Seis dicas para liderar em momentos críticos de  transformação

Seis dicas para liderar em momentos críticos de transformação

Ricardo Basaglia, diretor geral da Michael Page, fala sobre dos desafios do líder em um ambiente de trabalho mais volátil do que nunca

Publicado em 11 de agosto de 2020

De uma hora para outra os escritórios fecharam e líderes tiveram que fazer a gestão de seus colaboradores à distância. Mesmo que algumas empresas atuassem com home office em alguns dias da semana, a mudança drástica impôs novas maneiras de trabalho e relação entre gestor e funcionários. 

Ricardo Basaglia, diretor geral da Michael Page, uma das principais consultorias de headhunting no mercado, falou com exclusividade para o Experience Club sobre as mudanças para os líderes no atual cenário e quais são lições para o futuro. “O que a gente vai começar a filtrar são as situações e entender quando efetivamente a gente precisa do contato pessoal”. 

O executivo afirma que a relação de confiança entre gestor e funcionários é importante para definir a maneira como o trabalho será feito em casa. “O líder precisa simplificar a vida dos seus liderados e deixar claro quais são as regras do home office. Trabalho à distância é uma relação de confiança, então o líder precisa deixar claro o que precisa ser feito, como deve ser feito e, a partir daí, dar espaço para a pessoa trabalhar”, completa.  

Confira os seis insights extraídos da entrevista com Ricardo Basaglia [assista ao vídeo e mergulhe no assunto]:

1. Saber escutar  

A principal característica que um líder precisa aprimorar é a escuta. Isso é ouro em um mundo de transformações rápidas e de um volume de informações tão grande. Se não tiver a capacidade de escutar, vai pilotar um avião como se não tivesse todo o painel de controle. Você não tem mais as medições, os indicadores para onde está indo e o que tem pela frente. Isso pode parecer simples, mas no fim do dia é uma das maneiras mais difíceis do líder atuar é não desligar a capacidade de escutar. 

2. Home office e pandemia  

O primeiro ponto é diferenciar o home office da pandemia. As pessoas foram trabalhar de casa sem terem tido a oportunidade de se preparem. Cuidar de casa, filhos, preocupado se vai ter alguém contraindo o vírus ou tendo que cuidar de alguém debilitado de saúde. Então isso, definitivamente, é uma situação totalmente diferente.  

3. Regras claras e liberdade  

Outro ponto importante é que o líder consiga simplificar a vida dos seus liderados deixando muito claro o que vai ser feito, como vai ser feito e prazos. A partir daí, dar espaço para a pessoa trabalhar. Trabalho à distância é essencialmente uma relação de confiança.

4. Escolhas certas e menos problemas  

De maneira geral, o home office nas empresas acaba potencializando o que já tinha dentro de casa. Se a empresa já tinha pessoas com perfis errados, isso ficará mais evidente. Já as pessoas com perfis corretos, se você der espaço para elas trabalharem, elas irão produzir bem mais.

5. Relações pessoais à distância  

É fundamental que o gestor crie espaços para interações de maneira virtual. Antes, isso não era uma preocupação porque as pessoas se encontravam no cafezinho, iam almoçar juntas. Hoje, se você não coloca na agenda, não tem interação, então, de que maneira você faz isso sem burocratizar uma relação que deveria ser mais leve?

6. Quando ter o funcionário no escritório?  

O que a gente vai começar a filtrar são as situações e entender quando efetivamente a gente precisa do contato pessoal. A gente pede para todo mundo ir ao escritório como sempre foi ou porque tem uma reunião e a interação presencial vai ser muito mais eficiente? Essas discussões serão centrais, até porque o tamanho das empresas do ponto de vista físico deve diminuir.

Texto: Fábio Vieira
Imagem: Experience Club