | Experience Club