A estratégia da BYD para chegar à liderança do mercado brasileiro

Há pouco mais de três anos, quando desembarcou no Brasil, a BYD era uma marca praticamente desconhecida dos brasileiros. Hoje, a montadora vende sete em cada dez carros elétricos e um em cada três híbridos no país, segundo Henri Karam, head de comunicação e relações públicas da BYD no Brasil. A ambição para os próximos anos é ainda maior. “Em 2030 queremos chegar à liderança na venda de veículos no país”, afirmou Henri no CMO Experience. No evento, que recebeu cerca de 100 líderes de marketing de grandes empresas, o executivo detalhou a estratégia de marketing e construção de marca por trás desse avanço acelerado.
Jornalista de formação, com passagens por Band e Globo, Henri foi ainda diretor de jornalismo da CNN Brasil antes de migrar para o mercado corporativo e assumir a missão de estruturar o departamento de relações públicas da BYD. Ele contou que as primeiras frentes de trabalho tinham como objetivo tirar a marca do anonimato.
“Sempre procuramos nos conectar com o que está acontecendo no momento”, disse, compartilhando que o assunto em alta é a guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã e o aumento do preço dos combustíveis derivados do petróleo. A BYD fez, então, uma campanha que mostra o quanto os consumidores podem economizar tendo um veículo elétrico e que, com poucas moedas, é possível rodar vários quilômetros.
Outra estratégia foi se conectar com o futebol, uma das maiores paixões nacionais. A marca já patrocinou campeonatos paulistas e baianos e fechou patrocínio com o Corinthians até o fim de 2026, entre outros investimentos no esporte.
Segundo Henri, o storytelling é muito presente na marca até pela própria história da BYD. A marca chinesa foi criada há 30 anos e, inicialmente, era uma fábrica de baterias. Marcas como Nokia e Motorola usavam baterias da BYD. O fundador da companhia, um químico, tinha o sonho de construir um carro elétrico. Ele comprou uma fábrica falida de veículos a combustão e, ao longo do tempo, foi desenvolvendo baterias que pudessem ser usadas nestes carros. “Em 2022, a BYD foi a primeira empresa do mundo a deixar de produzir carros somente a combustão”, contou, reforçando que, atualmente, a empresa só produz carros 100% elétricos e modelos híbridos.
A BYD seguiu uma tendência do próprio país de origem. Quando percebeu que seria difícil competir com as montadoras europeias no carro a combustão, a China decidiu atuar em uma nova frente de tecnologia para se destacar no mercado de veículos elétricos. “É por isso que hoje as principais marcas de carros elétricos são chinesas”, disse.
Futebol e novela, paixões nacionais
Para acelerar o conhecimento de marca, a BYD apostou em uma combinação de inserções premium de mídia e presença em programas de grande alcance, como o de Luciano Huck, na TV Globo, e novelas como Vale Tudo e Três Graças. Entre os objetivos, está o combate às fake news sobre a marca e sobre veículos elétricos. Essas ações geraram resultados como um “crescimento de 900% a mais de buscas pela marca com real intenção de compra e mais de 45% novos consumidores nas concessionárias.”
Outra frente estratégica da BYD é a experimentação do produto nas lojas. “No caso de uma nova tecnologia, não adianta só comunicar os atributos técnicos, é preciso viver a experiência”, disse Henri. Ele aposta que quem dirige um carro elétrico não volta atrás, devido ao conforto, silêncio e à falta de vibração do veículo. Aliado a isso está o discurso sobre o custo de propriedade total, que inclui menor gasto com manutenção, economia de até 80% em combustível e, em alguns estados, isenção de IPVA e de rodízio, no caso de São Paulo.
Para finalizar, Henri falou sobre a estrutura global da BYD e os números no Brasil. Dos quase 1 milhão de colaboradores no mundo, 122 mil trabalham em P&D. A empresa faz, em média, 45 pedidos de patente por dia útil. Já a BYD Brasil saiu de 17 concessionárias e apenas quatro modelos de veículos à venda em 2023 para mais de 210 concessionárias e 15 modelos no mercado em 2026. Em 2025 foram 112.814 modelos vendidos e, só no primeiro trimestre de 2026, foram quase 38 mil unidades vendidas. Números que ajudam a explicar por que a meta de liderar o mercado brasileiro até 2030, embora ambiciosa, já não parece tão distante.
Foto: Marcos Mesquita

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