Equilíbrio e diversidade: quatro lições da natureza para os negócios

Equilíbrio e diversidade: quatro lições da natureza para os negócios

Fred Gelli, CEO da Tátil Design e especialista em Biomimética, destaca que o redesenho do mundo corporativo passa por modelos compartilhados, relevantes e criativos

Publicado em 4 de outubro de 2020

Diversidade e resiliência, tão presentes na natureza, deveriam ser fonte de inspiração para um redesenho de novos modelos sociais e econômicos mais sustentáveis e acolhedores, principalmente no pós-pandemia. Para Fred Gelli, CEO da Tátil Design, o momento atual de desconforto pode gerar impulsos criativos, no contexto individual e coletivo, baseado no que acontece no processo de evolução da natureza. 

“Quanto mais diverso o ecossistema, mais resiliente ele é, e com mais espaço para a inovação. Todo processo de evolução se dá quando você tem uma mudança de contexto que te desafia. O desconforto gera o impulso criativo”, comenta Fred Gelli, que além do Design é especialista em Biomimética, ciência que busca inspiração na natureza. 

O assunto, que parece distante do mundo corporativo, pode ter relação direta com as marcas. É o caso do marketing compartilhado, que trabalha com conceitos extraídos do Meio Ambiente para atuação de empresas, proporcionando maior impacto sócio-ambiental. “As marcas precisam assumir o protagonismo na construção do futuro. Ou seja, se a marca quiser continuar viva, ela precisa ser relevante e assumir seu papel na geração de lucro compartilhado”, diz. 

Em debate realizado pelo Experience Club, Fred Gelli apresenta 4 dicas para um guia de redesign do mundo, para garantir a sobrevivência corporativa com relevância e geração de valor compartilhado

[Assista aso vídeo e mergulhe no assunto]:

1- Aposte na diversidade

“Quando olho para a natureza vejo que quanto mais diverso é um ecossistema, mais rico e resiliente ele é. A vida é obcecada por geração de diversidade, que cria mais espaço para inovação. Toda inovação da natureza vem de ecossistemas diversos”. 

2- Inserção no ecossistema

“As marcas precisam assumir o papel de protagonismo na construção do futuro e isto não se dá, apenas, pelo nível de consciência das lideranças. As empresas estão entendendo que se quiserem continuar vivas e relevantes precisam assumir este papel novo e diferente. O negócio não pode existir apenas para gerar lucro para os acionistas, é imprescindível olhar para todo o ecossistema do qual faz parte, entendendo que é importante a geração de valor para todo ecossistema, sob risco dele perder relevância e capacidade de continuar existindo”.

3- Criatividade para sobreviver

“A natureza é uma fonte de inspiração. Todo o processo de evolução na natureza se dá em momento de mudança de contexto, que te desafia a seguir sobrevivendo, a buscar recursos que não estava usando. O modo conforto é menos criativo que o modo sobrevivência. O desconforto gera o impulso criativo”. 

4- Lugar de potência

“Eu sempre entendi que as marcas precisavam seguir construindo relacionamento com as pessoas, abrindo espaço para contar os seus diferenciais, para dividir sua visão de mundo. A partir daí, seria possível pegar uma parte da verba das empresas para projetos que gerem valor real para a vida das pessoas. Mas em um lugar muito preciso, em que a marca possa colher retorno em reputação e relevância. Este lugar preciso é definido a partir do lugar de potência e cada marca tem um particular. Se ela atua a partir deste lugar, ela consegue capturar valor”. 

Texto: Andrea Martins 

Imagens: Reprodução | Experience Club