O desenho do futuro que queremos está em nossas mãos

O desenho do futuro que queremos está em nossas mãos

Confira os principais insights do segundo dia do Fórum de Economia Exponencial

Publicado em 2 de dezembro de 2020

Vivemos um momento de reset profundo, estamos diante de uma oportunidade única de reinventar a nossa forma de viver, de desenhar o futuro que queremos. Não haverá um retorno ao “normal”, pois a nossa forma de pensar, de sentir e de valorizar o que está ao nosso redor mudou. Com esta proposta de pensamento, Gerd Leonhard, CEO da The Futures Agency, abriu o segundo dia de programação do Fórum de Economia Exponencial, realizado pelo Experience Club, entre os dias 1 e 2 de dezembro, em modo 100% digital e aberto.

Gerd, que é considerado o maior futurista atualmente na Europa, deu o recado: o futuro não será uma mera extensão do presente, se dará de forma exponencial e convergente. “Ele [o futuro] será melhor do que pensamos. A próxima década definirá se viveremos em uma distopia ou em mundo mais justo e igualitário, de oportunidades para todos. Isso dependerá das escolhas que faremos agora”, destaca. 

Para o futurista, AI e machine learning serão as tecnologias que definirão os próximos passos da humanidade. Ele destacou o fim da era do petróleo e dos combustíveis fósseis, bem como a ascensão das energias limpas e dos princípios da economia circular. Para esta década, deveremos ser guiados e nos pautar em alguns pontos-chave:

  • transformações: pivotar as mudanças
  • serviços públicos mais fortes (educação, saúde)
  • ações decisivas na mudança climática
  • regulação ética e princípios regulatórios 
  • (re) humanização – a importância dos princípios humanos
  • nova liderança feita por mulheres e minorias
  • economia sustentável e o “novo capitalismo”

Gerd afirmou que o capitalismo como conhecemos não será suficiente para o futuro e que as métricas do novo capitalismo estarão calcadas em quatro princípios: Pessoas, Planeta, Propósito e Prosperidade. “Tudo o que não puder ser automatizado e digitalizado terá ainda mais valor, como ética, criatividade, empatia, intuição. Precisamos nos voltar ao que nos torna humanos, afinal este é o nosso principal trabalho”.

O Fórum de Economia Exponencial contou com o patrocínio Master de Dedalus em copatrocínio com Microsoft e Intel, Oi Soluções, Oracle, Randstand e Regus. Teve também o patrocínio de Axway e Basf. E contou com o apoio de Johnnie Walker e Julio Okubo.

Confira os destaques:

1- “O desenho do futuro que queremos está em nossas mãos. Somos nós quem definimos se iremos viver numa distopia ou num mundo melhor e mais igualitário”

2- “O futuro não será uma mera extensão do presente, se dará de forma exponencial e convergente”

3- “É hora de nos voltarmos ao que nos torna humanos. Afinal, este é o nosso principal trabalho”

4- “Tudo deve ter uma dimensão sustentável e não se trata de uma ideologia, mas sim do novo drive de negócio da humanidade”

5- “Dado não é simplesmente o novo petróleo, mas sim o novo plutônio. Pode ser usado de formas terríveis, por isso precisamos de regulação urgente”

W-CFO discute os desafios da área financeira e da liderança feminina

A humanização tem que ser incorporada em todos os processos das companhias, não somente naqueles relacionados à área de recursos humanos. E essa transformação de mindset será encabeçada pelas lideranças femininas. Este foi o tom da conversa das executivas do W-CFO com Ricardo Natale durante o evento. 

Stania Moraes, CFO da Ciena, Ednalva Costa, CFO da SAS, Giane Abreu, Diretora Financeira da Almaviva, Solange Waileman, Founder da Sunup Inteligência Emocional, Alessandra Segatelli, CFO da Pearson e Angela Pugliesi, CFO da Richemont, falaram da ausência das mulheres em cargos de liderança, dos desafios que a Covid-19 trouxe aos seus negócios e do desejo de mudar o mercado.

Confira os principais destaques:

“O autoconhecimento não deve ser delegado para o RH ou para o gestor, é uma tarefa nossa. É nosso alicerce, nossa base” – Solange Waileman, Founder da Sunup Inteligência Emocional

“A ausência de mulheres não é um problema de graduação ou de contratação, é um problema de base, na formação” – Stania Moraes, CFO da Ciena

“Pessoas que começaram a comprar online vão continuar a fazer isso depois da pandemia, porque ganharam confiança no processo, no produto e no sistema de entrega” – Angela Pugliesi, , CFO da Richemont

“As mulheres conseguem liderar com o foco no respeito às individualidades, tendo mais sensibilidade na fala, nas sugestões”- Giane Abreu, Diretora Financeira da Almaviva

“O que vai atrair os investimentos de longo prazo e confirmar um cenário mais otimista, são as agendas das reformas e privatizações, políticas de saúde mais claras sobre o Covid, mudança da postura na gestão ambiental e a aproximação com parceiros comerciais” – Alessandra Segatelli, CFO da Pearson

Toda empresa pensa em inovar e vê nas startups um modelo de como acelerar esse processo” – Ednalva Costa, CFO da SAS

Por que cuidar do meio ambiente não deve ser uma escolha, mas um propósito

Que o Brasil é uma das maiores fontes de recursos naturais do mundo, estamos cansados de saber. Mas essas fontes não são inesgotáveis, por isso, a preocupação com o meio ambiente precisa ser de todos: governos, iniciativa privada e sociedade.

“Os governos são importantes e necessários, mas as pessoas e as empresas também precisam repensar o modo de vida. Essa transformação é tão séria e tão profunda quanto à Revolução Industrial”, disse Flávio Brando, Presidente do Conselho da Ponteverde, durante sua conversa sobre as trilhas do capital verde.

Para ele, estamos entrando na era da tecnologia e do meio ambiente e ambas as frentes precisam caminhar lado a lado, de maneira harmoniosa. E para isso, não podemos esperar iniciativas governamentais, é preciso agir. 

Confira os principais destaques:

1- “Não há nada de errado em ganhar dinheiro, mas invista sua vida em coisas relevantes”

2- “Se nós não entrarmos no planejamento familiar, o que planejamos para o meio ambiente não prosperará”

3- “As empresas têm que repensar sua existência, com uma agenda positiva indo para frente”

4- “O capital natural e infraestrutura verde estão aqui, no Brasil, nós precisamos nos organizar para vender para outros países”

5- “Existe dinheiro sobrando no mundo para investimento em infraestrutura verde e capital natural. Tem solução, tem dinheiro, precisamos de ética e boa vontade”

Precisamos ativar a nossa inteligência mais sutil: a do coração

“Estamos entrando na era da inteligência do coração, que é sutil e abstrata”. Com esta fala, Murilo Gun, um dos maiores palestrantes do Brasil, professor e fundador da Keep Learning School e do movimento Gravidade Zero, chamou o público para refletir sobre as nossas prioridades.

Murilo lembrou que a humanidade, até então, priorizou a objetividade e a lógica, em detrimento do sentir e da intuição. Mas, neste novo capítulo precisaremos equilibrar mente e coração, as energias masculinas e femininas, trilhando um caminho de reaprendizagem do que é ser humano. “Precisamos voltar para casa, nos voltar para a nossa essência e voltar para o ritmo natural da vida”. 

Gun destacou o que chama de tecnologias naturais, que são abundantes, infinitas e estão validadas há milênios. Entre elas a respiração. “A gente já faz isso de forma inconsciente, no piloto automático. O que estou propondo é tornar consciente o que está inconsciente. A respiração é uma forma de te ancorar no presente, o que é um caminho de cura para males como a ansiedade e a depressão”.

Confira os destaques: 

1- “Estamos entrando na era da inteligência do coração, que é sutil e abstrata”. 

2- “Precisamos voltar para casa, nos voltar para a nossa essência e voltar para o ritmo natural da vida”

3-  “A respiração é uma forma de te ancorar no presente, o que é um caminho de cura para males como a ansiedade e a depressão”

4- “A humanidade foi educada a valorizar mais a memorização, deixando a imaginação de escanteio. O resultado disso é que o nosso poder de imaginar atrofiou. Precisamos reativar isso”

5- “Vivemos a premissa do mais é melhor. Não é sobre crescimento infinito, mas sim sobre achar a medida justa de crescimento”

Texto: Juliana Destro e Luana Dalmolin