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Gestão

Bem-estar não é benefício. É infraestrutura para crescer.

Felipe Calbucci, CEO da TotalPass

Por Felipe Calbucci, CEO LATAM da TotalPass

Quando uma empresa entra em uma trajetória de crescimento acelerado, é comum que a primeira resposta seja aumentar a intensidade: mais metas, mais velocidade, mais horas, mais pressão por execução. Funciona. Até certo ponto.

Ao longo dos últimos anos liderando a expansão da TotalPass, aprendi que existe uma variável que muitas vezes fica fora da equação do crescimento: a capacidade das pessoas que precisam sustentar esse crescimento.

Uma empresa pode ter capital, tecnologia, estratégia e mercado. Mas, se sua organização não tiver energia física e mental para executar, a velocidade do negócio inevitavelmente encontra um limite.

Esse limite já aparece de forma concreta nas empresas. Um levantamento da Harvard Business aponta que 85% dos líderes de nível médio relatam vivenciar burnout semanalmente. Não é difícil entender por quê. A média gestão está no centro da operação: recebe a pressão por crescimento da alta liderança e, ao mesmo tempo, precisa transformar essa pressão em execução para os times.

O ponto, para mim, não é simplesmente falar sobre burnout ou defender que as pessoas trabalhem menos. É entender o que acontece com a performance de uma organização quando sua capacidade humana começa a se esgotar.

Por muito tempo, o bem-estar foi tratado pelas empresas como um benefício adicional, associado principalmente à atração e retenção de talentos. Hoje, essa visão começa a ficar limitada.

Para empresas que querem crescer de forma consistente, bem-estar é parte da infraestrutura de performance. Porque não existe alta performance sustentável sem pessoas capazes de performar em alto nível por mais tempo.

Foi uma conclusão que também tivemos na prática na TotalPass. Nos últimos cinco anos, multiplicamos nossa base B2B em mais de 13 vezes, passando de 3 mil para 40 mil empresas parceiras. Ultrapassamos 2,3 milhões de usuários e recentemente chegamos à marca de 100 milhões de check-ins. Esse crescimento exigiu muito mais do que aumentar a operação. Exigiu construir uma organização capaz de acompanhar a velocidade do negócio.

E foi nesse contexto que entendemos o papel estratégico do que fazemos. A TotalPass nasceu dentro do Grupo Smart Fit, mas evoluiu para conectar empresas a um ecossistema cada vez mais amplo de saúde e bem-estar, com acesso a mais de 38 mil academias e estúdios parceiros, além de soluções relacionadas à saúde mental, nutrição e outros hábitos que fazem parte da rotina das pessoas.

O nosso desafio passou a ser menos sobre oferecer um benefício e mais sobre criar condições para que milhões de pessoas tenham acesso mais simples e viável a hábitos que aumentam sua capacidade de viver e performar bem no longo prazo.

Internamente, gosto de pensar nisso como uma espécie de engenharia da energia: assim como uma empresa precisa construir processos, tecnologia e infraestrutura para escalar, também precisa criar as condições para que as pessoas tenham capacidade de sustentar a escala.

Isso muda a conversa sobre bem-estar.

Não estamos falando apenas de uma pausa no meio do expediente, de uma aula de academia ou de uma ação pontual de saúde mental. Estamos falando de uma variável que interfere diretamente na capacidade de uma organização executar sua estratégia.

Ao longo dessa jornada, uma das principais lições que aprendi é que é possível alcançar resultados extraordinários por algum tempo na base do esforço extremo. O problema é que esse modelo não escala.

Quando a pressão aumenta indefinidamente, chega um momento em que o ganho marginal de mais esforço começa a cair e o custo para a organização aumenta. Por isso, talvez a pergunta mais importante para um líder não seja apenas: “Quanto a minha equipe consegue entregar?”

Mas: “Por quanto tempo ela consegue sustentar esse nível de entrega?”

Empresas de alta performance não são aquelas que conseguem extrair o máximo das pessoas por um período curto. São aquelas que constroem as condições para que pessoas e negócios continuem evoluindo juntos.

No fim, crescimento acelerado exige velocidade. Mas, para sustentar essa velocidade, é preciso capacidade.

E talvez esse seja o verdadeiro papel estratégico do bem-estar: não fazer uma empresa crescer menos, mas criar a infraestrutura humana necessária para que ela consiga crescer mais e por mais tempo.

*Felipe Calbucci é um líder executivo brasileiro à frente da operação da TotalPass, onde atua como CEO Latam, liderando a expansão de uma das principais plataformas de bem-estar corporativo. Com mais de 20 anos de experiência, tem desempenhado um papel central no crescimento da companhia, impulsionando sua presença no Brasil e no México e fortalecendo um ecossistema que hoje conecta milhares de empresas a uma rede com mais de 40 mil academias e estúdios parceiros.

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